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Quadrilha driblava portaria remota e reconhecimento facial para furtar apartamentos de luxo em Maceió

Suspeitos usavam cadastros fraudulentos para entrar em condomínios da Ponta Verde, identificar imóveis vazios e furtar bolsas, joias e outros objetos de valor

Quadrilha driblava portaria remota e reconhecimento facial para furtar apartamentos de luxo em Maceió

Quadrilha driblava portaria remota e reconhecimento facial para furtar apartamentos de luxo em Maceió

Uma quadrilha investigada por furtos em apartamentos de luxo na Ponta Verde, em Maceió (AL), teria utilizado cadastros fraudulentos e reconhecimento facial para contornar sistemas de segurança de condomínios com portaria remota. Segundo a Polícia Civil de Alagoas, os suspeitos conseguiam se apresentar aos sistemas como se fossem moradores e, dessa forma, tinham acesso às áreas comuns dos edifícios.

A investigação aponta que o grupo estaria ligado a pelo menos dois furtos. O primeiro ocorreu em 15 de agosto. O segundo foi registrado no sábado (19), também na Ponta Verde, quando ao menos três apartamentos teriam sido invadidos. As autoridades identificaram semelhanças na forma de atuação e passaram a relacionar os episódios.

Cadastro fraudulento era usado para superar controle de acesso

De acordo com os delegados responsáveis pela investigação, os suspeitos exploravam vulnerabilidades no processo de cadastramento dos moradores junto às empresas responsáveis pela portaria remota.

Em um dos casos, a Polícia Civil identificou que o grupo teria conseguido acesso ao e-mail de um morador. A conta teria sido utilizada para realizar um cadastro fraudulento junto à empresa de segurança. Os investigados forneciam os próprios nomes, telefones e imagens faciais, fazendo com que o sistema os reconhecesse como pessoas autorizadas a entrar no condomínio.

Com o cadastro aprovado, os suspeitos conseguiam acessar áreas comuns e abrir portas controladas remotamente. A estratégia, segundo os investigadores, permitia que a entrada ocorresse sem a necessidade de arrombamento da portaria ou de uma abordagem física por funcionários do condomínio.

O caso chama atenção para a necessidade de que sistemas tecnológicos de controle de acesso sejam acompanhados de procedimentos rigorosos de validação cadastral. O reconhecimento facial pode confirmar a identidade vinculada a um cadastro, mas a segurança do processo também depende da confiabilidade das informações utilizadas para criar e autorizar aquele perfil.

Suspeitos verificavam se havia moradores nos apartamentos

Depois de conseguir acesso aos edifícios, os investigados adotavam outra etapa antes de invadir os imóveis.

Segundo a delegada Bárbara Porto, os suspeitos batiam nas portas dos apartamentos para verificar se havia alguém no interior. Quando não recebiam resposta, tinham maior segurança para prosseguir com a ação.

A investigação aponta que as portas dos imóveis eram posteriormente arrombadas. Os criminosos procuravam objetos de alto valor e, conforme o relato policial, também poderiam permanecer no local por mais tempo para tentar localizar cofres e outros bens.

A estratégia permitia que a quadrilha aproveitasse justamente um dos momentos de maior vulnerabilidade de um imóvel: quando os moradores estavam ausentes. Bolsas de luxo, joias, relógios e outros artigos de alto valor estavam entre os bens procurados.

Segundo furto ajudou a polícia a identificar o grupo

Enquanto a investigação do primeiro caso avançava, um novo furto foi registrado no dia 19 de setembro. Imagens das câmeras de segurança mostraram dois homens entrando pelo acesso principal de um condomínio e, posteriormente, movimentando-se pelo prédio antes de invadir apartamentos.

Ao menos três imóveis foram atingidos na segunda ocorrência. Para a Polícia Civil, a repetição do método foi fundamental para estabelecer uma ligação entre os crimes.

Os investigadores também analisaram o veículo utilizado pelo grupo. Segundo a apuração, os suspeitos seriam de São Paulo e teriam alugado um carro em Maceió para realizar as ações. Depois do segundo furto, teriam deixado Alagoas em direção à Bahia.

A identificação do veículo e o cruzamento das informações obtidas durante a investigação contribuíram para localizar suspeitos que já estavam relacionados ao primeiro episódio.

Dois suspeitos foram presos

Um dos investigados, de 38 anos, foi localizado e preso em Feira de Santana (BA), no domingo (20), durante uma ação conjunta das forças de segurança de Alagoas e da Bahia.

Segundo a Polícia Civil, objetos que teriam sido retirados durante o furto mais recente foram encontrados com o suspeito. O veículo apontado como utilizado na ação também foi apreendido. Entre os bens recuperados estão relógios, celular, acessórios e outros produtos avaliados em aproximadamente R$ 113,8 mil.

Ao todo, duas pessoas relacionadas à investigação já haviam sido presas. As equipes policiais continuam realizando diligências para localizar outros possíveis integrantes e verificar se o grupo pode ter participação em crimes semelhantes.

Tecnologia exige protocolos além do reconhecimento facial

O episódio evidencia um desafio crescente para os condomínios que utilizam portaria remota: a tecnologia de controle de acesso precisa estar associada a procedimentos capazes de impedir fraudes na etapa de cadastramento.

A existência de reconhecimento facial não elimina, por si só, os riscos de uma autorização indevida. Se um criminoso consegue fazer com que o próprio rosto seja vinculado a um cadastro aparentemente legítimo, o sistema pode acabar validando uma pessoa que, na realidade, não deveria possuir acesso ao edifício.

Por isso, mecanismos de confirmação de identidade, validação de dados, autenticação das solicitações, registro das alterações cadastrais e monitoramento das movimentações podem integrar uma estratégia mais ampla de proteção.

O episódio de Maceió também reforça a importância de síndicos, administradoras e empresas de segurança avaliarem periodicamente os procedimentos utilizados para incluir ou alterar usuários nos sistemas de acesso.

Em condomínios com portaria remota, a segurança não está concentrada apenas no portão de entrada. Ela envolve também os dados utilizados para autorizar o acesso, os dispositivos tecnológicos, os registros digitais e a capacidade de identificar rapidamente comportamentos fora do padrão

No caso investigado em Maceió, a Polícia Civil continua apurando a participação dos suspeitos e a eventual existência de outros crimes praticados com a mesma estratégia. Até a conclusão das investigações e eventual julgamento, os envolvidos permanecem juridicamente tratados como suspeitos.