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Projeção em condomínio gera reclamação

Exibição da mensagem em fachada de condomínio durante ato político provocou queixas de moradores e levantou debate sobre uso de áreas residenciais para manifestações

Projeção com nome de João Campos em prédio residencial gera reclamação de moradores no Recife
Foto: Foto: Reprodução

Uma projeção com o nome do pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), realizada na noite da última terça-feira (21), provocou reclamações de moradores do Edifício Mario Bhering, localizado no bairro da Tamarineira, Zona Norte do Recife. A exibição ocorreu durante o evento "Chega Junto", iniciativa de ouvidoria da pré-candidatura do político.

Segundo moradores, a projeção foi feita diretamente na fachada do edifício sem autorização do condomínio. Além do impacto visual, os residentes afirmam que a iluminação invadiu diversos apartamentos e que o volume do som utilizado no evento causou grande incômodo.

O síndico do condomínio, Kassius Roberto de Carvalho, afirmou que a administração não foi comunicada previamente sobre a ação. "Não houve nenhuma procura. Ninguém pediu autorização. Eles simplesmente fizeram a projeção", declarou.

De acordo com o síndico, a projeção atingiu aproximadamente oito a dez andares do prédio, alcançando cerca de 15 apartamentos. Segundo ele, a luz refletida na fachada invadiu os quartos dos moradores.

"A projeção estava entrando nos quartos porque iluminava a fachada do prédio. Dentro dos apartamentos parecia uma boate", relatou.

Kassius também afirmou que o som do evento dificultou a permanência dos moradores em suas unidades.

"Eu moro no 18º andar e o barulho estava tão grande que a gente não conseguia assistir televisão, mesmo com todas as janelas fechadas", disse.

Segundo o síndico, diversos moradores manifestaram insatisfação por meio do grupo de mensagens do condomínio e registraram vídeos da situação. No entanto, não houve uma representação formal em nome do condomínio.

"Ninguém centralizou uma representação pelo condomínio. Cada um que se sentiu incomodado procurou fazer sua denúncia por conta própria", explicou.

Procurada pelo Jornal do Commercio, a comunicação da campanha de João Campos não havia se manifestado até a publicação da reportagem. O espaço permanece aberto para posicionamento.

O que diz o TRE-PE

Em nota, o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) informou que a Justiça Eleitoral somente pode atuar caso seja apresentada uma representação formal por alguém que se considere prejudicado.

O órgão ressaltou ainda que, neste momento, não é possível afirmar se o episódio configura infração à legislação eleitoral, pois isso dependerá da análise jurídica dos fatos. Segundo o tribunal, a situação também poderá ser tratada na esfera cível como um caso de perturbação, sendo que apenas um eventual enquadramento como propaganda eleitoral antecipada atrairia a competência da Justiça Eleitoral.

O episódio reacendeu o debate sobre os limites da utilização de fachadas de condomínios e dos impactos que manifestações e eventos externos podem causar aos moradores, especialmente quando ocorrem sem autorização da administração condominial.

Fonte: JC PE