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Vereador insulta porteira em condomínio: “não ganha mais que R$ 1.000… sapatão”

Imagens mostram parlamentar do PL atacando funcionária com ofensas homofóbicas e ameaças; Câmara de Campinas vota abertura de processo de cassação.

Vereador insulta porteira em condomínio: “não ganha mais que R$ 1.000… sapatão”
Foto: Foto: Reprodução

A rotina de um condomínio residencial em Campinas (SP) foi abruptamente interrompida por um episódio que envolve violência verbal, abuso de autoridade e possível quebra de decoro parlamentar. Um vídeo revelado por câmeras internas mostra o vereador Otto Alejandro (PL) insultando e ameaçando a porteira do prédio onde mora sua namorada, Luiane Mesquita de Carvalho. As imagens, registradas em abril, vieram à tona após novos desdobramentos do caso.

Nos registros, o vereador aparece chegando ao condomínio com uma garrafa de cerveja na mão e acompanhado de outro homem. Ainda na portaria, é possível perceber o início de uma discussão, enquanto a funcionária demonstra medo diante das agressões. Otto passa a insultá-la chamando-a de“cabelo de fogo, do capeta, sapatão”, além de afirmar que ela “não ganha mais que R$ 1.000”, numa clara tentativa de humilhação e ataque à dignidade da trabalhadora.

O tom ameaçador fica ainda mais evidente quando diz:

“A hora que você pisar para fora, nós vamos conversar”, colocando em risco não apenas a segurança emocional, mas também física da funcionária — responsável por zelar pela ordem no condomínio.

A assessoria do parlamentar afirmou que o episódio seria “um fato de ordem financeira” e que o vereador “teria sido diversas vezes ofendido, respondendo à altura”. A versão, entretanto, não encontra respaldo nas imagens, que mostram a porteira assustada e recuando diante das agressões.

O caso ganhou novo contorno quando, na semana passada, a namorada do vereador registrou boletim de ocorrência por violência doméstica, acusando Otto de ameaça, injúria e dano. A denúncia reforçou a gravidade do comportamento do parlamentar e ampliou o debate sobre sua conduta pública e privada.

Diante da repercussão, a Câmara de Campinas tentou votar na segunda-feira (17) a abertura de um processo de cassação por quebra de decoro. A votação, no entanto, não ocorreu por falta de quórum, sendo remarcada para a quarta-feira (19). Caberá aos vereadores decidir se o caso seguirá para a Comissão de Ética, onde poderá resultar em punição severa ou até na perda do mandato.

Para especialistas em segurança e governança condominial, episódios como esse reforçam a vulnerabilidade de profissionais de portaria, que frequentemente lidam com pressões, conflitos e agressões. Além disso, levantam a necessidade de protocolos mais rígidos de proteção ao trabalhador e registro formal de incidentes para garantir responsabilização adequada.

O caso reacende discussões sobre limites da autoridade pública, violência estrutural, direitos dos trabalhadores e condutas que afetam tanto a convivência condominial quanto a integridade das instituições democráticas.

Fonte: Agora RN