Quadrilha invade condomínios em Campinas
Polícia Civil identificou ao menos oito integrantes e investiga relação dos presos com ataques registrados em Cabreúva e Monte Alegre do Sul

A Polícia Civil investiga a atuação de uma quadrilha formada por pelo menos oito homens que invadiu dois condomínios de luxo no distrito de Joaquim Egídio, em Campinas (SP), na quinta-feira (3). Segundo a investigação, o grupo veio da zona Sul da capital paulista e possui ligação com outros ataques registrados no interior do estado.
A informação foi divulgada nesta terça-feira (8) pelo delegado da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Marcel Fehr. De acordo com a polícia, os integrantes seriam moradores de regiões como Paraisópolis e Jardim São Luís.
As investigações apontam que dois dos homens presos possuem vínculos com integrantes de uma quadrilha envolvida em um roubo a condomínio em Monte Alegre do Sul, ocorrido em janeiro deste ano. Um dos suspeitos também teria confessado participação em outro roubo registrado em Cabreúva.
Grupo entrou em dois condomínios
Segundo a Polícia Civil, os suspeitos invadiram inicialmente um condomínio e depois passaram para outro empreendimento localizado nas proximidades.
As imagens analisadas pelos investigadores mostram pelo menos oito homens circulando pelas ruas internas dos residenciais. O grupo estaria procurando imóveis que apresentassem maior facilidade de acesso.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, não havia necessariamente uma residência previamente escolhida. A estratégia teria sido entrar no condomínio e procurar, durante a movimentação pelo local, imóveis considerados mais vulneráveis.
Pelo menos duas casas tiveram tentativa de invasão. Em uma delas, os suspeitos chegaram a quebrar um vidro, mas não conseguiram entrar.
Apesar da invasão, nenhum morador foi rendido e não houve roubo nas residências.
Suspeitos estavam armados e encapuzados
A análise das imagens permitiu identificar pelo menos oito homens envolvidos na movimentação. Segundo a Polícia Civil, quatro armas de fogo aparecem nos registros, aparentemente dois revólveres e duas pistolas.
Os suspeitos utilizavam roupas escuras e estavam encapuzados, o que, de acordo com a investigação, dificultava o reconhecimento.
A presença de armamento aumenta a gravidade do risco para moradores e funcionários, mesmo em uma ocorrência na qual não houve vítimas rendidas ou subtração de bens.
Dois homens foram presos
Um dos presos é Eduardo Pacheco da Silva, de 35 anos. Ele foi localizado na região de Joaquim Egídio na noite da invasão, dentro de uma Fiat Fiorino.
Segundo a Polícia Civil, o homem afirmou que estava no local para buscar integrantes do grupo que haviam participado da invasão. Na abordagem, foram encontradas munições e equipamentos que, conforme a investigação, poderiam estar relacionados à ação.
Eduardo foi preso por porte ilegal de arma, mas acabou liberado após o pagamento de fiança. O inquérito deverá ser encaminhado à DIG para análise conjunta com a investigação sobre a tentativa de roubo aos condomínios.
O segundo suspeito foi detido na sexta-feira (4). Ele já era alvo de um mandado de prisão temporária relacionado a um roubo ocorrido em Cabreúva.
A prisão ocorreu depois que funcionários de uma fazenda próxima perceberam a presença do homem em uma área de mata. Conforme a Polícia Civil, houve luta corporal antes da detenção e a Polícia Militar foi acionada para conduzi-lo à delegacia.
Fuga pela mata foi registrada pelas câmeras
As câmeras de segurança também registraram parte da fuga dos suspeitos.
As imagens mostram os homens encapuzados correndo em grupo e atravessando uma cerca de arame. Alguns teriam pulado a estrutura, enquanto outros passaram por baixo. Um dos integrantes chegou a cair durante a fuga.
Outro registro mostra um veículo chegando ao local com dois homens. Eles desembarcaram e observaram a região, mas os suspeitos já haviam deixado o local pela área de mata.
A polícia realizou buscas com apoio do helicóptero Águia, do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), do canil e de sistemas de monitoramento remoto. Durante as diligências, apenas uma camiseta preta foi localizada nas proximidades.
Investigação apura ligação com outros roubos
A relação dos suspeitos com outros crimes passou a ser uma das linhas de investigação da Polícia Civil.
Segundo a DIG, os dois homens presos possuem vínculos com integrantes de uma quadrilha que participou de um roubo a condomínio em Monte Alegre do Sul, em janeiro. Um dos investigados também teria admitido participação em um assalto ocorrido em Cabreúva.
A apuração busca esclarecer a extensão dessas conexões e verificar se o grupo que esteve em Campinas está relacionado a outras invasões semelhantes registradas no interior paulista.
A identificação dos demais integrantes também será importante para compreender a estrutura da quadrilha e o papel de cada suspeito nas ações investigadas.
Câmeras ajudam na identificação dos invasores
O caso evidencia o papel estratégico dos sistemas de videomonitoramento na segurança condominial.
As imagens permitiram à polícia acompanhar a movimentação do grupo, identificar a quantidade aproximada de integrantes, observar a presença de armas e reconstruir parte da rota utilizada durante a fuga.
Além de registrar ocorrências, sistemas de câmeras bem posicionados podem contribuir para investigações posteriores, principalmente quando conseguem captar acessos, áreas externas, circulação de veículos e pontos de fuga.
Por isso, a manutenção dos equipamentos, a qualidade das imagens e a preservação dos registros são aspectos importantes da estrutura de segurança de um condomínio.
Controle de acesso é parte da prevenção
A ocorrência também chama atenção para a necessidade de protocolos preventivos em condomínios de alto padrão.
Muros, cercas, portões, câmeras e sistemas eletrônicos representam diferentes camadas de proteção, mas sua eficácia depende da integração entre equipamentos e procedimentos.
A identificação de movimentações suspeitas, o acompanhamento das áreas externas e a comunicação rápida entre portaria, segurança e moradores podem contribuir para reduzir vulnerabilidades.
Em situações de invasão, a orientação deve priorizar a preservação da integridade física dos moradores e funcionários, evitando abordagens improvisadas que possam aumentar o risco de confronto.
Caso reforça necessidade de revisão dos protocolos
A invasão dos dois condomínios de Joaquim Egídio mostra que mesmo empreendimentos considerados de alto padrão podem ser alvo de grupos organizados.
Para síndicos e administradoras, ocorrências desse tipo podem servir como oportunidade para revisar os protocolos de segurança, avaliar pontos vulneráveis e verificar o funcionamento dos equipamentos instalados.
A análise deve considerar especialmente cercas e muros, acessos de pedestres e veículos, áreas com baixa iluminação, cobertura das câmeras e comunicação entre os profissionais responsáveis pela segurança.
O objetivo não é criar uma sensação permanente de insegurança, mas identificar falhas e aprimorar os procedimentos antes que uma tentativa de invasão resulte em vítimas ou prejuízos.
A investigação da Polícia Civil continua para localizar os demais suspeitos e esclarecer a participação de cada integrante. As acusações ainda dependem da conclusão das apurações e das decisões das autoridades competentes.
O episódio reforça que a segurança condominial depende de prevenção, monitoramento, controle de acesso e protocolos capazes de responder rapidamente a situações fora da rotina.
Fonte: G1