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Projetos de lei visam regular aluguel por temporada no Rio

Rio de Janeiro lidera mercado no Brasil; levantamento revela que, em Ipanema, uma em cada sete moradias é alugada por temporada

Projetos de lei buscam regular aluguéis por temporada enquanto condomínios proíbem locações via plataformas digitais
Foto: Imagem ilustrativa

O mercado de aluguel por temporada por meio de plataformas digitais está em expansão acelerada no Brasil, e o Rio de Janeiro desponta como a cidade líder nesse segmento. Dados levantados pela Reuters, com base na plataforma AirDNA, apontam que, no final de 2024, uma em cada sete moradias em Ipanema estava cadastrada para locação temporária.

A necessidade de regulamentação

Diante do crescimento do mercado, projetos de lei foram apresentados com o objetivo de regulamentar os aluguéis por plataformas digitais. A principal justificativa para tais medidas é a necessidade de estabelecer regras claras para evitar impactos negativos nos condomínios e garantir a segurança dos moradores. Questões como controle de acesso, fiscalização de atividades e pagamento de impostos estão no centro do debate.

Em cidades como Nova York, medidas semelhantes já foram adotadas para conter o avanço desenfreado desse modelo de hospedagem. Na capital financeira dos Estados Unidos, anfitriões só podem alugar suas propriedades se estiverem devidamente registrados junto às autoridades municipais.

Condomínios restringem locação por temporada

Enquanto o poder público discute a regulamentação, vários condomínios brasileiros já tomaram medidas por conta própria. Muitos estão alterando seus regimentos internos para proibir ou restringir aluguéis por plataformas digitais. As principais preocupações envolvem a segurança dos moradores, a alta rotatividade de inquilinos e a preservação do sossego nos prédios residenciais.

A prática também tem impacto na manutenção dos condomínios. Com o fluxo contínuo de novos hóspedes, há maior desgaste das áreas comuns, aumento na geração de lixo e dificuldades na gestão da portaria. Diante desse cenário, síndicos e administradoras têm buscado soluções para equilibrar os direitos dos proprietários com a qualidade de vida dos demais moradores.

Implicações fiscais e tributação

Outro ponto relevante no debate é a tributação sobre os rendimentos obtidos pelos anfitriões. Desde 2020, a Receita Federal intensificou a fiscalização e passou a exigir que plataformas de aluguel por temporada repassem informações sobre os valores arrecadados. A medida visa garantir que os impostos sejam devidamente declarados e recolhidos, impedindo a sonegação de receitas.

Para os proprietários que utilizam esse modelo de negócio, a regularização pode trazer tanto desafios quanto benefícios. Se, por um lado, o cumprimento de novas exigências burocráticas pode encarecer a operação, por outro, regras mais claras podem garantir maior previsibilidade e segurança jurídica para quem deseja alugar seu imóvel por temporada.

Impactos no mercado imobiliário

O avanço dos aluguéis por plataformas digitais também gera impactos no mercado imobiliário tradicional. Em bairros onde a procura por imóveis de temporada é elevada, como em áreas turísticas do Rio de Janeiro, os preços dos aluguéis convencionais podem sofrer alterações. Isso ocorre porque muitos proprietários preferem investir no aluguel por curto período, que pode ser mais lucrativo do que a locação convencional.

Entretanto, essa tendência também levanta preocupações sobre a redução da oferta de imóveis para residentes permanentes e a gentrificação de determinadas regiões. Em resposta a isso, alguns países têm adotado medidas restritivas para equilibrar a oferta de moradias e proteger a população local.

O futuro dos aluguéis por temporada

Com o aumento da popularidade das plataformas de aluguel por temporada, o debate sobre sua regulamentação deve se intensificar nos próximos anos. As decisões tomadas por legisladores, condomínios e órgãos reguladores definirão o futuro desse mercado no Brasil.

Espera-se que novas regras sejam implementadas para garantir um equilíbrio entre o direito dos proprietários de rentabilizar seus imóveis e a necessidade de manter a segurança e qualidade de vida nos condomínios e bairros residenciais. O desafio está em encontrar soluções que atendam a todos os envolvidos, promovendo um ambiente mais harmonioso e regulado para o setor.

Fonte: O Globo