Noticias

Porteiro pega 27 anos por sequestrar moradora em condomínio de SP

Funcionário de condomínio de luxo no Campo Belo teria facilitado a entrada dos criminosos; vítima foi rendida na garagem e mantida sob poder da quadrilha por cerca de três horas

Porteiro pega 27 anos por sequestro de moradora em SP.webp
Porteiro pega 27 anos por sequestro de moradora em SP · Foto: Reprodução

Porteiro é condenado a 27 anos por sequestro de moradora em condomínio de luxo em SP

O porteiro Robson Silva da Cruz, de 41 anos, foi condenado a 27 anos de prisão por participação no sequestro de uma moradora do condomínio de luxo onde trabalhava, localizado no bairro Campo Belo, Zona Sul de São Paulo. O crime ocorreu em maio deste ano.

Segundo as investigações da Polícia Civil, Robson facilitou a entrada dos criminosos no prédio. Imagens do circuito de segurança mostram o carro dos assaltantes acessando a garagem do condomínio sem passar pelo sistema de reconhecimento facial, o que levantou suspeitas.

A vítima foi surpreendida ao chegar para estacionar o seu veículo. Ao notar que a vaga estava ocupada por outro carro, ela desceu para verificar o que estava acontecendo e foi imediatamente rendida pela quadrilha. A moradora viveu momentos de terror durante cerca de três horas em poder dos criminosos.

Mudança de versão

Durante as investigações, o porteiro apresentou versões contraditórias. Inicialmente, em depoimento, ele alegou que liberou a entrada do veículo acreditando se tratar de um morador que não estava conseguindo entrar. Na ocasião, teria sido fornecido o nome “Florêncio Pereira” para a abertura do portão.

Posteriormente, Robson mudou a versão e confessou ter liberado o acesso da quadrilha, mas justificou a ação alegando ter sido coagido. Segundo a polícia, o porteiro afirmou que os indivíduos possuíam fotos suas e de sua família e teriam ameaçado fazer mal aos seus parentes caso ele não auxiliasse na empreitada criminosa.

Extorsão e abandono da vítima

Segundo o boletim de ocorrência, após fugirem do condomínio, os criminosos desativaram a localização do celular da vítima e a forçaram a desbloquear o aparelho por meio do reconhecimento facial.

A quadrilha conseguiu transferir R$ 3.300 — todo o dinheiro que ela tinha na conta — e ainda tentou realizar outras transações financeiras, incluindo empréstimos. As operações de crédito não foram concluídas porque o horário não permitia.

A moradora foi abandonada próximo a um posto de combustíveis, onde conseguiu pedir ajuda.

Investigações e condenação

Um detalhe considerado importante para as investigações foi o registro de uma ligação feita pelos assaltantes, indicando que outras pessoas poderiam estar envolvidas na ação. As investigações continuam para localizar os demais integrantes do grupo.

Na época do sequestro, Robson havia sido denunciado pelo Ministério Público de São Paulo por roubo e extorsão. Contudo, a Justiça considerou sua participação fundamental para a execução do crime, utilizando esse entendimento como base para determinar a pena.

A juíza responsável pelo caso imputou ao porteiro os crimes praticados pelos executores, por entender que ele prestou auxílio material à dinâmica criminosa. Esse entendimento levou à fixação da pena em 27 anos de prisão.