Um terço não tem dinheiro para entrada de imóvel popular
Pesquisa da Morada.ai aponta que 31% dos potenciais compradores não têm recursos para a entrada, enquanto o valor mediano disponível entre quem possui alguma reserva equivale a apenas 1,3% do preço do imóvel.

Um terço dos interessados em imóveis populares não tem dinheiro para entrada
Levantamento mostra que 31% dos potenciais compradores não possuem recursos para essa etapa; entre quem tem alguma reserva, o valor mediano equivale a apenas 1,3% do preço do imóvel
A falta de dinheiro para dar entrada é uma das barreiras enfrentadas por brasileiros que desejam comprar um imóvel popular. Um levantamento com simulações de financiamento realizado aponta que 31% dos interessados não possuem nenhum recurso disponível para essa etapa da compra.
Entre aqueles que têm alguma reserva financeira, o valor mediano corresponde a apenas 1,3% do preço do imóvel. Os dados foram divulgados pelo Valor Econômico em 18 de outubro de 2026 e evidenciam a distância entre a intenção de adquirir a casa própria e a capacidade financeira necessária para concretizar o negócio.
Entrada representa obstáculo para a compra
O levantamento considera imóveis com preço médio de R$ 298 mil. Nesse cenário, o valor mediano disponível para a entrada é de aproximadamente R$ 3.874, quantia significativamente inferior aos 20% do preço do imóvel utilizados como referência na comparação apresentada pela pesquisa.
Apenas 3,1% dos interessados possuem recursos equivalentes a pelo menos 20% do valor da unidade. Isso indica que a maioria dos potenciais compradores precisa buscar alternativas para complementar a quantia inicial.
A entrada exigida, no entanto, não é igual em todas as operações. O valor depende das condições do financiamento, da renda familiar, dos subsídios disponíveis e das regras estabelecidas pela instituição financeira.
Mesmo quando a renda permite assumir as prestações mensais, a falta de recursos para o pagamento inicial pode dificultar a aprovação do crédito ou impedir a conclusão da compra.
Preço dos imóveis pesa no orçamento familiar
A pesquisa também indica que o preço do imóvel equivale a 5,7 anos da renda do comprador, sem considerar os juros. O indicador ajuda a dimensionar o esforço financeiro necessário para adquirir uma unidade habitacional.
Na prática, além de reunir o dinheiro para a entrada, o comprador precisa avaliar sua capacidade de arcar com as parcelas do financiamento e outras despesas relacionadas à aquisição, como documentação e custos cartorários.
Essa combinação torna o planejamento financeiro uma etapa importante para quem pretende sair do aluguel e adquirir um imóvel.
Incorporadoras buscam alternativas para viabilizar vendas
Uma das alternativas utilizadas no mercado é o chamado pró-soluto, mecanismo pelo qual a incorporadora financia diretamente parte do valor que o comprador precisa pagar, complementando os recursos necessários para a aquisição.
A modalidade pode facilitar a negociação, mas também exige atenção ao orçamento. Durante a construção, o comprador pode precisar conciliar os pagamentos previstos no contrato com outras despesas e, posteriormente, assumir o financiamento bancário.
O risco de inadimplência também influencia as decisões das empresas. Segundo informações repercutidas pelo setor, a incorporadora Tenda reduziu de 10% para 7% o patamar de pró-soluto pós-chave, em um contexto de preocupação com a inadimplência e de mudanças nas exigências de crédito.
Subsídios habitacionais podem ajudar
Programas habitacionais, como o Minha Casa, Minha Vida, e iniciativas estaduais podem contribuir para reduzir o valor necessário à compra, de acordo com as regras de elegibilidade e as condições de cada operação.
Esses recursos, porém, não atendem necessariamente a todos os interessados nem eliminam todas as despesas envolvidas na aquisição. Por isso, a disponibilidade de subsídios, a aprovação do financiamento e a capacidade de pagamento continuam sendo fatores relevantes para a concretização do negócio.
O levantamento evidencia que o desafio de acesso à moradia não está apenas no pagamento das prestações. Para uma parcela significativa dos interessados, reunir o dinheiro inicial continua sendo um dos principais entraves para conquistar a casa própria.