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SC lidera remuneração de síndicos no Sul, registra menor inadimplência do país e enfrenta alta de reclamações por pets

Censo Condominial aponta avanço da profissionalização da gestão em Santa Catarina, disciplina financeira nas taxas e desafios crescentes na convivência condominial

SC lidera remuneração de síndicos no Sul, registra menor inadimplência do país e enfrenta alta de reclamações por pets
Foto: Imagem ilustrativa

Santa Catarina vem se consolidando como um dos estados mais organizados e profissionalizados do país quando o assunto é gestão condominial. Dados do Censo Condominial, divulgado pela plataforma uCondo com base em informações próprias, do IBGE e da Receita Federal, revelam que o Estado apresenta um dos maiores salários médios pagos a síndicos no Sul e Sudeste, além de registrar o menor índice de inadimplência em taxas condominiais em todo o Brasil.

De acordo com o levantamento, o salário médio dos síndicos em Santa Catarina é de R$ 1.923, valor significativamente superior à média nacional, estimada em R$ 1,5 mil. O Estado fica atrás apenas do Rio de Janeiro, onde a remuneração média chega a R$ 2.115. Segundo especialistas, esse patamar mais elevado é impulsionado principalmente pela presença de condomínios de alto padrão e pela crescente adoção do modelo de síndico profissional.

O diretor de Operações da uCondo, Leo Mack, explica que o modelo tradicional — no qual um morador assume a função em troca de isenção da taxa condominial ou pagamento de um salário mínimo — vem perdendo espaço. Em seu lugar, cresce a contratação de síndicos profissionais, que administram múltiplos empreendimentos, oferecem pacotes de serviços mais amplos e operam com maior nível de especialização e eficiência.

Essa profissionalização reflete diretamente em outro indicador relevante: a inadimplência. Enquanto o índice nacional atingiu 11,95% no primeiro semestre do ano, o maior patamar desde 2022, Santa Catarina apresentou inadimplência de apenas 3,34%, quase quatro vezes menor. O dado posiciona o Estado como exemplo de disciplina financeira e boa governança condominial.

Especialistas apontam que fatores como maior poder aquisitivo regional, eficiência nos processos de cobrança e gestão profissionalizada contribuem para esse desempenho. A baixa inadimplência, segundo Mack, é essencial para garantir a manutenção predial, a realização de melhorias e a preservação do patrimônio dos moradores, evitando a desvalorização dos imóveis ao longo do tempo.

O estudo estima ainda que Santa Catarina possua cerca de 25 mil condomínios consolidados, dentro de um universo nacional que varia entre 500 mil e 1 milhão de empreendimentos, considerando as diferentes classificações cadastrais existentes no país.

Apesar dos indicadores positivos, o levantamento também revela desafios crescentes na convivência condominial. As reclamações envolvendo animais de estimação lideram os registros feitos por moradores junto a síndicos e administradoras. Queixas relacionadas a barulho excessivo, especialmente de cães, e problemas de higiene, como o não recolhimento de dejetos em áreas comuns, aparecem como os conflitos mais frequentes.

Além disso, o Censo Condominial aponta temas que devem ganhar ainda mais relevância nos próximos anos, como a regulamentação de locações por temporada via plataformas digitais, regras para instalação de carregadores de veículos elétricos, controle de acesso de entregadores e possíveis avanços na regulamentação da atividade de síndico profissional.

O cenário evidencia que, embora Santa Catarina apresente indicadores exemplares de gestão e adimplência, os condomínios seguem desafiados a equilibrar eficiência administrativa, convivência harmoniosa e adaptação às novas demandas urbanas e tecnológicas que moldam o futuro do setor condominial no Brasil.

Fonte: NSC Total