Proibição das bets pode aumentar vacância de escritórios e movimentar mercado imobiliário em São Paulo
Empresas de apostas ocupam cerca de 16 mil m² de escritórios na capital paulista, com R$ 22,6 milhões em aluguéis anuais, segundo levantamento da SiiLA

Proibição das bets pode aumentar vacância de escritórios e movimentar mercado imobiliário em São Paulo
A proibição das chamadas bets no Brasil pode produzir efeitos que vão além do mercado de apostas e das discussões relacionadas ao endividamento das famílias e à arrecadação de impostos. A medida também pode provocar mudanças no mercado imobiliário corporativo, especialmente com a possível desocupação de escritórios utilizados por empresas do setor.
Segundo levantamento da consultoria imobiliária SiiLA, empresas ligadas às bets ocupam aproximadamente 16 mil metros quadrados de escritórios. Os contratos identificados representam cerca de R$ 22,6 milhões em aluguéis por ano.
A análise foi divulgada pelo Estadão após a medida que proibiu a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no país. Segundo o governo federal, a medida alcança tanto apostas esportivas quanto jogos online.
Betano tem a maior locação entre as bets
Entre os contratos identificados pela SiiLA, a Betano possui o maior escritório entre as empresas de apostas analisadas.
A companhia ocupa aproximadamente 3,7 mil m², com aluguel anual estimado em R$ 8,6 milhões.
Na sequência aparecem a Betnacional, com 804 m² na região da Faria Lima e custo anual de R$ 3,2 milhões; a Novibet, com 1,9 mil m² na região da Avenida Chucri Zaidan e aluguel anual de R$ 2,3 milhões; e a Superbet, que ocupa 1,2 mil m², com custo anual de R$ 1,2 milhão.
Vacância pode ter pequena alta
Em um cenário de proibição total das empresas de apostas, a SiiLA estima que a taxa de vacância dos escritórios em São Paulo poderia passar de 15,88% para 16,02%.
O levantamento, portanto, aponta uma alteração relativamente pequena no indicador geral de vacância da cidade.
Segundo Giancarlo Nicastro, CEO e fundador da SiiLA, o impacto da saída das bets pode ser limitado diante da demanda existente por espaços corporativos e do movimento de retorno ao trabalho presencial.
Mercado já possui demanda por novos espaços
Um dos fatores considerados na análise é a retomada da ocupação dos escritórios por empresas que ainda precisam reorganizar seus espaços após as mudanças provocadas pela pandemia.
De acordo com Nicastro, os setores financeiro, jurídico e de tecnologia estão entre os principais ocupantes do mercado de escritórios.
Nesse contexto, espaços eventualmente deixados pelas empresas de apostas podem despertar interesse de companhias que estejam ampliando suas operações ou reorganizando suas estruturas físicas.
Fintechs podem ocupar espaços deixados pelas bets
Entre os possíveis interessados nos imóveis estão empresas do setor financeiro e fintechs.
A avaliação apresentada pela SiiLA considera que algumas companhias ainda não conseguiram acomodar completamente seus funcionários nos escritórios após a expansão do trabalho remoto.
Com a retomada da presença física, áreas anteriormente ocupadas por empresas de apostas podem encontrar novos usuários no próprio mercado corporativo.
Maior locação de escritórios de SP também mostra força do mercado
O momento também coincide com grandes movimentações no mercado imobiliário corporativo paulista.
Recentemente, o Itaú fechou a maior locação de escritórios da história de São Paulo, segundo o levantamento citado pelo Estadão.
O banco ocupará as duas torres do complexo Esther Towers, na Avenida Chucri Zaidan. O negócio deve gerar receita de locação estimada em R$ 1,17 bilhão ao longo de dez anos para a Eztec.
A operação é citada como exemplo da demanda existente por grandes espaços corporativos na capital.
Desocupação não deve acontecer imediatamente
Mesmo com a proibição das bets, a eventual saída das empresas dos imóveis não necessariamente ocorrerá de forma imediata.
Segundo a SiiLA, a desocupação pode levar semanas ou meses, dependendo das condições de cada contrato.
Também existem possíveis multas relacionadas à rescisão antecipada dos contratos, que podem ser negociadas ou parcialmente compensadas por elementos deixados pelas empresas nos imóveis, como mobiliário.
Bets também ocupam escritórios fora de São Paulo
O levantamento da SiiLA identificou ainda aproximadamente 2.838 m² de escritórios ocupados por empresas de apostas em outras cidades brasileiras.
Os espaços estão distribuídos entre Belo Horizonte, Campinas, Porto Alegre e Rio de Janeiro.
Embora São Paulo concentre a maior parte dos espaços identificados, a movimentação das empresas pode produzir efeitos também em outros mercados regionais de escritórios.
Mercado imobiliário acompanha mudanças no setor corporativo
A possível saída das bets adiciona uma nova variável ao mercado de escritórios, mas os dados apresentados pela SiiLA indicam que o impacto sobre a vacância geral de São Paulo tende a ser limitado.
Ao mesmo tempo, a movimentação mostra como mudanças regulatórias em determinados setores podem produzir efeitos sobre contratos de locação, ocupação de edifícios e demanda por espaços corporativos.
Com empresas financeiras, de tecnologia e outros segmentos ampliando ou reorganizando suas estruturas físicas, os imóveis eventualmente desocupados pelas bets podem entrar novamente no mercado e encontrar novos ocupantes.