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Polícia investiga cobrança de “taxa do tráfico” em condomínio de Madureira, na Zona Norte do Rio

Após denúncia de assembleia que discutia repasse de valores a grupo criminoso, polícia abre inquérito para apurar extorsão e intimidações contra moradores do condomínio.

Polícia investiga cobrança de “taxa do tráfico” em condomínio de Madureira, na Zona Norte do Rio
Foto: Foto: Reprodução

A Polícia Civil do Rio de Janeiro instaurou inquérito para apurar denúncias de que um condomínio residencial localizado no bairro de Madureira, Zona Norte da capital, teria convocado uma assembleia condominial para discutir a criação de uma taxa mensal a ser paga ao crime organizado. A informação, inicialmente revelada por veículos especializados no setor condominial, foi confirmada por reportagem do portal G1 nesta terça-feira (7).

De acordo com a investigação, moradores teriam sido intimidados por criminosos ligados a uma facção que atua na região e coagidos a aprovar o pagamento da chamada “taxa do tráfico”. O objetivo seria garantir uma suposta “proteção” à comunidade condominial, o que, na prática, caracteriza um esquema de extorsão.

Segundo fontes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), moradores relataram pressões psicológicas e ameaças diretas, principalmente contra aqueles que resistiram à ideia. A polícia está colhendo depoimentos e analisando documentos relacionados à convocação da assembleia, incluindo registros de comunicação interna do condomínio.

O conteúdo da convocatória teria deixado moradores alarmados, pois indicava a necessidade de votar a aprovação de uma contribuição mensal com destino não especificado, mas supostamente vinculado à manutenção da “ordem e segurança” no local. A Draco acredita que a medida foi uma tentativa de institucionalizar, sob aparência legal, uma cobrança feita por criminosos.

Além da investigação policial, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro também acompanha o caso. O órgão poderá oferecer denúncia por associação criminosa, extorsão e conivência de administradores caso sejam confirmadas participações ou omissões de representantes legais do condomínio, como síndico, subsíndico ou administradora.

Para especialistas em direito condominial, a situação é extremamente grave. Nenhuma assembleia de condomínio pode deliberar sobre temas que envolvam atos ilícitos ou comprometam a integridade dos condôminos. “Qualquer aprovação que envolva repasse de dinheiro a criminosos é nula de pleno direito e pode resultar em responsabilização penal e cível dos envolvidos”, afirmou um advogado consultado pela reportagem.

Em nota, a Polícia Civil orientou que moradores que se sintam coagidos devem registrar ocorrência o mais rápido possível e reforçou que denúncias anônimas podem ser realizadas por meio do Disque-Denúncia, pelo telefone 2253-1177.

A Draco e o 9º BPM (Rocha Miranda) monitoram a região, e medidas estão sendo planejadas para preservar a integridade dos moradores e restaurar a ordem pública no condomínio.

Este caso levanta um grave alerta sobre o avanço do poder paralelo em áreas urbanas e a necessidade de fortalecer políticas públicas de segurança nos condomínios da cidade. Especialistas defendem que síndicos e administradoras redobrem os cuidados com as deliberações em assembleias e acionem as autoridades imediatamente diante de qualquer sinal de coação ou tentativa de interferência criminosa.

Fonte: G1