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Ticket médio de imóveis usados em Curitiba passa de R$ 500 mil e Centro lidera procura

Levantamento do Inpespar aponta alta nos valores e 4.413 guias de ITBI pagas em julho, maior volume registrado desde agosto de 2021

Ticket médio de imóveis usados em Curitiba passa de R$ 500 mil e Centro lidera procura

O mercado de imóveis usados manteve desempenho positivo em Curitiba em julho de 2026. Segundo levantamento do Instituto Paranaense de Pesquisa e Desenvolvimento do Mercado Imobiliário e Condominial (Inpespar), ligado ao Secovi-PR, o ticket médio de venda na capital chegou a R$ 511 mil, considerando imóveis residenciais, comerciais e terrenos.

O valor ficou 4,9% acima do registrado no mesmo mês de 2025 e permaneceu acima da marca de R$ 500 mil. O resultado ocorre após o mercado ter registrado, em junho, o maior ticket médio da série histórica, iniciada em 2015.

No segmento exclusivamente residencial, o ticket médio alcançou R$ 491 mil em julho, representando alta de 7,5% na comparação anual. No acumulado trimestral, o valor médio das unidades ficou em R$ 502 mil, com crescimento de 7,9% em relação ao mesmo período de 2025.

ITBI registra maior volume desde 2021

Outro indicador apontado pelo levantamento foi a quantidade de guias de ITBI pagas em julho. Foram registradas 4.413 guias, o maior volume desde agosto de 2021.

O número representa aumento de 16,2% em relação a junho de 2026 e crescimento de 15,3% na comparação com julho do ano anterior. O indicador é utilizado como uma referência para acompanhar o volume de transações imobiliárias efetivamente formalizadas na cidade.

Para Luiz Fernando Martins Alves, presidente do Inpespar, os dados das imobiliárias e da Prefeitura indicam continuidade do movimento positivo no mercado da capital paranaense. O dirigente também avaliou que a aquisição de imóveis permanece entre as alternativas consideradas por compradores e investidores.

Financiamento representa 69% das negociações

Entre as modalidades utilizadas pelos compradores, o financiamento respondeu por aproximadamente 69% das negociações realizadas em julho. O percentual permaneceu próximo do registrado anteriormente e foi considerado pelo setor um indicador de estabilidade na composição das vendas.

A presença predominante do financiamento também demonstra a importância das condições de crédito para o comportamento do mercado de imóveis usados, especialmente em um cenário no qual o valor médio das unidades permanece elevado.

Centro lidera procura por imóveis residenciais

A localização continua sendo um dos principais fatores considerados por quem busca um imóvel usado em Curitiba. Em julho, o Centro concentrou 9,4% das negociações residenciais realizadas na cidade e manteve a liderança entre os bairros procurados pelos compradores.

Na sequência aparecem Boqueirão e CIC, empatados com 6,4% das negociações cada. Água Verde e Bigorrilho registraram 4,1% cada, enquanto Alto Boqueirão e Portão concentraram 3,5% cada.

A distribuição mostra que a procura não está concentrada exclusivamente nas regiões tradicionalmente associadas aos imóveis de maior valor. Bairros com diferentes características urbanas e faixas de preço também aparecem entre os principais destinos das compras.

Apartamentos de quatro dormitórios ganham espaço

Entre os tipos de imóveis residenciais, os apartamentos de quatro dormitórios apresentaram avanço de 2,4 pontos percentuais na relação entre oferta disponível e unidades comercializadas.

Ao final de julho, esse segmento representava 2,4% da oferta comercializada no período. O resultado indica maior movimentação justamente em uma categoria que atende, em geral, famílias que buscam unidades com maior número de quartos e área privativa.

No mercado comercial, as lojas também apresentaram avanço na relação entre vendas e estoque disponível, com alta de 1,2 ponto percentual. Já os barracões tiveram crescimento de 4,3 pontos percentuais nesse indicador.

Mercado de usados mantém relevância

O desempenho de julho reforça a presença dos imóveis usados no mercado imobiliário de Curitiba. Além dos valores médios, a quantidade de transações formalizadas e a distribuição das negociações entre diferentes bairros ajudam a demonstrar o comportamento da demanda na capital.

Para quem acompanha o setor condominial, a movimentação também tem reflexos na dinâmica dos edifícios residenciais. A entrada de novos proprietários pode alterar o perfil de ocupação dos empreendimentos e ampliar a demanda por serviços relacionados à administração, manutenção e gestão das áreas comuns.

O desempenho dos bairros também evidencia a influência da localização sobre a procura. O Centro, que já havia aparecido na liderança em levantamentos anteriores, voltou a concentrar a maior parcela das negociações residenciais em julho. Em junho, por exemplo, o bairro havia respondido por 7% das compras, seguido por Boqueirão, Água Verde, Cristo Rei e Portão.

Os dados de julho, portanto, mostram um mercado de imóveis usados com valores ainda elevados e volume relevante de transações. Com ticket médio acima de R$ 500 mil no conjunto do mercado e crescimento no segmento residencial, Curitiba mantém um cenário de movimentação tanto para compradores quanto para vendedores.

A evolução das negociações, o comportamento do financiamento e a procura concentrada em determinados bairros seguem como indicadores importantes para compreender os rumos do mercado imobiliário e, consequentemente, os impactos sobre o segmento condominial da capital paranaense.