Prédio interditado é saqueado durante evacuação em Olinda
Moradores relatam cenas de terror durante saída às pressas de edifício em Olinda, com furtos de janelas, canos e outros itens em plena luz do dia

Moradores relatam cenas de terror durante saída às pressas de edifício em Olinda, com furtos de janelas, canos e outros itens em plena luz do dia
Moradores do bloco B do Edifício JK, situado na Quadra 46 do bairro Rio Doce, em Olinda (PE), viveram momentos de desespero e insegurança durante a desocupação emergencial determinada pela Defesa Civil. O prédio foi interditado após a constatação de sérios riscos estruturais, e os moradores receberam um prazo de apenas 24 horas para deixar o local. No entanto, o que deveria ser uma ação preventiva para proteger vidas se transformou em uma cena caótica, com relatos de saque e depredação enquanto os moradores ainda retiravam seus pertences.
Segundo os moradores, criminosos aproveitaram o momento de vulnerabilidade e invadiram os apartamentos, levando objetos, janelas, canos e até grades, em plena luz do dia. O cenário se agravou na manhã seguinte, quando o edifício foi encontrado ainda mais depredado e vazio.
“Foi uma cena de terror, foi uma loucura aqui. Um quebra-quebra, um saque e os moradores estavam dentro. A gente ficou chocado. Eu ainda estou em estado de choque, porque tiraram grade, tiraram até o cano de fezes, quebraram telhas, arrancaram tudo. Foi uma cena de terror mesmo”, relatou Fabiana Silva, esteticista e moradora de um prédio vizinho.
Antônio Oliveira, maquiador e morador da quadra ao lado há 30 anos, expressou preocupação com a onda de vandalismo que, segundo ele, vem se alastrando pela região.
“Dá medo, porque o vandalismo está tomando conta, está alcançando as áreas que não têm nada a ver. Um prédio desses é condenado e a turma, da noite para o dia, consegue depredar de uma maneira que vai-se embora tudo. Ontem, passei por aqui e ainda tinha morador aí”, afirmou.
Além dos furtos generalizados, os moradores denunciaram um incêndio no quadro de energia do prédio interditado, causado por roubo de componentes elétricos. Apesar de diversas solicitações de ajuda, os relatos indicam que a presença policial foi pontual e pouco efetiva.
“Um carro da polícia apareceu, atirou para cima e foi embora”, relatou Andreza Leão, analista comercial.
Outros edifícios na região também foram impactados. Carla Correia, técnica em segurança do trabalho, relatou que o prédio em que morava na Quadra 42 também foi interditado. Segundo ela, o processo de desocupação foi igualmente conturbado.
“A informação foi passando de boca em boca e, do nada, começou a aparecer pessoas para saquear. Não deu tempo. Muitos moradores que estavam trabalhando nem tiveram a opção de tirar seus pertences”, lamentou.
O que dizem as autoridades
A prefeitura de Olinda afirmou que a interdição foi motivada por risco estrutural detectado após vistoria da Defesa Civil, que identificou ausência de manutenção, rachaduras, armaduras expostas e vícios de construção. O laudo técnico foi encaminhado à Companhia Estadual de Habitação e Obras (Cehab), que ficará responsável pela análise e pelas medidas assistenciais cabíveis.
Ainda segundo o município, cabe às seguradoras garantir a manutenção e segurança dos imóveis, e a prefeitura tem oferecido suporte às famílias que não dispõem de recursos para realizar a mudança por conta própria.
Em nota, a Polícia Militar declarou que intensificou as ações preventivas e repressivas na região, com rondas frequentes. No entanto, admitiu que não houve detenção de suspeitos durante as ocorrências mencionadas pelos moradores.
Alerta à gestão condominial
O caso evidencia a urgência de protocolos mais eficazes de evacuação e segurança em situações de emergência estrutural, especialmente em áreas residenciais coletivas. A ausência de policiamento adequado e de planejamento logístico deixa moradores ainda mais expostos, agravando traumas e perdas materiais.
A experiência vivida pelos moradores do Edifício JK serve de alerta para síndicos, administradoras, engenheiros e autoridades locais quanto à importância de uma gestão preventiva e de um plano de ação emergencial bem estruturado em condomínios e conjuntos habitacionais.
Fonte: G1