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“Turismo de assalto” mira condomínios de luxo

Criminosos viajam para cidades como Cuiabá, monitoram imóveis e exploram falhas de segurança; investigação aponta uso de drones e redes sociais para escolher alvos

“Turismo de assalto”: quadrilhas saem de SP para invadir condomínios de luxo em outras cidades
Foto: Foto: Reprodução

Criminosos viajam para outras cidades, monitoram imóveis e exploram possíveis falhas de segurança para furtar apartamentos de alto padrão

Quadrilhas especializadas em furtos de apartamentos de luxo estariam adotando uma estratégia conhecida como “turismo de assalto”, na qual criminosos deixam São Paulo para atuar em outras cidades do país. A prática foi detalhada em reportagem exibida pelo Jornal da Record, do R7, nesta quinta-feira (3).

Segundo a reportagem, os grupos viajam de carro até cidades consideradas mais vulneráveis, escolhem os alvos e, após os crimes, retornam para São Paulo. Cuiabá (MT) aparece entre os municípios atingidos pela estratégia. Uma quadrilha apontada como responsável por crimes desse tipo foi presa na terça-feira (2), em São Paulo.

Investigação começou após furto de R$ 300 mil

A investigação teve início após um furto registrado em abril de 2025, que provocou um prejuízo estimado em R$ 300 mil. De acordo com a polícia, os criminosos identificam previamente os imóveis e analisam o período em que os moradores estarão fora para executar as invasões.

O especialista em segurança Alan Fernandes explicou à reportagem que a estratégia pode ser considerada vantajosa pelos criminosos porque eles encontram, em determinadas cidades, uma combinação de patrimônio elevado e menor vigilância.

Criminosos monitoram rotina de moradores

A atuação das quadrilhas envolve uma etapa de levantamento antes da invasão. Segundo o delegado Luiz Felipe Leoni, os integrantes são jovens e fazem pesquisas para identificar imóveis e verificar por quanto tempo os moradores permanecerão fora das residências.

A prática também foi identificada em cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Goiânia. Em alguns casos, os criminosos utilizariam drones para sobrevoar condomínios, observar os sistemas de segurança e identificar possíveis vulnerabilidades.

As redes sociais também podem ser utilizadas durante esse processo. Conforme a polícia, informações publicadas pelos próprios moradores podem ajudar os criminosos a identificar patrimônio e descobrir períodos em que os imóveis permanecem vazios.

Operação cumpriu 20 ordens judiciais

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou a Operação Sacrilegium contra o grupo investigado. Ao todo, foram cumpridas 20 ordens judiciais, incluindo mandados de busca, prisão e internação de adolescente.

A investigação aponta que a organização possuía divisão de tarefas e mantinha troca de informações em tempo real entre os envolvidos. As autoridades ainda trabalham para identificar outros possíveis integrantes e localizar bens que teriam sido furtados.

Segurança condominial exige prevenção

O avanço desse tipo de estratégia reforça a necessidade de os condomínios manterem protocolos de segurança atualizados. O controle de acesso, o monitoramento das áreas externas, a proteção do perímetro e a atenção a movimentações suspeitas são medidas que podem contribuir para reduzir vulnerabilidades.

Para síndicos e administradoras, a prevenção também passa pela avaliação periódica dos procedimentos adotados por funcionários, empresas terceirizadas e equipes de portaria e segurança.

Outro ponto de atenção é a exposição de informações nas redes sociais. A divulgação de viagens, períodos prolongados fora de casa, imagens da residência e detalhes sobre patrimônio pode fornecer informações relevantes para criminosos que realizam levantamentos prévios.

O caso investigado pela Polícia Civil de Mato Grosso mostra que a segurança dos condomínios não depende apenas de equipamentos, mas também de procedimentos, treinamento e conscientização dos moradores.

A investigação continua para esclarecer a participação de outros suspeitos e recuperar os bens relacionados aos crimes.

Fonte: R7