Rio de Janeiro lidera inadimplência em condomínios e atinge maior índice da série histórica, aponta censo
Apesar de ser o terceiro estado com mais condomínios do país, Rio registra taxa de inadimplência de 17,42%, impulsionada pelo alto custo de vida e falhas na gestão condominial

O Rio de Janeiro ocupa uma posição de destaque no cenário condominial brasileiro — porém, por um motivo preocupante. De acordo com levantamento da uCondo, com base em dados do IBGE e da Receita Federal, o estado é o terceiro do país com maior número de condomínios, somando cerca de 39,5 mil empreendimentos, atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais. No entanto, quando o assunto é inadimplência, o Rio lidera o ranking nacional.
O estudo revela que quase 40 milhões de brasileiros vivem atualmente em condomínios e que, paralelamente ao crescimento desse modelo habitacional, os atrasos no pagamento das taxas condominiais também avançam. Entre o final de 2024 e o início de 2025, a média nacional de inadimplência subiu mais de 2%, sendo o Rio de Janeiro um dos principais responsáveis por esse aumento.
No primeiro semestre de 2025, a inadimplência condominial no estado fluminense atingiu 17,42%, o maior percentual desde o início da série histórica. Mesmo com Norte e Nordeste tradicionalmente liderando os índices mais elevados, o Rio se destaca negativamente como o estado mais inadimplente fora dessas regiões.
Especialistas apontam o alto custo de vida como um dos principais fatores para o cenário. Segundo o advogado e professor André Luiz Junqueira, que atua em cerca de 10% dos condomínios do Rio, o aumento expressivo das taxas condominiais acompanha a elevação generalizada dos custos, especialmente das tarifas de água, consideradas por ele um dos grandes vilões da inadimplência no estado.
Outro aspecto que preocupa é o crescimento da atuação irregular de síndicos profissionais e empresas de cobrança. De acordo com Junqueira, práticas antiéticas, falta de qualificação e cobranças realizadas por empresas não habilitadas legalmente podem dificultar ainda mais o equilíbrio financeiro dos condomínios e o pagamento das cotas pelos moradores.
O levantamento também chama atenção para a remuneração dos síndicos. Enquanto a média nacional é de R$ 1.520, no Rio de Janeiro o valor chega a R$ 2.115, o maior do país. No entanto, esse número reflete principalmente condomínios de grande porte e não representa a realidade da maioria dos edifícios, onde síndicos orgânicos recebem valores bem inferiores ou apenas isenção da taxa condominial.
Para especialistas em gestão condominial, o cenário exige atenção redobrada de síndicos, administradoras e conselhos fiscais. Planejamento financeiro, transparência na gestão, cobrança regular e cumprimento da legislação são apontados como medidas essenciais para conter o avanço da inadimplência e preservar a saúde financeira dos condomínios fluminenses.
Fonte: Tempo Real RJ