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Tenda amplia projetos nas faixas mais altas do Minha Casa, Minha Vida

Movimento acompanha expansão do programa habitacional e maior participação das faixas de renda intermediária no mercado imobiliário

Tenda amplia projetos nas faixas mais altas do Minha Casa, Minha Vida

A Construtora Tenda está ampliando sua atuação nas faixas de renda mais altas do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), movimento que acompanha a expansão do programa habitacional e as mudanças recentes nas condições de financiamento.

A estratégia ocorre em um momento de forte crescimento da participação do MCMV no mercado imobiliário brasileiro. Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) mostram que, no segundo trimestre de 2026, o programa respondeu por 58% dos lançamentos residenciais no país, o maior percentual registrado desde o início da série histórica, em 2019.

A expansão para faixas superiores amplia o público potencial das incorporadoras e acompanha a atualização dos limites de renda e dos valores dos imóveis enquadrados no programa. Com essas mudanças, o MCMV passou a alcançar uma parcela mais ampla das famílias brasileiras.

Programa amplia espaço no mercado imobiliário

O avanço do MCMV deixou de estar concentrado apenas nos empreendimentos destinados às famílias de menor renda. Incorporadoras que tradicionalmente atuavam nos segmentos econômico, médio e até alto padrão também passaram a direcionar projetos para o programa.

A movimentação ocorre em um cenário no qual os juros elevados dificultam o acesso ao financiamento convencional para parte da classe média. Ao mesmo tempo, as condições associadas ao MCMV, incluindo recursos do FGTS e taxas diferenciadas, mantêm maior capacidade de compra para os consumidores enquadrados no programa.

No segundo trimestre de 2026, foram lançadas 107.161 unidades residenciais no país. Desse total, 62.129 unidades estavam enquadradas no Minha Casa, Minha Vida, correspondendo a 58% dos lançamentos. As vendas também mostraram a força do segmento, com 58.392 unidades do programa comercializadas no período.

Faixas superiores ampliam o mercado atendido

A estratégia da Tenda ocorre dentro de um processo de ampliação do mercado potencial do programa. As alterações implementadas nos últimos anos elevaram os limites de preço dos imóveis e ampliaram as possibilidades de financiamento para diferentes faixas de renda.

Em documentos corporativos, a Tenda já havia destacado que as mudanças no programa aumentaram os tetos de preços e os subsídios, além de reduzir taxas de financiamento e ampliar os prazos. Na estrutura anterior às novas atualizações, por exemplo, os limites de preço haviam passado de R$ 160 mil para R$ 264 mil nas Faixas 1 e 2 e de R$ 264 mil para R$ 350 mil na Faixa 3.

A ampliação dos limites permite que as incorporadoras desenvolvam produtos voltados a consumidores com maior capacidade de financiamento sem necessariamente deixar o ambiente do programa habitacional.

Incorporadoras diversificam atuação

A Tenda não é a única empresa a rever sua estratégia. Outras incorporadoras tradicionalmente associadas ao médio e alto padrão também vêm aumentando a exposição ao MCMV.

A Cyrela, por meio da marca Vivaz, elevou a participação do programa em seus lançamentos de 10% em 2023 para 29% em 2025. A Eztec anunciou a retomada de lançamentos dentro do programa, enquanto a Melnick criou uma marca voltada ao segmento econômico. No Nordeste, a Moura Dubeux firmou uma parceria com a Direcional para atuar no segmento em cidades como Recife, Fortaleza, Natal e Salvador.

Esse movimento demonstra uma mudança na estratégia das empresas diante das condições de crédito. Enquanto o financiamento tradicional enfrenta o impacto das taxas de juros elevadas, o segmento habitacional subsidiado apresenta mecanismos próprios que sustentam parte da demanda.

Crédito influencia decisões das incorporadoras

O comportamento do crédito tem papel importante nessa mudança. No primeiro semestre de 2026, os financiamentos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) destinados à aquisição e construção somaram R$ 93,7 bilhões, alta de 29% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O crédito destinado especificamente à construção chegou a R$ 26,5 bilhões, crescimento de 107% na comparação anual. Os dados mostram a movimentação das empresas para viabilizar novos empreendimentos mesmo em um ambiente de juros elevados.

Para as incorporadoras, a expansão do MCMV também representa uma alternativa para diversificar o portfólio e alcançar consumidores que permanecem ativos no mercado imobiliário apesar das dificuldades encontradas no financiamento convencional.

Impactos sobre novos empreendimentos

A maior participação do programa tende a influenciar não apenas o volume de lançamentos, mas também o perfil dos empreendimentos construídos pelas incorporadoras.

A busca por terrenos, definição de plantas, número de unidades, localização e estrutura dos condomínios passam a considerar um público mais amplo dentro das regras habitacionais. A escala também ganha relevância, já que projetos destinados ao segmento econômico dependem de eficiência construtiva e controle de custos para manter os imóveis dentro dos limites de enquadramento.

A própria Tenda possui histórico de atuação concentrado na habitação popular e utiliza processos industrializados de construção como parte de sua estratégia operacional.

Para o mercado condominial, o crescimento desses empreendimentos também representa aumento da quantidade de novos condomínios residenciais, com impactos futuros sobre administração, manutenção, segurança, áreas comuns e gestão financeira.

Nordeste mantém participação relevante

O movimento ganha importância adicional no Nordeste, onde o Minha Casa, Minha Vida possui participação expressiva nos lançamentos. No segundo trimestre de 2026, o programa representou 60% dos lançamentos imobiliários da região, segundo dados apresentados pela CBIC.

O desempenho regional acompanha o avanço geral do mercado. No período, os lançamentos imobiliários nordestinos cresceram 24,6% em relação ao segundo trimestre de 2025, enquanto as vendas de imóveis residenciais novos avançaram 13,6%.

O cenário coloca o Nordeste entre os mercados em que a habitação econômica exerce influência significativa sobre o comportamento das incorporadoras e sobre a formação de novos estoques residenciais.

Um novo perfil para o mercado habitacional

A expansão da Tenda para faixas mais altas do Minha Casa, Minha Vida ocorre, portanto, em meio a uma transformação na composição do mercado imobiliário brasileiro. O programa passou a representar uma parcela majoritária dos lançamentos nacionais, enquanto empresas de diferentes perfis ampliam sua presença nesse segmento.

A tendência também evidencia como as condições de crédito, os limites de financiamento e as políticas habitacionais influenciam diretamente as estratégias das incorporadoras. Com um público maior dentro do programa, novos projetos podem ser direcionados a famílias que anteriormente estavam entre a habitação popular e o mercado convencional.

Para o setor imobiliário, o movimento reforça a importância de acompanhar as mudanças nas regras do programa, no comportamento do crédito e na demanda regional. Para os condomínios, o aumento da oferta de empreendimentos enquadrados no MCMV significa também a chegada de novos projetos residenciais e de diferentes modelos de ocupação ao mercado.