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Queda de elevador de obra deixa nove feridos e acende alerta sobre segurança em construções

Equipamento despencou do oitavo andar em Alfenas (MG); vítimas foram resgatadas com ferimentos e estrutura passa por avaliação técnica

Queda de elevador de obra deixa nove feridos e acende alerta sobre segurança em construções
Foto: Foto: Reprodução

Um grave acidente em um prédio em construção na cidade de Alfenas, no sul de Minas Gerais, acendeu o alerta para a segurança em obras verticais no Brasil. Um elevador de carga, utilizado para transporte de materiais e operários, despencou do oitavo andar, causando pânico no canteiro e deixando nove pessoas envolvidas, das quais oito ficaram feridas com diferentes graus de lesões.

De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, as vítimas foram socorridas com ferimentos que variam de cortes profundos na cabeça até suspeitas de fraturas em membros inferiores e superiores. As equipes de resgate, com apoio do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), atuaram com rapidez para remover os trabalhadores que ficaram presos dentro da estrutura metálica do equipamento após a queda. Felizmente, não houve registros de óbitos.

Defesa Civil e Polícia Civil atuam no local

Logo após o resgate das vítimas, a Defesa Civil municipal foi acionada para realizar uma inspeção emergencial na estrutura da obra. O objetivo foi identificar possíveis danos colaterais à edificação e avaliar o nível de risco estrutural no entorno. A ação busca evitar novos acidentes e garantir que as atividades no canteiro de obras só sejam retomadas após a adoção de medidas corretivas de segurança.

Paralelamente, a Polícia Civil iniciou uma perícia técnica no local, que irá subsidiar as investigações sobre as causas do acidente. A análise deverá considerar fatores como sobrecarga no elevador, falha no sistema de tração, deficiências na ancoragem ou mesmo falta de manutenção preventiva.

O engenheiro responsável pela execução da obra foi notificado oficialmente e deve apresentar documentação técnica sobre o equipamento utilizado, incluindo laudos de manutenção, registros de inspeção e certificados de conformidade. As informações serão cruzadas com as exigências da NR-18 (Norma Regulamentadora da Construção Civil) e da ABNT NBR 16200, que trata dos sistemas de acesso por elevadores de obras.

Responsabilidade técnica e implicações jurídicas

Casos como este envolvem sérias implicações legais, tanto na esfera civil quanto criminal. A depender do resultado da perícia, o engenheiro responsável, a construtora e os fornecedores do equipamento poderão ser responsabilizados por negligência, imperícia ou imprudência. As vítimas também poderão ingressar com ações indenizatórias por danos morais e materiais, inclusive com pedidos de pensão vitalícia caso haja sequelas permanentes.

O Ministério Público, por sua vez, poderá instaurar procedimentos para apurar falhas de fiscalização, ausência de medidas de segurança coletiva e individual, ou irregularidades na documentação da obra, podendo inclusive recomendar a interdição temporária do canteiro.

Alerta à gestão condominial e às incorporadoras

Este acidente serve como um alerta urgente para incorporadoras, construtoras, engenheiros e síndicos de condomínios em construção. O uso de elevadores de carga ou plataformas provisórias requer rigor absoluto nas vistorias, manutenção preventiva e capacitação de usuários. Equipamentos sem certificação adequada ou operados fora dos limites especificados podem se transformar em verdadeiras armadilhas.

Para empreendimentos verticais, a adoção de protocolos de segurança deve ser acompanhada de forma sistemática por um Responsável Técnico legalmente habilitado (RT), conforme previsto pela legislação e normas técnicas do CREA, CONFEA e do Código de Obras Municipal.

Segurança em obras salva vidas

O incidente em Alfenas reforça uma verdade inegociável no setor da construção civil: não há espaço para negligência quando se trata de segurança. A integridade física de trabalhadores, moradores e futuros usuários da edificação depende diretamente da qualidade técnica dos sistemas utilizados e da responsabilidade dos profissionais à frente da obra.

A sociedade civil, os órgãos fiscalizadores e os gestores prediais devem atuar juntos para garantir que tragédias como essa sejam evitadas, promovendo ambientes seguros, fiscalizados e legalmente amparados.

Fonte: R7