Pular para o conteúdo
Noticias

Terremotos danificam quase 60 mil prédios na Venezuela

Quase 60 mil prédios são danificados ou destruídos após terremotos devastarem a Venezuela

Quase 60 mil prédios são danificados ou destruídos após terremotos devastarem a Venezuela
Foto: Foto: Reprodução

Um levantamento baseado em imagens de satélite revelou que 58.870 prédios e estruturas foram danificados ou destruídos pelos fortes terremotos que atingiram a Venezuela na última semana, ampliando significativamente a dimensão da tragédia e indicando que os impactos podem ser muito maiores do que os números oficiais divulgados até o momento.

A estimativa foi elaborada pelos pesquisadores Jamon Van Den Hoek, da Universidade Estadual do Oregon, e Corey Scher, da Universidade da Cidade de Nova York, utilizando imagens captadas um dia após os abalos sísmicos de magnitudes 7,2 e 7,5, registrados com poucos segundos de intervalo. A cidade costeira de La Guaira concentra a maior parte dos danos, além do maior número de mortos e desaparecidos.

Até o momento, o governo venezuelano contabiliza 1.719 mortos, mais de 5 mil feridos e cerca de 12 mil desabrigados. Entretanto, especialistas afirmam que esses números tendem a crescer de forma expressiva, uma vez que milhares de pessoas continuam desaparecidas sob os escombros e as operações de resgate enfrentam enormes dificuldades.

Desde os terremotos principais, já foram registradas 609 réplicas, incluindo um tremor de magnitude 4,2 que provocou a paralisação temporária do metrô de Caracas. Segundo os pesquisadores, o levantamento não considera os danos provocados pelas centenas de tremores secundários, que também podem ter causado novos desabamentos.

A diferença entre os dados obtidos por imagens de satélite e as informações oficiais é significativa. Enquanto o governo venezuelano fala em "centenas" de edificações afetadas, o estudo aponta quase 60 mil estruturas comprometidas, sugerindo que tanto os prejuízos materiais quanto o número de vítimas podem ser muito superiores às estimativas atuais.

Especialistas em engenharia estrutural destacam que grande parte da destruição está relacionada à vulnerabilidade das construções. Após anos de crise econômica, a infraestrutura venezuelana já apresentava elevado grau de deterioração antes dos terremotos, além da escassez de equipamentos pesados indispensáveis para operações de busca e remoção de escombros.

A professora Emily So, da Universidade de Cambridge, afirmou que a recuperação das vítimas dependerá da disponibilidade de máquinas capazes de remover grandes blocos de concreto, enquanto o professor Ilan Kelman, da University College London, ressaltou que a engenharia moderna dispõe de tecnologia suficiente para reduzir drasticamente o colapso de edifícios em regiões sujeitas a terremotos quando são adotadas normas construtivas adequadas.

Os impactos também atingiram severamente o sistema de saúde. Diversos hospitais sofreram danos estruturais, obrigando a transferência de pacientes para outras unidades já sobrecarregadas. Em La Guaira, apenas um hospital permanece em funcionamento, enquanto profissionais de saúde enfrentam falta de água, materiais de limpeza e insumos básicos para atender os feridos.

Segundo estimativas das Nações Unidas, mais de 50 mil pessoas permanecem desaparecidas, cerca de 680 mil crianças necessitam de ajuda humanitária e mais de 400 escolas foram destruídas. A Organização Internacional para as Migrações estima que aproximadamente 6,7 milhões de venezuelanos poderão ser afetados pelas consequências do desastre.

Diante da gravidade da situação, os Estados Unidos anunciaram a ampliação da ajuda humanitária destinada à Venezuela, elevando o apoio financeiro de US$ 150 milhões para US$ 300 milhões. Os recursos serão destinados a organizações humanitárias responsáveis pelo atendimento aos desabrigados, às vítimas e às comunidades atingidas, reforçando os esforços internacionais para enfrentar uma das maiores tragédias naturais da história recente do país.

Fonte: O Globo