Síndico que confessou matar corretora isentou moradores da taxa de condomínio no mês do desaparecimento
Administrador do condomínio em Caldas Novas (GO) concedeu “bônus” aos condôminos após o desaparecimento da corretora Daiane Alves Souza, antes de ser preso por homicídio confesso

Um episódio que uniu gestão condominial, crime e investigação policial ganhou novos desdobramentos no sul de Goiás, após a confirmação de que o síndico do Condomínio Amethist Tower isentou os moradores da taxa de condomínio relativa ao mês em que a corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, desapareceu em circunstâncias até então misteriosas. A medida, anunciada pelo próprio administrador como um “bônus” para os condôminos, ocorreu pouco antes de ele ser preso e confessar ter cometido o homicídio contra a corretora.
Segundo a Polícia Civil de Goiás, o síndico Cléber Rosa de Oliveira, de 49 anos, foi detido junto com o filho, Maicon Douglas de Oliveira, após investigações apontarem a participação dos dois na morte de Daiane, cujo corpo foi encontrado em uma área de mata a cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas no final de janeiro. O caso vinha sendo apurado desde 17 de dezembro de 2025, quando a corretora desapareceu depois de descer ao subsolo do prédio para verificar um suposto problema de energia.
As divergências entre o síndico e a vítima já vinham sendo registradas com o tempo. De acordo com relatos e documentos obtidos pela polícia, Daiane tinha registrado diversos boletins de ocorrência contra Cleber por perseguição e desentendimentos relacionados à administração das unidades e ao cumprimento de regras condominiais antes de desaparecer. Já no mês em que a corretora sumiu, o síndico divulgou aos moradores a decisão de isentar a taxa condominial daquele mês, justificando como um “benefício”, mesmo sem relação administrativa óbvia com os fatos que se desencadearam em torno do desaparecimento.
A investigação policial passou a ser tratada como homicídio doloso após a localização do corpo da vítima, confirmada por exame de DNA pela Polícia Científica de Goiás. Cléber teria levado a polícia até o local onde descartou o corpo. O delegado responsável pela apuração considerou o histórico de conflitos e circunstâncias do crime — que teria durado poucos minutos, conforme reconstrução da dinâmica — como fatores que motivaram a prisão e a confissão.
O caso expõe não apenas uma tragédia pessoal, mas também levanta reflexões sobre o papel do síndico, a convivência dentro de condomínios e os mecanismos de segurança condominial e proteção de moradores e profissionais que atuam nesses ambientes residenciais. Especialistas em direito condominial e segurança predial reforçam que a atuação administrativa deve ser pautada por transparência, respeito às normas legais e garantia de proteção a todos os usuários dos espaços coletivos, sob pena de graves consequências jurídicas e sociais.
Fonte: G1