Síndico relata medo de moradores em condomínio
Responsável pelo condomínio afirma que vizinhos evitavam registrar reclamações por receio de retaliações; militar segue preso suspeito de matar a companheira

O síndico do condomínio onde moravam a capitã da Polícia Militar de Minas Gerais Michele Leão Azevedo, de 41 anos, e o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos, afirmou que os moradores conviviam com um clima constante de apreensão devido ao comportamento do militar. Eduardo está preso preventivamente e é o principal suspeito de matar a companheira dentro do apartamento do casal, em Belo Horizonte.
Segundo o síndico Dirceu de Oliveira, Michele era uma moradora comunicativa e mantinha bom relacionamento com a vizinhança. Já o sargento despertava medo entre os condôminos por causa de sua postura considerada agressiva.
Moradores evitavam até encontrá-lo no elevador
De acordo com o relato do síndico, muitos moradores evitavam registrar reclamações formais no livro de ocorrências do condomínio por receio de sofrer represálias.
Ele afirmou que, quando algum condômino publicava críticas ao comportamento do militar no grupo de moradores, havia pressão para que a mensagem fosse apagada. O clima de intimidação era tão intenso que alguns vizinhos tinham medo até de encontrá-lo no elevador.
Brigas e festas geravam reclamações
Ainda segundo o síndico, eram frequentes as reclamações relacionadas ao som alto e às festas promovidas no apartamento do casal. Moradores também relatavam ouvir gritos, discussões e barulhos de móveis, mas evitavam denunciar oficialmente por se tratar de dois policiais militares.
O responsável pelo condomínio afirmou que houve tentativas de ajudar a capitã, mas que a situação era delicada devido à posição ocupada pelo casal.
Caso segue sob investigação
O sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira teve a prisão preventiva decretada e permanece detido enquanto a Polícia Civil apura as circunstâncias da morte da capitã Michele Leão Azevedo.
O caso provocou grande repercussão e reacendeu o debate sobre violência doméstica, segurança em condomínios e a importância de mecanismos para que moradores possam denunciar situações de risco sem medo de retaliações.
Fonte: O Tempo