Taxa de condomínio sobe acima da inflação
Levantamento aponta aumento expressivo nas despesas condominiais, impulsionado por custos operacionais, enquanto cresce o número de moradores com pagamentos em atraso

Aumentos acumulados chegam a 25% nos últimos anos, pressionados por custos de mão de obra e consumo básico. Nos cartórios, número de dívidas de condôminos cresceu mais de seis vezes.
Viver em condomínio é a realidade de quase 40 milhões de brasileiros, segundo dados do último censo do IBGE. No entanto, a busca por segurança e comodidade está pesando cada vez mais no bolso. Com altas consecutivas e superiores aos índices de inflação, a taxa condominial tem se transformado em uma espécie de "segundo aluguel" para muitos proprietários.
O impacto financeiro tem sido expressivo. Um levantamento mostrou que, entre 2022 e 2025, a taxa de condomínio no Brasil sofreu um reajuste médio de cerca de 25% — um índice que supera a inflação acumulada no mesmo período. Atualmente, a média paga pelos moradores em todo o país gira em torno de R$ 516 por mês.
O médico Marcelo Brandalize é um exemplo dessa realidade. Morador de condomínio há mais de três décadas, ele viu a taxa de sua residência subir 10% apenas este ano. Apesar do peso no orçamento, ele reconhece que a infraestrutura justifica parte dos gastos.
"Tem academia aqui, tem um salão bom para fazer uma festa. Então, se busca justamente qualidade de vida, uma estrutura, e pra isso você tem que pagar."— Marcelo Brandalize, médico e morador
O que puxa o preço para cima?
O desafio de manter as contas no azul é grande. Flávio Rapp, síndico profissional que administra 10 condomínios em Curitiba, explica que a gestão financeira dos prédios tem sido testada nos últimos anos. Segundo ele, os principais vilões do orçamento não são obras ou grandes manutenções, mas sim o custo básico de operação.
"O que mais impacta na taxa de condomínio hoje é a mão de obra, serviços. São funcionários, mão de obra terceirizada ou funcionário próprio. E também a questão do consumo de água e luz, que tem aumentado frequentemente."— Flávio Rapp, síndico profissional
Inadimplência bate recorde
A consequência direta das altas seguidas nas taxas é o aumento vertiginoso da inadimplência. Com o orçamento doméstico estrangulado, muitos moradores deixam de pagar a cota condominial, transferindo o problema para a administração do prédio e para os vizinhos.
Os números refletem a gravidade da situação. Dados dos cartórios de protesto revelam que o número de dívidas de condôminos levadas a registro cresceu mais de seis vezes no último ano, em comparação com o período anterior.
Fonte: Band