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Prédio popular vira hotel em São Paulo

Empreendimento com unidades destinadas à habitação popular estaria sendo usado para hospedagem, o que pode violar legislação municipal

Prédio com incentivo habitacional vira hotel e levanta investigação na região da Paulista
Foto: Prédio construído com incentivo para habitação social vira hotel na região da avenida Paulista

Um empreendimento imobiliário localizado nas proximidades da Avenida Paulista está no centro de uma investigação por possível desvirtuamento de finalidade. O prédio, construído com incentivos voltados à habitação popular, estaria sendo utilizado como hotel, o que pode configurar violação da legislação municipal.


O Cozzy Premium Paulista se apresenta comercialmente como um hotel quatro estrelas, oferecendo serviços como café da manhã, piscina e academia, com diárias que variam entre R$ 485 e R$ 1.300. No entanto, o certificado de conclusão emitido pela prefeitura, em junho de 2025, indica que o edifício é majoritariamente residencial, com 91 unidades classificadas como Habitação de Mercado Popular (HMP) e apenas 19 destinadas à hospedagem.

De acordo com a legislação municipal, imóveis enquadrados como HMP devem ser utilizados exclusivamente para moradia de famílias com renda limitada, sendo proibida a locação por curta temporada ou o uso para hospedagem durante um período mínimo de dez anos após a conclusão da obra.

A denúncia foi apresentada pelo Nabil Bonduki, que apontou indícios de que o uso como hotel estaria ocorrendo de forma ampliada, além das unidades autorizadas. Imagens registradas pelo parlamentar mostram a entrada de hóspedes no local, reforçando a suspeita de irregularidade.

Em resposta, a rede Cozzy afirmou operar de forma regular e declarou que teria realizado uma mudança de uso junto à prefeitura para funcionamento integral como hotel. O responsável pelo empreendimento, Jesse Botaro Junior, também afirmou que há oferta de locação mensal nas unidades HMP, embora a legislação considere a curta temporada como modalidade de hospedagem proibida nesses casos.

Outro empreendimento da mesma rede, o Cozzy Suítes Paraíso, também foi identificado como majoritariamente residencial em seu registro, com 80 unidades HMP, o que amplia o alcance das discussões sobre o uso irregular desse tipo de imóvel.

Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que o caso está em apuração e reforçou que a legislação proíbe a utilização de unidades HMP para locação de curta duração. Caso sejam confirmadas irregularidades, poderão ser aplicadas sanções administrativas, incluindo autuações e multas.

O desvirtuamento de imóveis destinados à habitação popular já é alvo de investigações pelo Ministério Público e também está sendo discutido em Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara Municipal.

Dados do setor indicam que cerca de 75% dos lançamentos imobiliários recentes incluem unidades HIS e HMP, que contam com incentivos públicos. A administração municipal informou já ter aberto 934 processos para apurar irregularidades em mais de 159 mil unidades, com 24 empreendimentos autuados e multas que somam R$ 7,7 milhões.

O caso reforça um alerta importante para o setor condominial e imobiliário: o uso irregular de unidades pode comprometer políticas habitacionais, gerar penalidades legais e impactar diretamente a credibilidade dos empreendimentos.

Fonte: Folha de São Paulo