Reforma tributária ameaça orçamento e eleva risco de inadimplência
Especialistas alertam que mudanças no sistema de tributos podem elevar custos de serviços essenciais e agravar inadimplência já em níveis históricos no setor condominial

Reforma tributária deve pressionar orçamento de condomínios em 2026 e acende alerta para inadimplência
A implementação da reforma tributária prevista para 2026 deve provocar impactos diretos no orçamento dos condomínios residenciais e comerciais em todo o país. Especialistas do setor alertam que as mudanças no modelo de tributação sobre serviços tendem a elevar custos operacionais, pressionar as taxas condominiais e aumentar o risco de inadimplência, que já apresenta índices preocupantes.
De acordo com análises do setor condominial, a substituição gradual de tributos atuais pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) pode resultar em reajustes significativos nos contratos de serviços essenciais, como portaria, vigilância, limpeza, manutenção predial, elevadores e sistemas de segurança. Esses serviços representam a maior fatia das despesas mensais dos condomínios.
O Brasil conta atualmente com mais de 327 mil condomínios ativos, segundo dados do Censo Condominial, o que evidencia a dimensão do impacto econômico das mudanças tributárias nesse segmento. Ao mesmo tempo, a inadimplência condominial já ultrapassa 11% em diversas regiões, reflexo do aumento do custo de vida, da inflação acumulada e da dificuldade de famílias em manter despesas fixas.
Especialistas em gestão condominial apontam que o cenário exige planejamento financeiro antecipado. A expectativa é que prestadores de serviços repassem os novos custos tributários aos contratos, o que pode gerar desequilíbrios orçamentários, necessidade de uso do fundo de reserva e, em alguns casos, discussão sobre reajustes das taxas condominiais.
Sob a ótica do direito condominial, a reforma tributária impõe novos desafios aos síndicos e conselhos fiscais, que precisarão compreender as mudanças legais, avaliar impactos contratuais e agir com transparência junto aos condôminos. A ausência de planejamento pode resultar em déficits financeiros, atrasos em pagamentos e comprometimento da prestação de serviços essenciais.
Para os gestores, 2026 tende a ser um ano decisivo. Entre as medidas recomendadas estão a revisão prévia do orçamento, renegociação de contratos, fortalecimento do fundo de reserva, adoção de tecnologias de controle financeiro e comunicação clara com os moradores sobre os possíveis impactos econômicos da reforma.
A preocupação com a inadimplência também ganha destaque. Com o aumento das despesas, condomínios que já operam com margens apertadas podem enfrentar dificuldades para manter o equilíbrio financeiro, o que exige estratégias de cobrança eficientes, políticas de negociação e acompanhamento constante da saúde financeira do empreendimento.
O avanço da reforma tributária reforça que a gestão condominial precisa ser cada vez mais técnica, estratégica e preventiva. Planejamento de longo prazo, governança financeira e diálogo com os condôminos serão fundamentais para atravessar o novo cenário tributário sem comprometer a sustentabilidade dos condomínios.
Fonte: Tribuna Hoje