São Paulo apresenta baixo risco de bolha imobiliária, aponta UBS
Capital paulista registra menor pontuação entre 23 cidades analisadas, mas custo do financiamento ainda limita o acesso aos imóveis

São Paulo apresenta baixo risco de bolha imobiliária, aponta UBS
São Paulo registrou o menor nível de risco de bolha imobiliária entre as 23 grandes cidades analisadas pelo UBS Global Real Estate Bubble Index 2026. A capital paulista alcançou -0,24 ponto no índice, resultado que a colocou na faixa de baixo risco analisada pelo banco suíço.
O levantamento considera fatores relacionados aos preços dos imóveis, aluguéis, renda e condições de financiamento para identificar possíveis desequilíbrios nos mercados residenciais das principais cidades avaliadas.
O resultado de São Paulo também ficou abaixo do registrado por São Francisco, que marcou -0,02 ponto. Entre as cidades classificadas pelo UBS como de baixo risco estão ainda Paris, Londres e Nova York.
Índice mede desequilíbrios no mercado imobiliário
O UBS explica que uma bolha imobiliária está relacionada a preços que se afastam dos fundamentos econômicos e permanecem elevados por determinado período. Entre os sinais analisados estão o descolamento entre os valores dos imóveis, os rendimentos das famílias e os preços dos aluguéis.
O banco também ressalta que a existência de uma bolha só pode ser confirmada depois que ocorre uma correção significativa dos preços. Por isso, o índice representa uma avaliação dos desequilíbrios existentes no mercado, e não uma confirmação antecipada de uma eventual bolha.
No levantamento de 2026, São Paulo apresentou a menor pontuação entre as cidades avaliadas, enquanto Zurique e Tóquio ficaram nas faixas de maior risco, com pontuações superiores a 1,5.
Preços e aluguéis influenciam avaliação
A relação entre preços dos imóveis e valores de aluguel é um dos indicadores considerados pelo UBS.
Segundo o relatório, São Paulo possui um dos menores múltiplos de preço sobre aluguel entre as cidades analisadas. Esse indicador estima quantos anos de renda obtida com o aluguel seriam necessários para equivaler ao preço de compra de um imóvel de tamanho semelhante.
Em cidades onde esse múltiplo é elevado, o valor de compra do imóvel apresenta uma distância maior em relação à renda obtida com o aluguel. O UBS considera que esse tipo de desequilíbrio pode estar associado a expectativas de valorização futura ou de redução das taxas de juros.
Financiamento continua sendo um desafio
O baixo risco de bolha apontado pelo índice não significa que o mercado imobiliário de São Paulo esteja livre de dificuldades.
O relatório destaca que os custos médios de financiamento aumentaram ligeiramente nos quatro trimestres analisados, reduzindo a capacidade de compra e os incentivos para aquisição de imóveis.
Esse cenário é particularmente relevante para consumidores que dependem de crédito imobiliário para comprar uma residência, já que taxas mais elevadas aumentam o custo total da operação e podem limitar o valor do imóvel que uma família consegue financiar.
Preços permanecem relacionados à oferta de moradias
O UBS também aponta que a escassez de moradias em diversos mercados urbanos continua contribuindo para sustentar os preços dos imóveis.
Esse fator ajuda a explicar por que os valores residenciais podem permanecer elevados mesmo quando as condições de financiamento dificultam a compra.
Em cidades com forte demanda por habitação e disponibilidade limitada de terrenos e imóveis, a relação entre oferta e procura continua sendo um componente relevante para a formação dos preços.
Cenário global apresenta diferenças
O estudo mostra que o comportamento dos mercados imobiliários varia significativamente entre as regiões.
Nos Estados Unidos e no Canadá, o UBS identificou níveis de risco menores na comparação com o ano anterior. Na Ásia, o cenário foi considerado heterogêneo, com aumento dos desequilíbrios em Seul e Hong Kong e redução em Tóquio e Sydney.
Na Europa, também foram registradas diferenças entre os mercados. Lisboa, Madri e Milão apresentaram aumento dos desequilíbrios, enquanto Frankfurt, Munique e Amsterdã registraram redução.
Euforia imobiliária está abaixo dos níveis anteriores
O UBS afirma que o nível médio de euforia nos mercados imobiliários está atualmente abaixo dos patamares observados antes do início do ciclo de alta dos juros, em 2021.
O relatório também identifica diferenças entre cidades classificadas nas faixas de risco mais elevado e aquelas com risco moderado ou baixo.
Nos mercados considerados de maior risco, os preços dos imóveis ajustados pela inflação apresentaram crescimento mais expressivo nos últimos cinco anos, enquanto aluguéis e rendimentos avançaram em ritmo menor.
Relação entre preço e renda permanece importante
Apesar da classificação de São Paulo na faixa de baixo risco de bolha, a aquisição de imóveis continua representando um desafio para parte da população.
Dados destacados em análises sobre o estudo mostram que os salários locais não acompanham integralmente o custo necessário para adquirir determinados imóveis, especialmente em regiões próximas ao centro da capital.
Isso demonstra que baixo risco de bolha e facilidade de acesso à moradia são indicadores diferentes.
Um mercado pode apresentar menor desequilíbrio especulativo e, ao mesmo tempo, manter preços elevados em relação à renda das famílias.
Mercado imobiliário exige análise de diferentes indicadores
O levantamento do UBS mostra que a análise do mercado imobiliário não depende apenas da variação dos preços.
Indicadores como renda, aluguel, custo do financiamento, oferta de imóveis e disponibilidade de moradias também ajudam a compreender o comportamento do setor.
Para incorporadoras e investidores, esses dados podem contribuir para avaliar o ambiente de negócios. Para compradores, ajudam a contextualizar a relação entre preço do imóvel, capacidade de financiamento e renda.
São Paulo mantém posição entre mercados de menor risco
A capital paulista já havia apresentado uma posição de baixo risco na edição anterior do estudo. Em 2025, São Paulo registrou -0,10 ponto, também figurando entre os mercados com menor desequilíbrio segundo o índice do UBS.
Na edição de 2026, a pontuação passou para -0,24, mantendo a cidade na faixa de baixo risco e colocando-a com a menor pontuação entre as 23 cidades analisadas.
O resultado indica que, dentro dos critérios utilizados pelo UBS, os preços residenciais paulistanos apresentam menor descolamento dos fundamentos econômicos quando comparados aos mercados avaliados no estudo.
O que os dados significam para o mercado imobiliário
O levantamento apresenta um retrato específico do mercado residencial de grandes cidades e não representa uma previsão sobre a trajetória futura dos preços.
No caso de São Paulo, os dados combinam uma pontuação baixa no índice de risco de bolha com desafios relacionados ao financiamento e à capacidade de compra das famílias.
Para o setor imobiliário, essa combinação mostra que a análise do mercado precisa considerar simultaneamente o comportamento dos preços, a renda, os aluguéis, o crédito e a disponibilidade de imóveis.
O estudo do UBS coloca São Paulo na faixa de menor risco de bolha entre as 23 cidades analisadas em 2026, com pontuação de -0,24. Ao mesmo tempo, o relatório destaca que o custo do financiamento e a relação entre renda e preço continuam sendo fatores relevantes para quem pretende adquirir um imóvel na capital paulista.