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Taxa de condomínio pesa no bolso dos capixabas

Alta da cobrança condominial pressiona o orçamento das famílias capixabas e reforça a importância de planejamento, transparência e controle das despesas

Taxas condominiais sobem acima da inflação e preocupam moradores no Espírito Santo
Foto: Imagem ilustrativa

O aumento das taxas condominiais vem ganhando espaço entre as preocupações de moradores do Espírito Santo. O avanço da cobrança acima da inflação tem elevado o custo de manutenção dos imóveis e pressionado o orçamento de famílias que vivem em condomínios residenciais.

Segundo dados do Índice Superlógica divulgados em março de 2026, a taxa condominial no Espírito Santo encerrou 2025 com alta de 7,75%, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), utilizado como referência oficial da inflação, registrou 4,26% no mesmo período. O reajuste dos condomínios ficou, portanto, 81,9% acima da inflação.

O levantamento aponta ainda que o valor médio mensal da taxa condominial no estado chegou a R$ 725. Mantido esse patamar ao longo de 12 meses, o desembolso anual de um morador pode alcançar aproximadamente R$ 8,7 mil apenas com o condomínio.

A elevação dos custos não ocorre de forma isolada. A manutenção da estrutura dos edifícios envolve despesas com funcionários, contratos de prestação de serviços, manutenção preventiva e corretiva, limpeza, segurança, tecnologia, energia e demais itens necessários ao funcionamento das áreas comuns.

De acordo com João Baroni, diretor de Crédito do Grupo Superlógica, a alta acima da inflação está relacionada a uma combinação de fatores, entre eles os juros elevados, que encarecem contratos e serviços, a inflação sobre produtos e serviços e o aumento dos custos operacionais. Folha de pagamento, tecnologia e segurança estão entre os componentes que exercem pressão sobre o orçamento dos condomínios.

O cenário também evidencia a importância de uma gestão condominial cada vez mais profissional. A definição da taxa mensal não representa simplesmente um reajuste aplicado de forma automática, mas precisa considerar a previsão orçamentária, os contratos existentes, as necessidades de manutenção e as despesas projetadas para o período.

Nesse contexto, o planejamento financeiro se torna uma das principais ferramentas para evitar aumentos inesperados. A análise antecipada dos contratos, a negociação com fornecedores, o acompanhamento das despesas e a formação adequada de reservas podem contribuir para uma administração mais equilibrada.

A transparência também exerce papel importante nesse processo. Moradores têm interesse direto em compreender quais despesas justificam a cobrança e como os recursos arrecadados estão sendo utilizados. Por isso, a apresentação clara das contas e a participação nas assembleias são instrumentos relevantes para o acompanhamento da gestão.

O aumento da taxa condominial também pode repercutir na escolha de um imóvel. Com o condomínio representando uma parcela significativa do custo mensal de moradia, o valor da cota passa a ser um fator importante na avaliação financeira de quem pretende comprar ou alugar um apartamento.

O cenário capixaba acompanha uma tendência observada em outras regiões do país. Em 2025, a taxa condominial média brasileira apresentou alta de 6,8%, também acima da inflação medida pelo IPCA. No Espírito Santo, entretanto, o avanço de 7,75% ficou acima da média nacional.

Além do impacto direto sobre os moradores, a elevação dos custos exige atenção dos síndicos e administradoras para preservar a saúde financeira dos empreendimentos. Uma gestão baseada em planejamento, controle, prestação de contas e decisões coletivas pode ajudar a reduzir desperdícios e tornar os reajustes mais previsíveis.

O desafio, portanto, não está apenas em conter o aumento da taxa, mas em garantir que os valores arrecadados sejam suficientes para manter o condomínio funcionando adequadamente, preservar o patrimônio e atender às necessidades de segurança e manutenção sem comprometer excessivamente o orçamento dos moradores.

A preocupação registrada no Espírito Santo reforça uma realidade cada vez mais presente no mercado condominial: o custo do condomínio deixou de ser uma despesa secundária e passou a ocupar posição relevante no orçamento das famílias e na avaliação do custo total de moradia.

Fonte: G1