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Violência em condomínios de São Paulo cresce 32% nos últimos cinco anos

Levantamento exclusivo do Terra aponta aumento de lesão corporal e injúria em brigas entre vizinhos e síndicos, evidenciando uma “pandemia de conflitos” dentro dos condomínios.

Violência em condomínios de São Paulo cresce 32% nos últimos cinco anos
Foto: Foto: Reprodução

Violência em condomínios de São Paulo cresce 32% em 2025

Conviver em sociedade tem se tornado um desafio cada vez maior, especialmente dentro de condomínios. Participantes de grupos de WhatsApp de moradores sabem: brigas entre vizinhos e conflitos com síndicos são frequentes. Essa percepção é confirmada por um levantamento exclusivo realizado pela reportagem do Terra, em parceria com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, que aponta aumento de 32% nos casos de violência em condomínios no primeiro semestre de 2025 em comparação com a média dos últimos cinco anos.


Entre janeiro e julho de 2020, foram registrados 985 casos de violência em conjuntos residenciais e moradias compartilhadas. No mesmo período de 2025, o número saltou para 1.952 ocorrências na capital paulista — quase o dobro. Ao todo, nos últimos cinco anos, foram contabilizados 9.338 casos de violência, o que equivale a cerca de cinco registros por dia nas delegacias de São Paulo.

Principais tipos de crimes registrados

Injúria
A troca de ofensas entre moradores vem crescendo de forma constante. Em 2020, foram registrados 496 casos; em 2021, 549 — aumento de 11%. Durante a pandemia, em 2022, os registros saltaram para 916, um crescimento de 67% em relação aos anos anteriores. Em 2023, os casos caíram para 686, seguido por 605 em 2024. No primeiro semestre de 2025, já foram contabilizados 711 casos, representando aumento de 43,3% em relação aos anos anteriores.

Lesão corporal
Agressões físicas também apresentaram crescimento significativo. Foram 272 casos em 2020 e 331 em 2021 (alta de 22%). Em 2022, durante a pandemia, os registros dispararam para 740 (124% de aumento). Nos anos seguintes, houve 701 casos em 2023, 717 em 2024 e 941 em 2025 — um aumento de 31% em relação ao ano anterior.

Calúnia e difamação
Além das agressões físicas e verbais, calúnias e difamações também cresceram, afetando a imagem de moradores. Em 2025, foram registrados 136 casos de calúnia e 159 casos de difamação, atingindo níveis recordes recentes.

Causas da “pandemia de conflitos”

Segundo a psicanalista Cintia Castro, o aumento da violência em condomínios está relacionado à pandemia de coronavírus, que intensificou o tempo de convivência forçada e reduziu o traquejo social. Outro fator é a expansão das moradias compartilhadas e a maior densidade populacional em São Paulo, que tornam a convivência mais desafiadora.

Para Renato Daniel Tichauer, presidente da Associação de Síndicos de Condomínios Comerciais e Residenciais do Estado de São Paulo (Assosíndicos), os conflitos aumentaram após a pandemia. Ele recomenda que síndicos orientem condôminos, promovam palestras sobre convivência e, em casos extremos, acionem a Justiça contra moradores antissociais.

O crescimento da violência em condomínios evidencia a necessidade de atenção à convivência, regras internas claras e mediação de conflitos, garantindo que a moradia continue sendo um espaço seguro para todos.

Fonte: Terra