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Vendas de imóveis sobem 20% em Porto Alegre

Mercado residencial vertical comercializou 390 unidades em julho, enquanto lançamentos perderam força e imóveis compactos concentraram a maior parte das vendas

Vendas de imóveis sobem 20% em Porto Alegre e estoque recua 8%
Foto: Paralaxis/iStock

O mercado residencial vertical de Porto Alegre apresentou aumento nas vendas em julho de 2026, ao mesmo tempo em que registrou redução no estoque de imóveis disponíveis. Foram comercializadas 390 unidades no mês, volume 20% superior ao registrado em junho e acima da média dos 12 meses anteriores.

Apesar do avanço no número de unidades negociadas, o Valor Geral de Vendas (VGV) apresentou comportamento diferente. As vendas movimentaram R$ 409 milhões, queda de 5,3% em relação a junho e de aproximadamente 30% na comparação com julho de 2025. O resultado indica uma participação maior de imóveis de menor valor entre as unidades comercializadas.

Imóveis compactos concentram vendas

Studios e apartamentos de um dormitório representaram 51% das unidades vendidas em julho. Entretanto, esses imóveis responderam por apenas 22% do VGV comercializado, mostrando a diferença entre o volume de unidades e o valor financeiro das transações.

Os apartamentos de três dormitórios tiveram participação menor em quantidade, representando 33% das vendas, mas concentraram cerca de 60% do VGV. A diferença demonstra que os imóveis maiores continuam exercendo forte influência sobre o valor movimentado pelo mercado.

Entre os bairros que mais contribuíram para o resultado financeiro das vendas estão Menino Deus, Higienópolis, Petrópolis e Moinhos de Vento. Juntos, os quatro concentraram 46% do VGV comercializado em julho.

Lançamentos recuam

Enquanto as vendas avançaram, o ritmo de novos lançamentos perdeu força. Em julho, foram colocadas no mercado apenas 54 unidades residenciais, com VGV de R$ 34 milhões.

O resultado representa redução de 18% no número de unidades lançadas em relação a junho. Em valor, a retração foi ainda mais expressiva, chegando a 81%.

O bairro Menino Deus liderou os lançamentos em quantidade de unidades, enquanto Bela Vista apresentou o maior volume financeiro. Considerando os 12 meses encerrados em julho, apartamentos de três e quatro dormitórios responderam por 67% do VGV dos lançamentos.

Estoque diminui 8%

Outro movimento relevante ocorreu na quantidade de imóveis disponíveis para comercialização. O estoque residencial caiu de 5.980 unidades para 5.539, uma redução de 8%.

Apesar da queda no número de imóveis, o valor financeiro correspondente ao estoque permaneceu praticamente estável, em aproximadamente R$ 8,55 bilhões.

A composição dessa oferta ajuda a explicar o comportamento. Os apartamentos de três dormitórios representam 33% das unidades disponíveis, mas concentram 58,9% do VGV do estoque. Isso significa que uma parcela relevante do valor ainda está concentrada em imóveis maiores e de maior preço.

Mercado mostra comportamentos diferentes

Os números de julho revelam que o mercado imobiliário de Porto Alegre não apresenta um movimento uniforme entre os diferentes tipos de imóveis.

De um lado, os compactos ganharam participação no volume de vendas, indicando maior absorção desse tipo de unidade. De outro, os apartamentos maiores continuam concentrando uma parcela significativa do valor financeiro disponível e comercializado.

A combinação entre aumento das vendas, redução do estoque e menor número de lançamentos também indica que parte da oferta existente está sendo absorvida sem que novos empreendimentos tenham acompanhado o mesmo ritmo durante o mês.

Reflexos para novos empreendimentos

Para incorporadoras e construtoras, o comportamento dos compradores pode influenciar decisões relacionadas ao tamanho das unidades, localização e ritmo de novos projetos.

A maior participação dos imóveis compactos nas vendas mostra uma demanda concentrada em unidades menores, enquanto a presença dos apartamentos de três dormitórios no VGV evidencia que imóveis maiores continuam relevantes para o mercado.

O cenário exige, portanto, atenção à composição da oferta. A redução do estoque não significa necessariamente que todos os segmentos estejam apresentando o mesmo nível de procura, já que os dados mostram diferenças importantes entre quantidade de unidades comercializadas e valor movimentado.

Porto Alegre mantém oferta de imóveis maiores

Mesmo com a redução geral do estoque, os apartamentos de três dormitórios permanecem com participação expressiva na oferta da capital gaúcha.

Essas unidades correspondem a aproximadamente um terço do estoque em quantidade, mas representam quase 59% do valor disponível. A concentração demonstra que o mercado ainda possui um volume financeiro significativo associado aos imóveis de maior porte.

O comportamento também ajuda a compreender por que a redução de 8% no número de unidades não resultou em queda equivalente no valor total do estoque.

Indicadores ajudam a acompanhar o mercado

Os dados de julho fazem parte do Panorama do Mercado Imobiliário de Porto Alegre, levantamento elaborado mensalmente pelo Sinduscon-RS em parceria com a Alphaplan e a Órulo.

O acompanhamento conjunto de vendas, lançamentos e estoque permite observar não apenas quantos imóveis estão sendo comercializados, mas também quais tipos de unidades concentram a demanda e o valor financeiro das operações.

Para o mercado condominial, esse acompanhamento também é relevante porque mudanças no perfil dos empreendimentos podem refletir na quantidade de unidades, nas características das áreas comuns, nos custos de manutenção e no planejamento da gestão.

Cenário combina vendas maiores e oferta nova mais restrita

O desempenho de julho mostra um mercado com maior volume de vendas, estoque menor e ritmo reduzido de lançamentos.

As 390 unidades comercializadas representam crescimento de 20% sobre junho, enquanto o estoque recuou 8%. Ao mesmo tempo, os lançamentos ficaram em 54 unidades, com forte redução do VGV em relação ao mês anterior.

O resultado evidencia uma dinâmica marcada pela absorção de parte da oferta existente, especialmente entre imóveis compactos, enquanto apartamentos maiores continuam concentrando parcela relevante do valor financeiro disponível em Porto Alegre.

Fonte: Portas