Construção civil enfrenta falta de jovens
Setor vive crescimento, mas enfrenta dificuldade para atrair novos profissionais e repor trabalhadores que estão se aposentando

Construção civil enfrenta escassez de mão de obra jovem mesmo com salários de até R$ 10 mil
Com o crescimento acelerado do setor, construtoras penam para preencher vagas de pedreiros, ajudantes e encanadores devido ao envelhecimento da categoria e à baixa procura de novos trabalhadores.
O setor da construção civil vive um momento de expansão acelerada no país, mas enfrenta um obstáculo crescente nos canteiros de obras: a escassez de trabalhadores para preencher as oportunidades de emprego. Mesmo em cargos com remunerações que podem alcançar até R$ 10.000 mensais, as empresas têm tido dificuldades para atrair os mais jovens para posições tradicionais, como as de pedreiro e ajudante.
Canteiros vazios e falta de interesse dos jovens
O envelhecimento da força de trabalho é uma realidade cada vez mais evidente no dia a dia da construção. Com 40 anos de atuação na área, o mestre de obras Raimundo Nonato destaca que a exigência física da profissão afasta as novas gerações.
"A construção civil é um serviço pesado, principalmente pro ajudante. Falta gente jovem hoje na construção civil; os jovens não querem mais trabalhar na construção civil", relata Raimundo Nonato.
Em São Paulo, a obra de um edifício residencial de 16 andares exemplifica o desafio enfrentado pelas construtoras: o local registra 20 vagas abertas por falta de pedreiros, serventes e encanadores.
De acordo com Milton Bicucci, diretor técnico de obras, a escassez de pessoal se repete em diferentes fases dos empreendimentos. "Todas as nossas obras precisam de alguém; necessitam de ajudantes, pedreiros, carpinteiros, gesseiros, de acordo com a fase da obra", afirma.
Evolução salarial acelerada
Apesar do desgaste físico inerente ao trabalho braçal, a carreira na construção civil oferece possibilidades de rápida ascensão financeira. O salário inicial para a função de servente começa em torno de R$ 2.300. Conforme ganha qualificação técnica e experiência, um pedreiro na capital paulista pode alcançar um rendimento mensal de até R$ 10.000.
Panorama de Vagas e Remuneração:
- Remuneração inicial (servente): R$ 2.300
- Remuneração máxima (pedreiro em SP): Até R$ 10.000
- Principais funções em falta: Pedreiros, ajudantes, encanadores, carpinteiros e gesseiros
Aposentadorias superam entrada de novos profissionais
Para o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Eduardo Aroeira, o ritmo de aposentadoria dos trabalhadores veteranos supera a velocidade de entrada de novos profissionais no mercado.
"O perfil que nós verificamos hoje nas obras é um perfil mais envelhecido, porque nós percebemos que não conseguimos repor a mão de obra dos trabalhadores que se aposentam na mesma velocidade necessária para a consecução dessas obras", analisa Aroeira.
Fonte: BAND