Zelador que espancou moradora e ateou fogo em prédio na Bahia irá a júri popular em janeiro de 2026
Justiça acata denúncia do MP-BA por tentativa de feminicídio, incêndio e dano qualificado; caso chocou moradores do Rio Vermelho e revelou falhas graves na segurança condominial.

Zelador acusado de espancar moradora e provocar incêndio em prédio de Salvador vai a júri popular em 2026
O zelador Osvaldo Ferreira Conceição, investigado por espancar uma moradora e atear fogo em partes de um edifício residencial no bairro Rio Vermelho, em Salvador, será julgado por júri popular no dia 30 de janeiro de 2026. A informação foi confirmada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) nesta quarta-feira (26), após denúncia apresentada à Justiça.
A decisão, proferida pela 1ª Vara Criminal do Tribunal do Júri de Salvador, recebeu a denúncia que imputa ao acusado os crimes de tentativa de feminicídio, incêndio, ameaça e dano qualificado, todos relacionados ao ataque registrado em 27 de agosto de 2024.
O ataque: agressão brutal e incêndio dentro do condomínio
Segundo a denúncia, Osvaldo Conceição teria invadido o apartamento da professora Núbia Pimentel, de 41 anos, e a agredido violentamente, provocando múltiplas fraturas, especialmente na face. A vítima foi encontrada em estado grave, passou por cirurgia e ficou internada em coma induzido, recebendo alta semanas depois.
Logo após a agressão, o zelador teria utilizado gasolina para iniciar focos de incêndio em diferentes andares do prédio. Parte da ação foi registrada por câmeras de segurança, que captaram toda a movimentação do suspeito naquela manhã:
- 5h25: Osvaldo chega ao prédio cambaleando e circula pelas dependências.
- 5h29 – 6h21: Ele deixa o condomínio.
- 6h21: Retorna em uma motocicleta carregando um galão de combustível.
- 6h34: Entra no elevador com o galão e sobe para os andares superiores.
- 6h35: As câmeras do elevador registram uma explosão e densa fumaça. Acredita-se que o incêndio começou logo após o zelador deixar o elevador e despejar gasolina diante das portas de moradores.
- 6h51: O suspeito tenta fugir, pulando do playground para a garagem, mas cai e se fere.
Moradores acionaram o socorro ao vê-lo ferido no térreo, e o Corpo de Bombeiros controlou o incêndio antes que ele se espalhasse para outros pavimentos.
Vítima já havia registrado assédio meses antes
O histórico entre a vítima e o zelador também consta na investigação. Em janeiro de 2024, Núbia havia registrado no livro de ocorrências do condomínio uma denúncia de assédio, relatando que o funcionário enviou a mensagem: “vamos tomar um vinho?”, durante a noite.
Ela afirmou ao síndico da época que não desejava a demissão do zelador, apenas uma advertência formal. Porém, segundo relato de uma amiga à TV Bahia, nenhuma providência concreta foi tomada, apesar de o caso também ter chegado ao conhecimento da esposa do acusado.
Motivação: risco de demissão pode ter desencadeado crime
Moradores informaram que a possível motivação do ataque teria sido o debate sobre a substituição do zelador, discutido em um grupo de mensagens do condomínio — do qual ele participava. Os relatos indicam que alguns condôminos vinham reclamando da postura do funcionário, citando atrasos e tratamento desigual entre moradores.
Osvaldo trabalhava há mais de 10 anos no edifício e residia com a família em um anexo dentro do próprio condomínio.
Situação atual do réu
Após tentar fugir do prédio e se ferir, Osvaldo teve a prisão em flagrante convertida em preventiva dois dias após o crime. Ele permanece detido no Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador.
Com a aceitação da denúncia, ele responderá no Tribunal do Júri pelos seguintes crimes:
- Tentativa de feminicídio
- Incêndio
- Ameaça
- Dano qualificado
As penas somadas podem ultrapassar 40 anos de prisão.
Caso reacende debate sobre segurança, monitoramento e gestão de equipes em condomínios
O episódio provocou forte impacto no setor condominial e expôs falhas relevantes no monitoramento interno, já que os corredores dos andares não possuíam câmeras, dificultando a reconstituição exata do momento da agressão.
Especialistas defendem que o caso evidência a necessidade de:
- políticas claras para denúncias e tratamento de condutas inadequadas;
- monitoramento mais robusto nas áreas internas;
- processos transparentes de contratação, treinamento e desligamento;
- protocolos preventivos para situações de risco envolvendo funcionários.
O julgamento promete ganhar grande atenção pública e reforçar debates sobre segurança condominial, responsabilidade administrativa e mecanismos de proteção a moradores.
Fonte: G1