Síndico reconduzido por Justiça após protestos em condomínio
Decisão liminar da 3ª Vara Cível considerou irregular assembleia que destituiu gestor no Condomínio Torres do Mirante, restabelecendo administração após conflitos internos

Em meio a uma disputa interna que ganhou destaque entre moradores, o síndico do Condomínio Residencial Torres do Mirante, em Anápolis (GO), foi reconduzido ao cargo por decisão liminar proferida pela 3ª Vara Cível da comarca, nesta sexta-feira (20). A medida decorre da declaração de irregularidade da assembleia que, em 16 de fevereiro, reorganizou a administração condominial e havia afastado temporariamente o gestor.
A assembleia questionada foi considerada nula pela Justiça em razão de vícios formais, entre eles a participação de condôminos inadimplentes e a eleição por procuração para um cargo considerado personalíssimo, além de descumprimento de decisões judiciais anteriores. O despacho ainda apontou que, após renúncias coletivas registradas no início do mês, o condomínio ficou sem administração efetiva, o que configurou um quadro de vacância administrativa.
O empresário do agronegócio Randerson Aguiar, que já ocupava o cargo de síndico e havia anunciado sua renúncia no dia 5 de fevereiro após protestos de moradores, voltou às funções administrativas do condomínio. Os protestos surgiram em meio a acusações de que a atual gestão teria acumulado dívida superior a R$ 800 mil e promovido supostos desvios de recursos. Aguiar nega as acusações, destacando que as contas de gestões anteriores foram aprovadas em assembleias regularmente convocadas.
Em declaração à imprensa, o síndico afirmou inicialmente não ter intenção de retornar ao cargo, mas reconsiderou diante do cenário de instabilidade e ausência de administração eficaz. “Eu não ia voltar. Mas, diante de tantas irregularidades, até como morador, não poderia aceitar”, disse. Ele acrescentou que a situação de falta de gestão prejudicou a capacidade de pagamento de contas e a contratação de serviços essenciais ao condomínio.
A decisão liminar restabelece a administração anterior até que a questão seja definitivamente resolvida no âmbito judicial. O mandato de Aguiar estava previsto para terminar em 28 de fevereiro de 2026, e a disputa sobre a administração segue em tramitação nas instâncias competentes.
Especialistas em direito condominial apontam que decisões judiciais como essa — que suspendem deliberações assembleares — costumam ocorrer quando há indícios de irregularidades no processo de convocação ou condução dos atos, o que pode gerar insegurança jurídica entre os moradores e desestabilizar a governança condominial se não houver transparência e observância às normas.
Fonte: Diário do Munícipio