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Recife lidera valorização imobiliária

Capital pernambucana acumula valorização de 27,12% em 12 meses e mantém desempenho acima da média nacional, segundo o IGMI-R

Recife lidera valorização imobiliária no país com alta de 10,44% em 2026
Foto: Reprodução

O mercado imobiliário residencial brasileiro voltou a acelerar em julho, mas foi o Recife que mais se destacou entre as capitais monitoradas pelo Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R), divulgado pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) e elaborado pela FGV/IBRE. Na capital pernambucana, os preços dos imóveis subiram 1,45% no mês e acumulam alta de 10,44% em 2026.

O desempenho também aparece no recorte de 12 meses. Entre as dez capitais acompanhadas pelo indicador, Recife registrou valorização de 27,12%, mantendo a liderança nacional. O resultado demonstra a força do mercado residencial local mesmo diante de um cenário de desaceleração do ritmo de valorização observado no país.

Mercado nacional mantém alta, mas perde ritmo no acumulado

Em julho, o IGMI-R avançou 0,61%, acima da alta de 0,38% registrada em junho. Apesar da aceleração mensal, a valorização acumulada em 12 meses recuou de 17,49% para 15,78%, configurando o quarto mês consecutivo de desaceleração após o pico de 19,76% alcançado em março.

Entre janeiro e julho, o mercado residencial brasileiro acumulou alta de 5,64%. O resultado ficou abaixo dos 8,25% registrados no mesmo período de 2025 e dos 8,10% de 2024, indicando que o setor continua avançando, mas em velocidade menor no conjunto do país.

O Recife, entretanto, apresenta trajetória significativamente superior à média nacional. A alta de 10,44% no ano representa quase o dobro do resultado brasileiro no mesmo intervalo, evidenciando a força específica do mercado pernambucano.

Recife se distancia das demais capitais

O desempenho da capital pernambucana ganha ainda mais relevância quando comparado aos resultados de outras cidades. Porto Alegre registrou a maior alta mensal em julho, com 2,28%, acumulando 8,57% no ano e 18,95% em 12 meses.

Curitiba também apresentou resultado expressivo no acumulado anual, com valorização de 9,07%, enquanto Goiânia chegou a 7,44%. Salvador, por sua vez, teve queda de 0,16% em julho, mas ainda acumula alta de 6,56% em 2026 e de 20,80% em 12 meses.

No Sudeste, os resultados foram mais moderados. São Paulo acumulou alta de 4,73% no ano, Rio de Janeiro registrou 4,32% e Belo Horizonte, 3,66%. Fortaleza apresentou a menor valorização acumulada entre as capitais monitoradas, com 2,13%.

Valorização supera inflação e custos da construção

Outro indicador relevante está na comparação entre a valorização dos imóveis e outros índices econômicos. Nos 12 meses encerrados em julho, o IGMI-R acumulou alta de 15,78%, enquanto o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) avançou 6,40%.

No mesmo período, o Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR) registrou alta de 5,08%, enquanto o IPCA, principal indicador oficial da inflação, ficou em 4,44%. Descontada a inflação, a valorização real dos imóveis residenciais brasileiros foi de aproximadamente 10,9%.

O cenário demonstra que o movimento de alta dos preços dos imóveis não pode ser explicado apenas pela inflação. Características próprias de cada mercado, como oferta disponível, demanda, localização e quantidade de unidades colocadas à venda, ajudam a determinar o comportamento dos preços.

O que explica a força do Recife

A liderança do Recife reforça a importância dos fatores locais na formação do valor dos imóveis. A combinação entre demanda residencial, disponibilidade de unidades e características urbanas da capital influencia diretamente a dinâmica de preços.

O desempenho também ocorre em um momento de expansão do mercado imobiliário na Região Metropolitana do Recife. Dados divulgados em agosto apontaram crescimento de 34% nas vendas de apartamentos no segundo trimestre de 2026, enquanto os lançamentos avançaram 142,2%, movimentando cerca de R$ 6 bilhões em 12 meses.

Esse ambiente de maior atividade ajuda a explicar por que a valorização permanece elevada mesmo com a desaceleração observada no indicador nacional.

Impactos para proprietários e investidores

Para proprietários, a valorização representa uma elevação do patrimônio imobiliário e pode influenciar decisões relacionadas à venda, locação ou manutenção do imóvel como investimento. Para investidores, entretanto, o desempenho passado não significa garantia de continuidade da mesma taxa de crescimento.

A análise precisa considerar localização, padrão construtivo, liquidez, demanda da região, custos de manutenção e perspectivas para novos empreendimentos. Uma cidade pode apresentar forte valorização média sem que todos os bairros ou tipos de imóveis tenham o mesmo desempenho.

No caso dos condomínios, o cenário também pode repercutir na percepção de valor das unidades e na procura por imóveis em determinadas regiões. Empreendimentos bem localizados, com estrutura adequada e manutenção eficiente tendem a apresentar atributos que influenciam a decisão de compra e a preservação do patrimônio.

Valorização exige gestão e planejamento

O avanço dos preços também aumenta a importância da conservação dos edifícios. Manutenção preventiva, modernização de áreas comuns, segurança, eficiência operacional e planejamento financeiro podem contribuir para preservar a qualidade do empreendimento ao longo do tempo.

Para síndicos e administradoras, o momento de valorização do mercado representa uma oportunidade para olhar além das despesas imediatas e avaliar investimentos que mantenham o patrimônio coletivo competitivo. Obras e melhorias, porém, precisam ser planejadas de acordo com a capacidade financeira do condomínio e aprovadas conforme as regras aplicáveis.

O desempenho do Recife também coloca a capital em posição de destaque para o mercado imobiliário nacional. A diferença entre os resultados locais e a média brasileira mostra que a dinâmica do setor continua fortemente relacionada às particularidades de cada cidade.

Com alta de 10,44% no acumulado de 2026 e valorização de 27,12% em 12 meses, Recife encerra julho como o principal destaque entre as capitais acompanhadas pelo IGMI-R. O resultado reforça a atratividade do mercado residencial pernambucano, mas também evidencia a necessidade de análises individualizadas antes de decisões de compra, venda ou investimento.

Fonte: JCPE