Secovi-SP abre convenção com foco em habitação e FGTS
Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes participaram da abertura do evento, que reuniu lideranças para discutir habitação, crédito e desenvolvimento urbano

A 23ª Convenção Secovi-SP começou nesta quarta-feira (26), no Milenium Centro de Convenções, em São Paulo, reunindo lideranças do mercado imobiliário, autoridades públicas e representantes de entidades do setor. A abertura foi marcada por debates sobre habitação, crédito imobiliário, juros, recursos do FGTS e políticas públicas voltadas ao acesso à moradia.
Participaram da cerimônia o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o prefeito da capital, Ricardo Nunes, e o presidente do Secovi-SP, Jorge Cury, além de secretários estaduais e municipais e representantes de entidades parceiras.
O encontro ocorre em um momento de desafios para o setor imobiliário, especialmente diante do cenário de juros elevados e das dificuldades de acesso ao crédito de longo prazo.
Juros elevados preocupam setor imobiliário
Na abertura da convenção, Jorge Cury destacou a importância econômica da cadeia imobiliária e apontou o nível das taxas de juros como um dos principais obstáculos ao crescimento do setor.
Segundo o presidente do Secovi-SP, o custo elevado do dinheiro reduz a capacidade de investimento das empresas e dificulta o acesso das famílias ao financiamento imobiliário.
Cury defendeu maior responsabilidade fiscal como caminho para permitir uma redução sustentável das taxas de juros de longo prazo e melhorar as condições de financiamento para compradores de imóveis.
O dirigente também ressaltou o papel do setor na geração de empregos e na movimentação de diferentes segmentos da economia, desde a construção civil até serviços relacionados à comercialização e administração de imóveis.
Secovi-SP defende preservação dos recursos do FGTS
Outro ponto central da abertura foi a defesa do FGTS como fonte de financiamento habitacional.
Jorge Cury afirmou que existem projetos que avançam sobre os recursos do fundo e alteram suas finalidades. Na avaliação apresentada durante o evento, a preservação dessa fonte de recursos é fundamental para ampliar o acesso à habitação social.
O presidente do Secovi-SP também destacou a dependência do programa Minha Casa, Minha Vida em relação ao FGTS e afirmou que, atualmente, uma parcela expressiva dos lançamentos e vendas de moradias na cidade de São Paulo está concentrada nesse segmento.
A discussão sobre o fundo ganha relevância para o mercado porque os recursos são utilizados como fonte de financiamento para aquisição e produção de moradias.
Ricardo Nunes apresenta avanço na habitação
Durante a cerimônia, o prefeito Ricardo Nunes apresentou dados da Prefeitura de São Paulo sobre a evolução da habitação de interesse social na cidade.
Segundo os números apresentados pelo prefeito, o volume de unidades habitacionais avançou de 72 mil em 2023 para 165 mil em 2026. Dentro desse universo, também houve aumento da participação das unidades destinadas à habitação de interesse social (HIS).
Nunes atribuiu parte desse avanço à atuação conjunta entre o poder público e o setor imobiliário.
O prefeito também destacou a participação de diferentes fontes de recursos nas políticas habitacionais, incluindo o FGTS, recursos estaduais e verbas municipais.
Habitação exige infraestrutura e mobilidade
A expansão da oferta habitacional foi apresentada durante a convenção em conjunto com investimentos em infraestrutura urbana.
Ricardo Nunes citou obras de mobilidade em diferentes regiões da capital paulista, incluindo intervenções em corredores de transporte, túneis, vias e pontes.
A relação entre moradia, mobilidade e infraestrutura é um dos pontos estratégicos para o desenvolvimento urbano, especialmente em áreas que recebem novos empreendimentos residenciais.
Para o mercado imobiliário, a disponibilidade de transporte, saneamento, serviços públicos e equipamentos urbanos influencia diretamente a qualidade de vida dos moradores e a valorização das regiões.
Estado amplia entregas habitacionais
O governador Tarcísio de Freitas também apresentou números relacionados à política habitacional do Estado de São Paulo.
Segundo ele, o Estado já entregou 90,5 mil habitações durante o atual mandato e possui outras 117 mil unidades em obras.
Tarcísio destacou ainda o papel do setor privado na execução dos projetos habitacionais e afirmou que o empreendedor imobiliário tem sido um parceiro importante para atender às demandas apresentadas pelo poder público.
A estratégia envolve a utilização de mecanismos de financiamento e subsídios para ampliar a capacidade de produção de moradias.
Subsídios buscam ampliar acesso à casa própria
Entre as iniciativas apresentadas pelo governador está o Casa Paulista, programa estadual voltado à ampliação do acesso à moradia.
Tarcísio citou investimentos de R$ 1,2 bilhão no CCI, segundo os dados apresentados durante a abertura, com potencial de gerar R$ 37 bilhões em investimentos. O governador também informou que 52 mil unidades já haviam sido entregues dentro da modalidade mencionada.
A utilização de subsídios tem como objetivo reduzir o valor necessário para a aquisição do imóvel e facilitar a entrada de famílias que encontram dificuldades para obter financiamento nas condições tradicionais de mercado.
Saneamento integra agenda habitacional
O governador também relacionou os avanços habitacionais aos investimentos em saneamento básico.
De acordo com os números apresentados, dois milhões de pessoas passaram a ser atendidas com água potável e quatro milhões passaram a contar com coleta e tratamento de esgoto que anteriormente não estavam disponíveis.
Tarcísio afirmou ainda que o Estado passou a tratar cerca de dez bilhões de litros de esgoto a mais por mês.
A inclusão do saneamento na agenda imobiliária demonstra que a política habitacional envolve não apenas a construção ou aquisição da unidade residencial, mas também a estrutura necessária para garantir condições adequadas de moradia.
Remoção de famílias de áreas de risco
Outro tema abordado pelo governador foi a retirada de famílias de áreas consideradas de risco.
Tarcísio citou a remoção de famílias de comunidades e áreas vulneráveis, incluindo a Favela do Moinho, em São Paulo, onde, segundo ele, houve atendimento habitacional às famílias retiradas.
A questão está diretamente relacionada ao planejamento urbano e à prevenção de tragédias em regiões sujeitas a riscos ambientais, geológicos ou estruturais.
Setor imobiliário enfrenta cenário de transformação
A 23ª Convenção Secovi-SP acontece em um período de transformação para o mercado imobiliário brasileiro.
Além das discussões sobre juros e financiamento, o setor acompanha mudanças regulatórias, novas demandas habitacionais, transformações urbanas e avanços tecnológicos que impactam a construção, comercialização e gestão dos imóveis.
O evento reúne especialistas e representantes de diferentes áreas para discutir esses desafios e buscar caminhos para o desenvolvimento do mercado.
Convenção reúne setor público e iniciativa privada
A presença de autoridades estaduais e municipais na abertura reforçou a aproximação entre o poder público e o mercado imobiliário.
A construção de novas moradias depende de fatores que envolvem legislação urbanística, disponibilidade de crédito, infraestrutura, políticas habitacionais e capacidade de execução do setor privado.
Nesse cenário, entidades como o Secovi-SP atuam na interlocução entre empresas, governos e demais representantes da cadeia imobiliária.
FGTS permanece no centro das discussões
A defesa do FGTS como instrumento de financiamento habitacional foi um dos principais pontos destacados na abertura.
Para o setor, a manutenção de recursos destinados à habitação é considerada estratégica para sustentar programas de financiamento e ampliar o acesso das famílias à casa própria.
O debate também envolve a necessidade de equilibrar diferentes usos dos recursos do fundo sem comprometer sua função como uma das principais fontes de financiamento habitacional do país.
Evento segue com debates sobre mercado imobiliário
Após a cerimônia de abertura, a programação da 23ª Convenção Secovi-SP segue com painéis técnicos e discussões sobre os principais temas que impactam o mercado imobiliário paulista.
A agenda inclui questões econômicas, jurídicas, urbanísticas, tecnológicas e relacionadas ao financiamento e desenvolvimento de novos empreendimentos.
Para síndicos, administradoras, incorporadoras, construtoras, corretores, investidores e demais profissionais do setor, os debates ajudam a antecipar tendências e compreender mudanças que podem influenciar a gestão e os negócios imobiliários.
A convenção segue nesta quarta-feira (26) e ao longo dos próximos dias, reunindo representantes de diferentes segmentos da cadeia imobiliária para discutir os novos rumos do setor e os desafios para ampliar o acesso à moradia no Brasil.
Fonte: Secovi-SP