Pular para o conteúdo
Noticias

Mais de 50 prédios do Centro de SP passam por retrofit

Retrofit transforma mais de 50 prédios abandonados no Centro de São Paulo em novos espaços de moradia e negócios

Retrofit transforma mais de 50 prédios abandonados no Centro de São Paulo em novos espaços de moradia e negócios
Foto: Imagem ilustrativa

Com incentivos públicos e investimentos privados, edifícios antigos estão sendo requalificados e ganhando novos usos na região central da capital paulista

O Centro de São Paulo começa a viver uma nova fase de requalificação imobiliária, com prédios antigos e imóveis que permaneceram vazios durante anos sendo transformados em moradias, espaços comerciais e empreendimentos com novas funções.

Segundo dados apresentados pela Prefeitura de São Paulo, mais de 50 edifícios estão atualmente em processo de requalificação na região central, somando 5.238 moradias. Do total, 15 prédios já tiveram as obras concluídas.

O movimento tem como principal estratégia o retrofit, técnica que permite adaptar e modernizar construções existentes em vez de demolir os edifícios para erguer novos empreendimentos.

Retrofit ganha força no mercado imobiliário

A recuperação de prédios antigos deixou de ser vista apenas como uma alternativa arquitetônica e passou a ser considerada também uma oportunidade de negócio imobiliário.

Empresas especializadas têm adquirido imóveis depreciados em regiões centrais e investido na modernização das estruturas para criar novos produtos imobiliários.

Um dos exemplos é a Ilion Partners, que atua com projetos de retrofit desde 2012 e, segundo seu fundador, Maxime Barkatz, já investiu cerca de R$ 400 milhões nesse tipo de empreendimento. Os projetos costumam envolver investimentos entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões por edifício.

Por que recuperar prédios antigos?

Um dos principais argumentos em favor do retrofit está na localização dos imóveis.

Edifícios antigos do Centro estão inseridos em regiões que já contam com transporte público, comércio, serviços e infraestrutura urbana. Dessa forma, a recuperação dessas construções pode representar uma alternativa à expansão da cidade para áreas cada vez mais distantes.

A estratégia também busca aproximar moradia, trabalho e serviços, reduzindo deslocamentos e aproveitando uma infraestrutura que levou décadas para ser construída.

Poder público também participa da transformação

Apesar do interesse dos investidores, projetos de retrofit podem enfrentar obstáculos financeiros e técnicos. Diferentemente de uma construção nova, uma reforma de grande porte pode revelar problemas estruturais, instalações antigas e custos que não eram completamente previsíveis antes do início das obras.

Para reduzir parte dessas dificuldades, a Prefeitura de São Paulo criou mecanismos de incentivo à requalificação dos imóveis.

A Subvenção Econômica prevê até R$ 1 bilhão em recursos públicos para apoiar projetos de recuperação na região central. O programa pode custear até 25% do valor elegível das obras.

Nos três primeiros chamamentos, realizados entre 2023 e 2025, 31 empreendimentos foram selecionados e receberam aproximadamente R$ 67,5 milhões em subvenções.

Moradia é um dos principais destinos

A transformação dos edifícios não está restrita à criação de novos espaços comerciais. A habitação aparece como uma das principais finalidades dos projetos.

Os mais de 50 edifícios em processo de requalificação representam milhares de novas moradias em uma região que passou por décadas de esvaziamento e perda de atividade econômica.

A proposta é aproveitar estruturas já existentes para devolver moradores ao Centro e estimular a recuperação do entorno.

Incentivos consideram critérios urbanos

Para receber apoio público, os projetos precisam atender a determinados critérios estabelecidos pela administração municipal.

Entre os aspectos considerados estão a habitação de interesse social, preservação do patrimônio, fachada ativa, circulação pública, reúso de água e certificações ambientais.

A ideia é que a recuperação dos prédios não fique limitada à modernização das construções, mas também contribua para a melhoria do ambiente urbano.

Transformação pode gerar efeito no entorno

Outro aspecto destacado por investidores é o impacto que a recuperação de um edifício pode provocar nas áreas próximas.

Um prédio abandonado pode contribuir para a degradação e para a sensação de insegurança no entorno. Quando o imóvel volta a ser ocupado, a presença de moradores, comércio e serviços pode estimular novas atividades e investimentos na região.

Assim, o retrofit passa a ser encarado como uma ferramenta capaz de produzir efeitos que ultrapassam os limites de um único empreendimento.

Centro de São Paulo busca uma nova dinâmica

A estratégia de reocupar imóveis existentes faz parte de uma discussão mais ampla sobre o futuro das cidades e o aproveitamento de áreas urbanas já consolidadas.

O caso do Centro de São Paulo mostra como a combinação entre investimento privado, políticas públicas e requalificação imobiliária pode transformar prédios que perderam sua função em novos espaços de moradia e atividade econômica.

Com dezenas de empreendimentos em andamento e novos projetos sendo desenvolvidos, o retrofit ganha espaço como uma das alternativas para recuperar áreas centrais e aproveitar melhor a infraestrutura existente na cidade.

Fonte: Exame.