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Inadimplência em condomínios atinge maior nível desde 2022

Alta acumulada das taxas pressiona orçamento das famílias e leva inadimplência a quase 12% em condomínios residenciais de todo o país

Taxa de condomínio sobe acima da inflação e inadimplência atinge maior nível desde 2022
Foto: Imagem ilustrativa

O aumento das taxas condominiais acima da inflação tem pressionado o orçamento das famílias brasileiras e contribuído para o avanço da inadimplência nos condomínios. Dados recentes mostram que o custo de manutenção dos prédios cresceu em ritmo superior ao índice inflacionário, tornando cada vez mais difícil para parte dos moradores manter os pagamentos em dia.

Segundo levantamento realizado por uma plataforma especializada na administração condominial — que gerencia quase 7 mil condomínios e mais de 620 mil moradores em todo o país —, a inadimplência das taxas condominiais com atraso superior a 30 dias chegou a quase 12% no primeiro semestre deste ano. Trata-se do maior índice registrado desde 2022.

O estudo revela ainda diferenças regionais significativas. As regiões Norte e Nordeste apresentaram índices de inadimplência acima da média nacional, enquanto o Sul registrou os menores percentuais. Apesar disso, é justamente no Sul do país que se encontra o maior valor médio da taxa condominial, que chegou a aproximadamente R$ 537. Já a taxa mais baixa foi observada na região Norte.

Desde 2022, o valor médio da taxa de condomínio aumentou cerca de 25%, enquanto a inflação acumulada no mesmo período foi de 19%. De acordo com especialistas, esse descompasso tem apertado o orçamento familiar e ampliado as dificuldades para o pagamento das despesas condominiais.

Síndicos profissionais relatam que a cobrança de moradores inadimplentes se tornou uma das tarefas mais sensíveis da gestão. Wagner, que administra 18 prédios em Belo Horizonte, destaca que o processo costuma gerar desgaste e conflitos internos.

“Ninguém gosta de ser cobrado. O estresse começa quando quem está pagando percebe que pode acabar arcando com a conta de quem não paga”, explica.

O aumento dos custos também afeta diretamente os condomínios. Contratos de prestação de serviços, manutenção predial, produtos e insumos registraram altas sucessivas, o que obriga os condomínios a reajustarem as taxas para conseguir honrar os compromissos financeiros. Com isso, muitas famílias acabam tendo que priorizar despesas consideradas essenciais, como alimentação e vestuário, deixando o condomínio em segundo plano.

Nesses casos, a negociação costuma ser o primeiro caminho. A gestão condominial geralmente busca acordos e parcelamentos para evitar medidas mais severas.

“As famílias procuram a administração para tentar uma negociação, de forma amigável, antes que a situação se agrave”, relata um gestor.

Do ponto de vista legal, a inadimplência pode trazer consequências graves. Quando o proprietário do imóvel não quita os débitos, o condomínio pode ingressar com ação judicial, que pode culminar, em último caso, no leilão do imóvel. Já no caso de inquilinos inadimplentes, o proprietário pode ajuizar uma ação de despejo.

Ainda assim, administradores e síndicos reforçam que a conciliação é sempre a prioridade.

“A gente tenta conversar com a unidade inadimplente, buscar uma negociação extrajudicial ou uma solução amigável para regularizar o valor em aberto”, afirma Marcelo, síndico que atua na gestão de conflitos financeiros em condomínios.

O cenário reforça a importância do planejamento financeiro, da transparência na gestão e do diálogo entre moradores e administração, especialmente em um contexto de aumento generalizado de custos e pressão sobre a renda das famílias brasileiras.

Fonte: G1/Jornal Nacional