Vista para o mar eleva preço de apartamentos
Andar, posição do imóvel e permanência da paisagem influenciam os preços; diferença entre unidades de um mesmo empreendimento pode chegar a R$ 650 mil

Vista para o mar influencia preço de apartamentos
A vista para o mar pode elevar significativamente o valor de um apartamento, especialmente em cidades litorâneas onde a paisagem é um dos atributos mais valorizados do mercado imobiliário. Em Santos, no litoral paulista, a diferença entre unidades de um mesmo empreendimento pode ultrapassar 60%, dependendo da localização no edifício e da vista oferecida.
As informações foram publicadas pelo jornal A Tribuna em reportagem sobre os fatores que influenciam a formação dos preços dos imóveis na região. Segundo profissionais do setor ouvidos pela publicação, andar, posição da unidade e possibilidade de manter a paisagem desimpedida estão entre os elementos considerados na avaliação.
O diretor regional do Sindicato das Empresas de Compra e Venda de Imóveis (Secovi-SP), Carlos Meschini, afirma que a percepção de exclusividade e a possibilidade de aproveitar diariamente a paisagem contribuem para agregar valor ao imóvel.
Em condições comparáveis, a diferença entre apartamentos com menor e maior exposição à vista para o mar pode ficar entre 5% e 10%, especialmente quando há andares mais altos e uma paisagem livre. O percentual, entretanto, varia conforme as características do empreendimento e sua localização.
Diferença pode chegar a R$ 650 mil
Um exemplo apresentado na reportagem ilustra o impacto da vista na formação do preço. Em um empreendimento previsto pela Engeplus Construtora e Incorporadora, um apartamento no primeiro andar, com vista livre, mas sem vista para o mar, foi avaliado em R$ 1,028 milhão.
Uma unidade com projeto equivalente, localizada no 30º pavimento e com vista para o mar, foi anunciada por R$ 1,68 milhão. A diferença entre os valores chega a R$ 650 mil, o que representa mais de 60% em relação ao preço da unidade de menor valor.
O exemplo demonstra como características que não alteram necessariamente a planta interna podem influenciar a precificação. Ainda assim, os valores apresentados se referem a um empreendimento específico e não representam um percentual aplicável a todos os imóveis de Santos ou de outras cidades litorâneas.
Permanência da paisagem também pesa na avaliação
A vista disponível no momento da compra não é o único aspecto considerado pelo mercado. A possibilidade de que a paisagem seja bloqueada futuramente também pode interferir na percepção de valor.
Segundo Mateus Teixeira, diretor da Construtora Macuco, a vista frontal e permanente para o mar costuma ocupar a posição mais valorizada, seguida pela vista lateral ampla, pela vista parcial e, por último, pela paisagem urbana sem vista para o mar.
A perspectiva de obstrução futura é relevante porque a construção de novos edifícios no entorno pode modificar a paisagem disponível. Por isso, uma vista parcial sujeita a bloqueios não necessariamente apresenta o mesmo valor de uma vista protegida ou frontal para o mar.
A característica também tem uma particularidade em relação a outros itens do imóvel: enquanto acabamentos e ambientes podem ser reformados, a posição da unidade no edifício e sua orientação em relação à orla não podem ser alteradas pelo comprador.
Andares mais altos podem ter valorização adicional
A altura do apartamento é outro fator que interfere na formação dos preços. Em muitos empreendimentos, os valores aumentam progressivamente conforme o pavimento, em razão da maior abertura visual, da privacidade e da menor interferência de construções vizinhas.
Esse comportamento, conhecido no mercado como diferença vertical de tabela ou degrau de preço, não segue uma regra única. A valorização depende do projeto, da localização e das características da paisagem.
Há situações em que um pavimento específico se torna especialmente valorizado por ser o primeiro a oferecer uma vista desimpedida para o mar. Nesses casos, a diferença entre unidades próximas pode ser expressiva, mesmo quando a área privativa e a planta são semelhantes.
Varanda gourmet amplia o uso do apartamento
Além da vista e do andar, a configuração dos espaços internos também participa da percepção de valor do imóvel. A varanda gourmet, por exemplo, passou a desempenhar um papel importante na experiência de moradia, reunindo convivência, lazer e preparo de refeições.
A arquiteta santista Rosely Feijó destaca que o projeto deve considerar o perfil dos moradores, a frequência com que recebem convidados e as necessidades de uso do ambiente. A disposição dos móveis, as áreas de circulação e a infraestrutura precisam acompanhar essas características.
Ventilação, iluminação, ergonomia, isolamento acústico e instalações elétricas e hidráulicas também são aspectos relevantes para o funcionamento do espaço. Bancadas, armários, pia e áreas de armazenamento podem facilitar o uso cotidiano, enquanto mobiliário, iluminação decorativa e paisagismo contribuem para definir a proposta estética.
A integração entre varanda e sala também pode ampliar a sensação de continuidade dos ambientes e favorecer o aproveitamento da área social do apartamento.
O que observar antes de comprar um imóvel com vista para o mar
Para quem pretende comprar um apartamento na orla, o preço anunciado deve ser analisado em conjunto com as características efetivas da unidade. A vista, o pavimento, a orientação do imóvel e as condições do entorno ajudam a explicar diferenças de valor entre apartamentos aparentemente semelhantes.
Também é importante avaliar se a paisagem está sujeita a possíveis obstruções e comparar unidades com características equivalentes. A existência de uma vista privilegiada pode contribuir para a valorização, mas não garante, isoladamente, retorno financeiro futuro ou facilidade de revenda.
O mercado imobiliário considera diferentes fatores na precificação, incluindo localização, metragem, estado de conservação, infraestrutura do edifício e demanda na região. Por isso, os percentuais observados em um empreendimento não devem ser generalizados para todo o mercado.
O caso de Santos evidencia como atributos permanentes, como a posição da unidade e a relação com a paisagem, podem ter peso relevante na avaliação de um apartamento. Para compradores e investidores, compreender esses elementos ajuda a comparar imóveis e a identificar o que justifica as diferenças de preço entre unidades de um mesmo edifício.