Acusado dos 61 socos tenta anular processo
Defesa do acusado apresentou pedido para anular a ação penal um ano após o crime que chocou o país. Caso segue em tramitação na Justiça.

Um ano após espancar namorada com 61 socos em elevador de condomínio, acusado tenta anular processo
Um ano após um dos casos de violência contra a mulher que mais chocaram o Rio Grande do Norte, o ex-jogador de basquete Igor Eduardo Pereira Cabral tenta anular o processo criminal em que responde por tentativa de feminicídio. O crime ocorreu dentro do elevador de um condomínio na Zona Sul de Natal e teve como vítima a promotora de vendas Juliana Garcia dos Santos Soares.
A agressão, registrada pelas câmeras de segurança do edifício, aconteceu em menos de um minuto. As imagens, que mostram Juliana sendo espancada com 61 socos, repercutiram em todo o país e no exterior. Igor Cabral foi preso ainda no condomínio, antes de deixar o prédio, e permanece detido na Cadeia Pública Dinorá Simas, em Ceará-Mirim, enquanto aguarda julgamento.
Justiça mantém acusação por tentativa de feminicídio
O juízo da 1ª Vara Criminal de Natal decidiu levar o acusado a júri popular por tentativa de feminicídio, destacando a extrema violência empregada durante a agressão.
Na decisão, a Justiça ressaltou que o espancamento ocorreu em um ambiente confinado e provocou graves lesões na vítima, incluindo a desfiguração da estrutura óssea da face e sequelas neurológicas permanentes, evidenciando a elevada gravidade da conduta e a periculosidade do acusado.
O processo tramita sob sigilo e ainda está na fase de recursos. Segundo o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN), o julgamento somente poderá ser marcado após o esgotamento dos recursos contra a decisão de pronúncia.
Defesa tenta anular o processo
Antes de pedir a anulação da ação penal, a defesa tentou desclassificar a acusação de tentativa de feminicídio para lesão corporal, argumentando que, embora graves, as lesões não teriam colocado a vítima em risco imediato de morte.
O pedido foi rejeitado pela 1ª Vara Criminal. Na decisão, o magistrado entendeu que os diversos golpes direcionados à cabeça e ao rosto da vítima, inclusive com o acusado utilizando a barra do elevador para aumentar a força dos socos, impedem o afastamento da hipótese de intenção homicida.
Após essa negativa, a defesa apresentou recurso ao Tribunal de Justiça alegando suposta irregularidade processual. Os advogados sustentam que houve falha porque a assistente de acusação teria recebido prazo para apresentar alegações finais após a manifestação da defesa.
Em resposta ao TJRN, o juízo da 1ª Vara Criminal esclareceu que a assistente de acusação sequer apresentou alegações finais e que a defesa teria oportunidade de ratificar ou complementar seus argumentos caso houvesse manifestação. O recurso será analisado pela Câmara Criminal.
Acusado pediu perdão em nota
Em agosto do ano passado, já preso, Igor Cabral divulgou uma nota pública por meio de seu advogado, na qual pediu perdão pelos fatos.
No comunicado, afirmou não ter intenção de justificar a agressão e declarou desejar que Juliana encontrasse força para seguir em frente. Também afirmou enfrentar o momento com humildade e esperança de que todas as partes envolvidas encontrem caminhos de reflexão e recomeço.
Vítima transforma experiência em atuação política
Um ano após sobreviver ao ataque, Juliana Garcia anunciou sua candidatura a uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte pelo Partido dos Trabalhadores (PT).
Em publicações nas redes sociais, ela afirmou que pretende defender políticas públicas voltadas à autonomia feminina, incentivando a qualificação profissional e a independência financeira das mulheres para que possam romper ciclos de violência e permanecer apenas em ambientes seguros.
A proposta, segundo Juliana, é transformar a experiência como sobrevivente da violência em uma atuação política voltada à proteção dos direitos das mulheres e ao fortalecimento das políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero.
Fonte: B News RN