Polêmica em Belo Horizonte: moradora se recusa a pagar taxa extra e caso reacende debate sobre dever coletivo em condomínios
Professora aposentada de 62 anos se negou a pagar taxa para conserto do elevador, alegando não utilizá-lo.

Um condomínio residencial localizado em uma movimentada avenida de Belo Horizonte se tornou palco de uma polêmica que reacendeu um dos debates mais recorrentes na vida condominial: o equilíbrio entre o direito individual e o interesse coletivo.
Em abril de 2025, a professora aposentada Josefa Ramos, de 62 anos, moradora do sexto andar há mais de uma década, se recusou a pagar uma taxa extraordinária aprovada em assembleia para o conserto do elevador social, danificado por mau uso.
Segundo Josefa, a cobrança era injusta, pois ela quase não utilizava o elevador, preferindo as escadas como parte de sua rotina saudável.
“Não faz sentido pagar por algo que não uso”, afirmou a moradora aos vizinhos, que se dividiram diante do argumento.
A decisão de não pagar a taxa rapidamente gerou debates intensos no prédio sobre as responsabilidades individuais e os deveres de cada condômino.
O que diz a lei
De acordo com o Código Civil, em seu artigo 1.336, inciso I, é dever do condômino “contribuir para as despesas do condomínio, na proporção de suas frações ideais”. Essa obrigação inclui não apenas as despesas ordinárias, mas também as taxas extraordinárias, independentemente de o morador usufruir ou não diretamente do serviço ou área comum.
A Lei dos Condomínios (Lei nº 4.591/64) reforça que, uma vez aprovada em assembleia, a cobrança se torna obrigatória para todos, inclusive para quem votou contra ou declarou não usar determinado serviço.
Isso significa que a decisão coletiva tem força legal e deve ser cumprida, sob pena de multas, juros ou ação judicial por inadimplência.
Consequências da recusa
Após algumas semanas de impasse, o condomínio registrou o débito em nome de Josefa e iniciou um procedimento de cobrança amigável. Ao procurar um advogado especializado, a moradora foi orientada de que sua recusa violava tanto o Código Civil quanto a convenção interna do edifício.
Com isso, Josefa realizou o pagamento, ainda que de forma tardia, evitando medidas judiciais mais severas. O episódio serviu como alerta para outros moradores, reforçando a importância de conhecer as normas condominiais e participar ativamente das decisões em assembleia.
A importância da coletividade
O caso de Josefa exemplifica uma situação comum em condomínios brasileiros: a dificuldade em compreender que, ao viver em comunidade, as decisões tomadas democraticamente devem ser respeitadas por todos.
As contribuições financeiras visam manter a estrutura, segurança e valorização do patrimônio coletivo, e o descumprimento dessas obrigações compromete a harmonia e o funcionamento do condomínio.
Especialistas ressaltam que, além de cumprir as deliberações aprovadas, os moradores devem buscar transparência e diálogo com o síndico e o corpo diretivo, garantindo uma convivência equilibrada e colaborativa.
O episódio terminou de forma conciliadora, mas deixou uma lição clara: em condomínios, o coletivo sempre prevalece sobre o individual, e a harmonia depende do respeito mútuo às regras que sustentam a vida em comunidade.
Fonte: Revista Fórum