PL nacional busca regulamentar presença de cães de suporte emocional em condomínios após repercussão de caso no ES
Proposta apresentada na Câmara dos Deputados pretende garantir direitos de pessoas com TEA, deficiência intelectual e transtornos mentais que dependem de animais de apoio emocional.

A repercussão de um episódio envolvendo a circulação de um cão de suporte emocional em um condomínio da Serra, no Espírito Santo, desencadeou um movimento nacional que agora chega oficialmente ao Congresso. Após ampla discussão pública, o deputado federal Da Vitória (Progressistas-ES) apresentou o Projeto de Lei 5.891/25, que pretende regulamentar, em todo o país, o direito de pessoas com deficiência, Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras condições de saúde a permanecer e circular acompanhadas de animais de assistência ou cães de suporte emocional.
A proposta nasce como resposta à lacuna jurídica existente no Brasil: embora cães-guia já tenham legislação específica, animais de suporte emocional ainda não possuem regras claras relacionadas à permanência em condomínios, estabelecimentos privados, espaços públicos e meios de transporte. Para especialistas em direito condominial, essa ausência normativa gera interpretações divergentes, conflitos entre moradores e insegurança jurídica para síndicos e administradores.
Segundo Da Vitória, a repercussão nacional de episódios recentes evidenciou a necessidade urgente de regulamentação. O parlamentar destaca que familiares, profissionais de saúde e entidades ligadas ao autismo têm manifestado apoio à proposta, que reconhece esses animais como instrumentos terapêuticos essenciais para a qualidade de vida de milhares de pessoas.
O PL 5.891/25 estabelece regras objetivas:
- Reconhecimento formal dos cães de suporte emocional como apoio terapêutico;
- Permissão de circulação em áreas comuns de condomínios e espaços coletivos;
- Proibição de qualquer cobrança ou multa pela presença desses animais;
- Exigência de laudo médico ou psicológico para comprovação da necessidade;
- Obrigatoriedade de vacinação, identificação e condições adequadas de higiene do animal.
Para psicólogos e terapeutas especializados em TEA e transtornos emocionais, os animais de suporte representam um elo fundamental para segurança emocional, autonomia e estabilidade comportamental — especialmente para crianças e adolescentes. Já para administradores de condomínios, o projeto pode trazer mais clareza, padronização e segurança jurídica para situações que hoje geram conflitos constantes.
O texto começará sua tramitação na Câmara dos Deputados, passando pelas comissões temáticas antes de seguir ao plenário. A expectativa é que o debate envolva tanto entidades de defesa de pessoas com deficiência quanto representantes do setor condominial, buscando um equilíbrio entre inclusão e regras de convivência.
Com o avanço do PL, o tema promete ganhar ainda mais destaque no cenário nacional, trazendo luz à importância da acessibilidade emocional e ao papel que os animais de apoio desempenham na vida de milhares de brasileiros.
Fonte: Tempo Novo