Pular para o conteúdo
Noticias

Proprietários transformam imóveis em liquidez sem deixar a própria casa

Modelo de venda com permanência no imóvel permite ao proprietário levantar recursos e manter a possibilidade de recompra.

Proprietários transformam imóveis em liquidez sem deixar a própria casa

O imóvel residencial de alto padrão está ganhando uma nova função para proprietários que precisam de dinheiro, mas não querem deixar imediatamente a residência onde vivem. Em vez da venda tradicional, uma modalidade de liquidez imobiliária permite transformar o patrimônio em recursos financeiros e permanecer no imóvel por determinado período.

O modelo é apresentado pela Exame a partir da atuação da Rooftop, empresa que oferece o chamado HomeCash. Na operação, a companhia compra o imóvel e permite que o antigo proprietário continue morando na residência por até 18 meses, mediante o pagamento de aluguel. Durante esse período, existe ainda a possibilidade de recompra do imóvel.

A proposta é direcionada principalmente a imóveis residenciais de alto padrão e aparece como uma alternativa à venda tradicional ou à contratação de crédito bancário. A lógica é utilizar o valor acumulado no patrimônio imobiliário sem que o proprietário precise deixar imediatamente a casa ou o apartamento onde vive.

Segundo dados apresentados pela Rooftop à Exame, 47,4% dos clientes que contrataram uma operação de liquidez imobiliária utilizaram os recursos para reorganizar a vida financeira. Outros 16,5% direcionaram o dinheiro para a própria empresa, enquanto 6% utilizaram a operação para antecipar a venda do imóvel.

O perfil dos clientes também mostra uma concentração entre pessoas com renda elevada. Entre aqueles que informaram seus rendimentos, 68,7% recebem mais de R$ 20 mil por mês. Cerca de 70% têm mais de 50 anos, enquanto 72,8% são homens.

São Paulo concentra 36% dos clientes da Rooftop, de acordo com os dados apresentados pela empresa. O Rio de Janeiro aparece na sequência, com 6% da base.

Em relação à atividade profissional, empresários representam 20,83% dos clientes. Na sequência aparecem incorporadores, com 16,5%, contadores e advogados, ambos com 12,5%, além de arquitetos e médicos ou dentistas, com 8,33% cada.

Os dados apresentados pela empresa indicam que a modalidade não está concentrada necessariamente em proprietários sem renda ou patrimônio. O público descrito pela Rooftop possui imóveis e, em muitos casos, renda elevada, mas procura transformar uma parcela do patrimônio imobiliário em dinheiro para atender a necessidades específicas.

A necessidade de liquidez pode surgir mesmo entre pessoas que possuem patrimônio significativo. Segundo a análise apresentada pela Exame, empresários e profissionais liberais podem enfrentar dificuldades para obter crédito em condições favoráveis quando possuem renda variável ou menos previsível.

Nesse cenário, o imóvel passa a ser utilizado como uma fonte de recursos. A operação permite transformar parte do valor patrimonial em dinheiro sem a necessidade de uma mudança imediata de residência.

O custo do crédito também aparece como um dos fatores relacionados à procura por esse tipo de solução. Em períodos de juros elevados, a contratação de empréstimos pode representar um custo significativo para famílias e empresas. A utilização de um imóvel já quitado ou com elevado valor patrimonial pode, nesse contexto, ser considerada uma alternativa por determinados proprietários.

Segundo a Rooftop, parte dos clientes utiliza os recursos obtidos para substituir dívidas consideradas caras, como aquelas relacionadas ao cartão de crédito e ao cheque especial. Outros direcionam o capital para suas próprias empresas.

A empresa também afirma que a operação não representa necessariamente uma decisão de abandonar o mercado imobiliário. No modelo HomeCash, o proprietário continua residindo no imóvel durante o período contratado e mantém a possibilidade de recomprá-lo.

A estrutura diferencia esse tipo de operação de uma venda tradicional. Na negociação convencional, o proprietário transfere o imóvel e, em regra, deixa de ter a posse direta da residência. No modelo apresentado pela Rooftop, a permanência no imóvel é prevista na própria operação.

A possibilidade de recompra também modifica a relação do antigo proprietário com o patrimônio. Em vez de simplesmente transformar o imóvel em dinheiro e encerrar a relação com o bem, o proprietário pode utilizar os recursos durante determinado período e, caso tenha condições, recomprar a residência posteriormente, conforme as condições estabelecidas no contrato.

A modalidade também não deve ser confundida com um simples empréstimo bancário. A operação apresentada pela empresa envolve a venda do imóvel, seguida da permanência do antigo proprietário na residência mediante aluguel e de uma possibilidade de recompra.

Por isso, antes de contratar uma operação desse tipo, é necessário compreender integralmente as condições contratuais, incluindo preço de venda, aluguel, prazo de permanência, condições para eventual recompra, custos envolvidos e consequências em caso de não exercício da opção.

A análise da Exame também destaca que a hipótese de que esse tipo de operação seria provocado principalmente por herdeiros que desejam vender imóveis recebidos por sucessão não corresponde ao perfil apresentado pela Rooftop.

Segundo a empresa, o público predominante é formado por pessoas com mais de 50 anos, empresários e profissionais liberais que construíram o próprio patrimônio e continuam morando nos imóveis. A sucessão aparece em alguns casos, mas não seria o principal fator apontado para a realização dessas operações.

O fenômeno está relacionado, portanto, a uma mudança na forma de utilização do patrimônio imobiliário. O imóvel deixa de ser considerado apenas um bem destinado à moradia ou à preservação de patrimônio e passa a ser utilizado como instrumento para obtenção de liquidez.

A concentração de patrimônio em imóveis é apontada pela Rooftop como um dos fatores que explicam a existência desse mercado. Segundo a empresa, uma parcela significativa da riqueza das famílias brasileiras está vinculada a propriedades imobiliárias, enquanto esse patrimônio é utilizado em menor escala como fonte de liquidez quando comparado a outros mercados.

Para o proprietário, transformar um imóvel em dinheiro pode atender a diferentes objetivos. Os dados apresentados pela empresa mostram que reorganização financeira e utilização dos recursos na própria empresa estão entre as principais finalidades declaradas pelos clientes.

No mercado imobiliário, esse tipo de operação também evidencia a existência de novas formas de monetização do patrimônio. A venda tradicional deixa de ser a única alternativa para quem possui um imóvel de elevado valor e precisa de recursos, embora cada modalidade tenha características, custos e riscos próprios.

A permanência no imóvel, por sua vez, pode representar um fator relevante para proprietários que desejam preservar a rotina residencial durante o período de reorganização financeira. No caso do HomeCash, a permanência é prevista por até 18 meses, segundo a empresa.

O modelo também mostra como a liquidez pode se tornar uma preocupação mesmo para pessoas classificadas como de alta renda. Ter patrimônio elevado não significa necessariamente possuir dinheiro disponível para atender imediatamente a uma necessidade financeira. Um imóvel pode concentrar grande quantidade de riqueza, mas sua conversão em dinheiro normalmente exige uma operação de venda ou outra forma de utilização do ativo como garantia ou fonte de recursos.

A modalidade apresentada pela Rooftop procura atuar justamente nesse intervalo entre patrimônio e disponibilidade financeira. O proprietário transforma o imóvel em recursos, continua utilizando a residência e, dentro das condições estabelecidas, pode ter a oportunidade de recomprá-la.

Para o mercado imobiliário, a expansão de alternativas desse tipo representa uma mudança na maneira como o patrimônio residencial pode ser utilizado. Além de moradia e investimento, o imóvel passa a ser tratado também como uma fonte potencial de liquidez para situações específicas.

A operação, entretanto, exige atenção aos seus aspectos jurídicos e financeiros. Como existe transferência da propriedade e posterior permanência do antigo proprietário no imóvel, as condições do contrato são fundamentais para definir direitos e obrigações de cada parte.

O proprietário também precisa avaliar o custo total da operação e compará-lo com outras alternativas disponíveis antes de tomar uma decisão. A necessidade de liquidez pode ser imediata, mas a utilização de um patrimônio imobiliário envolve consequências financeiras e patrimoniais que devem ser analisadas individualmente.

O caso mostra, ainda, como o mercado imobiliário vem desenvolvendo soluções para proprietários que desejam acessar o valor de seus imóveis sem necessariamente abandonar a residência no curto prazo. No modelo apresentado pela Exame, a estratégia combina venda, aluguel durante período determinado e possibilidade de recompra.

Com isso, o imóvel passa a desempenhar simultaneamente funções patrimoniais e financeiras. Para determinados proprietários, a estratégia pode representar uma forma de reorganizar recursos, quitar dívidas ou direcionar capital para uma atividade empresarial, enquanto a residência permanece como local de moradia durante o período contratado.

A tendência também reforça a importância de analisar cuidadosamente contratos envolvendo imóveis, especialmente quando a operação foge do modelo tradicional de compra e venda. Prazos, valores, aluguel, condições de recompra e consequências do encerramento do contrato precisam estar claramente estabelecidos.

O modelo HomeCash, apresentado pela Rooftop, atende a um público específico e não representa necessariamente uma solução adequada para todos os proprietários. A própria estrutura da operação exige avaliação individual das condições financeiras, patrimoniais e contratuais.

A experiência relatada pela Exame mostra, contudo, que o patrimônio imobiliário pode assumir diferentes funções ao longo da vida financeira de uma família. Para proprietários que possuem grande parte de sua riqueza concentrada em imóveis, a possibilidade de converter esse patrimônio em liquidez pode se tornar uma alternativa em momentos de necessidade de recursos.