Polícia investiga queda de elevador em condomínio
Investigação ocorre três meses após acidente em João Pessoa que deixou mulher paraplégica; síndico e empresa de manutenção devem prestar esclarecimentos

A Polícia Civil realizou uma nova etapa da investigação sobre o acidente envolvendo um elevador que despencou do terceiro andar de um condomínio residencial no bairro do Altiplano, em João Pessoa, na Paraíba. A perícia ocorreu nesta terça-feira (1º), cerca de três meses após o acidente que deixou uma mulher e os dois filhos feridos.
A investigação busca esclarecer as circunstâncias da queda e identificar eventuais responsabilidades relacionadas ao funcionamento e à manutenção do equipamento. Segundo a Polícia Civil, o trabalho pericial contou com dois peritos e uma equipe de apoio.
O acidente aconteceu em maio, quando a cabine do elevador despencou do terceiro andar até o fosso do prédio. Dentro do equipamento estavam uma mulher de 36 anos e seus dois filhos, de 3 e 5 anos.
Após a queda, os três ficaram presos na cabine e precisaram ser socorridos inicialmente por moradores do próprio condomínio. Na sequência, equipes do Corpo de Bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) participaram do atendimento.
Mulher sofreu consequências mais graves
Entre as vítimas, a mãe foi quem apresentou os ferimentos mais graves. Após o acidente, ela sofreu uma lesão grave na coluna vertebral e posteriormente teve o diagnóstico de paraplegia confirmado pela equipe médica.
O diagnóstico foi divulgado pelo Hospital de Trauma de João Pessoa poucos dias depois do acidente. A vítima precisou passar por tratamento e cirurgia para estabilização da coluna em razão das lesões provocadas pelo impacto da queda.
As duas crianças, por outro lado, sofreram apenas escoriações e receberam atendimento médico após o acidente.
O Condomínio Interativo acompanhou o caso desde os primeiros momentos e publicou, em maio, a informação sobre a queda do elevador e o resgate das três vítimas.
Posteriormente, a reportagem também informou sobre o diagnóstico de paraplegia da moradora, que passou a enfrentar consequências permanentes decorrentes do acidente.
Perícia busca esclarecer responsabilidades
Com o avanço da investigação criminal, a Polícia Civil realizou a perícia no condomínio para analisar as condições do equipamento e reunir elementos que possam ajudar a esclarecer as causas da queda.
Entre as pessoas que deverão prestar esclarecimentos estão o síndico do condomínio e representantes da empresa responsável pela manutenção dos elevadores. A própria moradora que estava dentro da cabine com os filhos também deverá ser ouvida.
A investigação deverá analisar documentos, informações técnicas e demais elementos relacionados ao funcionamento do elevador antes e no momento do acidente.
Condomínio já havia relatado problemas nos elevadores
O caso ganhou ainda mais atenção porque o condomínio já havia relatado problemas relacionados aos elevadores antes do acidente.
Documentos apresentados no processo movido pelo condomínio contra a construtora apontavam registros anteriores de travamentos, interrupções, falhas em sistemas de segurança e outros problemas técnicos nos equipamentos desde a entrega do empreendimento, em 2023.
Antes mesmo da queda, o condomínio já havia recorrido à Justiça em razão das falhas apontadas nos elevadores. Reportagens publicadas pelo Condomínio Interativo após o acidente também mostraram que laudos técnicos haviam identificado problemas considerados graves nos equipamentos.
Laudos apontaram falhas graves
Após o acidente, informações técnicas analisadas pelo Condomínio Interativo apontaram uma série de irregularidades nos elevadores do empreendimento.
Entre os problemas identificados estavam falhas relacionadas à segurança, ausência de dispositivos de resgate emergencial, problemas na instalação elétrica, aterramento inadequado e outras condições que levantaram questionamentos sobre o funcionamento dos equipamentos.
Um dos documentos também apontou problemas na máquina de tração do elevador envolvido no acidente e recomendou a substituição do equipamento.
Na época, a Justiça da Paraíba chegou a determinar a substituição integral dos elevadores do condomínio após o acidente. A decisão considerou os problemas apontados nos equipamentos e determinou medidas relacionadas à segurança dos moradores.
Investigação continua
A nova perícia representa mais uma etapa na apuração do acidente que teve consequências graves para uma família.
Além da investigação criminal, o caso envolve discussões sobre manutenção preventiva, responsabilidade técnica, fiscalização dos equipamentos e dever de segurança dentro dos condomínios.
Até o momento, a investigação ainda não estabeleceu, de forma definitiva, eventual responsabilidade criminal pelo acidente. A perícia e os depoimentos deverão contribuir para esclarecer as circunstâncias da queda e determinar quais fatores podem ter contribuído para o episódio.
O caso reforça um alerta para síndicos e administradoras: elevadores são equipamentos de uso cotidiano e alto risco, e a manutenção preventiva, o acompanhamento técnico e a adoção imediata de medidas diante de falhas ou alertas são fundamentais para preservar a segurança dos moradores.
Fonte: G1