Noticias

Secovi-SP lança consórcios para robotizar obras e usar IA

Iniciativa reúne construtoras e incorporadoras para testar soluções tecnológicas voltadas à produtividade nos canteiros, à automação de notas fiscais e ao uso seguro da inteligência artificial

secovi-rebotica-ia.webp
Iniciativa do SecoviTech SP, apresentada em reunião da vice-presidência de Empreendedorismo e Inovação, reúne construtoras e incorporadoras em torno de três problemas comuns ao setor, com provas de conceito previstas até o primeiro semestre de 2027 · Foto: Reprodução/Secovi-SP

Secovi-SP lança consórcios para robotizar obras e ampliar uso de inteligência artificial

Iniciativa reúne construtoras e incorporadoras para testar soluções tecnológicas voltadas à produtividade nos canteiros, à automação de notas fiscais e ao uso seguro da inteligência artificial

O Secovi-SP lançou três Consórcios de Inovação do SecoviTech SP para desenvolver e testar soluções tecnológicas voltadas a desafios comuns da construção civil e do mercado imobiliário. As frentes de trabalho abrangem a robotização de canteiros de obras, a automação do lançamento e pagamento de notas fiscais e a adoção segura da inteligência artificial (IA) nas empresas.

O lançamento ocorreu em 20 de outubro, durante reunião executiva da vice-presidência de Empreendedorismo e Inovação da entidade, em São Paulo. O programa reúne construtoras, incorporadoras e parceiros especializados com o objetivo de compartilhar experiências, testar tecnologias e buscar soluções para problemas identificados em entrevistas com empresas associadas.

Participaram do encontro representantes de empresas como Cury, Benx/Even, Grupo ADN, Grupo HTB, Engeform e Patrimar. As provas de conceito serão realizadas em diferentes etapas, com iniciativas previstas entre o fim de 2026 e o primeiro semestre de 2027.

SecoviTech SP aposta na colaboração entre empresas

A proposta dos consórcios é aproximar empresas tradicionais do setor imobiliário do ecossistema de inovação. Em vez de desenvolver projetos isoladamente, as organizações participantes compartilham desafios e avaliam alternativas tecnológicas que possam ser aplicadas em diferentes negócios.

O vice-presidente de Empreendedorismo e Inovação do Secovi-SP, Rodrigo Abrahão, afirmou que a entidade utiliza a própria estrutura para testar soluções antes de incentivar sua adoção pelo mercado. Ele também destacou que o Movimento Secovi premiou 34 startups ao longo de dez anos e que o setor precisa ampliar a participação das empresas tradicionais nos processos de inovação.

Segundo o coordenador da vice-presidência, Marcus Sarkis, o diagnóstico que levou à criação do programa identificou pouca colaboração entre empresas e falta de iniciativas coletivas para discutir inovação. A proposta é aproveitar a capacidade de articulação institucional do Secovi-SP para reunir organizações, fornecedores e especialistas em torno de problemas concretos.

Os consórcios seguem um fluxo de seis etapas, desde o mapeamento do problema e a definição do escopo até a decisão de ampliar ou encerrar a solução testada. A entidade atua na coordenação dos participantes, no acompanhamento das principais entregas e na aproximação com fornecedores, enquanto as empresas contribuem com conhecimento, recursos e capacidade de decisão.

Robotização de canteiros busca elevar produtividade

A primeira frente de trabalho busca testar tecnologias capazes de aumentar a produtividade nos canteiros de obras e reduzir atividades manuais. A iniciativa considera a escassez de mão de obra qualificada e a necessidade de encontrar alternativas para executar tarefas com maior eficiência.

Participam desse consórcio empresas como MPD Engenharia, ADN Construtora, Engeform, HTB Engenharia e Patrimar. Entre os parceiros estão o Hubic-USP, o Senai Cimatec, o NovoLab, de São Carlos, o Canteiro Innovation Hub, ligado ao Parque de Inovação Tecnológica de São José dos Campos, e o TijoloHub.

As provas de conceito estão previstas para o primeiro semestre de 2027. O planejamento também inclui uma missão técnica à China, com visitas relacionadas a eventos como a Bauma e a Canton Fair, para conhecer tecnologias e avaliar soluções que possam ser adaptadas à realidade brasileira.

Representantes das empresas participantes ressaltaram que a robotização não deve ser vista como uma resposta imediata à falta de profissionais, mas como uma transformação que exige planejamento, testes e aprendizado. A atuação conjunta pode facilitar a identificação de soluções e acelerar a avaliação de sua viabilidade em campo.

A iniciativa também pretende aproximar a construção civil de tecnologias já utilizadas em outros segmentos industriais. Segundo Rodrigo Abrahão, o Senai Cimatec possui experiência com robótica em áreas como petróleo e gás, e a intenção é avaliar como parte desse conhecimento pode ser adaptada às necessidades do setor.

Automação de notas fiscais pretende reduzir custos e retrabalho

A segunda frente aborda os atrasos e erros no lançamento e no pagamento de notas fiscais de obras. Embora pareça uma atividade administrativa rotineira, o processo pode gerar custos adicionais com juros e multas, além de retrabalho e dificuldades de controle financeiro.

A gerente de Planejamento e Custo da Conx, Alessandra Silva, relatou que a empresa já chegou a gastar R$ 50 mil em um único mês com juros e multas relacionados a esse tipo de ineficiência. Segundo ela, o problema nem sempre decorre de uma decisão deliberada de deixar de lançar uma nota, mas de falhas nos processos e na integração entre as etapas administrativas.

A empresa já utiliza um robô de automação de processos, que não é baseado em inteligência artificial, e estuda a aplicação de IA para leitura de notas fiscais. Paralelamente, trabalha na reorganização dos processos de orçamento e planejamento das obras.

O consórcio também reúne empresas como Trisul, Conx, MBigucci e Luciano Verthein, com o Cubo Itaú como parceiro. A proposta é avaliar uma solução que possa se integrar a diferentes sistemas de gestão empresarial, conhecidos como ERPs, e reduzir a necessidade de inserir manualmente os mesmos dados em plataformas distintas.

O trabalho busca diminuir erros de digitação, atrasos, conferências repetidas e outros procedimentos que consomem tempo das equipes administrativas. A prova de conceito está prevista até fevereiro de 2027, e um Innovation Day no Cubo deve apresentar soluções aos participantes.

A discussão também considera os efeitos da reforma tributária. Além de registrar e pagar documentos fiscais corretamente, as empresas precisarão acompanhar créditos e débitos tributários, o que aumenta a importância de processos organizados e de informações confiáveis.

Uso corporativo de IA exige governança e capacitação

A terceira frente pretende apoiar a adoção segura e mensurável da inteligência artificial nas empresas. O consórcio reúne MBigucci, Archigreen e Lello, com participação dos parceiros Tera, InMetrics e Copilot Microsoft 365.

O grupo pretende desenvolver orientações práticas para o uso da tecnologia, contemplando governança de dados, diretrizes internas, formação de equipes e definição de responsabilidades. A preocupação inclui o risco de exposição de informações sensíveis, a dependência de fornecedores e a utilização de ferramentas sem controles adequados.

A discussão também envolve a necessidade de estabelecer critérios para o uso da IA em atividades profissionais e garantir que haja supervisão humana nos processos. Para os participantes, a adoção da tecnologia não elimina a responsabilidade das empresas pelas decisões e pelos resultados produzidos.

Caroline Mathias, integrante da vice-presidência de Empreendedorismo e Inovação, destacou que empresas estão tentando organizar seus processos de IA, mapear atividades e estabelecer regras comuns. Ela ressaltou a importância de definir quem responde por eventuais erros, considerando os possíveis impactos financeiros e reputacionais.

Outro desafio é cultural. Representantes do setor apontaram que a implementação da IA exige capacitação e adaptação das equipes, além de mudanças na maneira como as empresas desenvolvem e revisam processos. A identificação de funcionários que já utilizam a tecnologia também pode ajudar a compreender aplicações práticas, desde que respeitadas as regras de segurança e governança.

O diretor comercial da Benx/Even, Guilherme Sawaya, observou que a demora em adotar a IA também pode representar um risco, diante da velocidade de evolução das ferramentas. A avaliação é que as empresas precisam avançar com agilidade, mas sem abrir mão de controles e critérios de segurança.

Os pilotos dessa frente estão previstos para o período entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027. O Secovi-SP também negocia com a Tera uma plataforma customizada de educação corporativa, com cursos gratuitos e aulas ao vivo, para apoiar a formação dos profissionais.

DataSecovi e GeoSecovi ampliam acesso a informações

Além dos três consórcios, a reunião apresentou as iniciativas DataSecovi e GeoSecovi, voltadas à organização e ao acesso a dados relevantes para o mercado imobiliário.

O DataSecovi é uma plataforma interativa que reúne dados da entidade e tem lançamento previsto para novembro, com inteligência artificial integrada. A proposta é permitir que os usuários consultem, organizem e utilizem informações de maneira mais flexível, indo além do modelo tradicional de publicação de relatórios.

Já o GeoSecovi, disponível exclusivamente para associados, reúne 40 camadas de dados territoriais e utiliza tecnologia da Ospa. A ferramenta amplia as possibilidades de consulta a informações geográficas que podem apoiar análises relacionadas ao território e ao mercado imobiliário.

Com os consórcios e as plataformas de dados, o SecoviTech SP pretende estimular a colaboração entre empresas e acelerar a adoção de tecnologias no setor. O avanço das iniciativas dependerá dos resultados dos testes, da capacidade de adaptar as soluções às rotinas das organizações e da decisão de ampliar sua utilização após as provas de conceito.