Pitbull invade apartamento e mata filhote
Ataque dentro de apartamento durou cerca de cinco minutos, deixou outro cão ferido e provocou mal-estar em moradora após o resgate

Um episódio envolvendo um pitbull provocou momentos de tensão em um condomínio de Campo Grande (MS) após o animal invadir um apartamento pelo térreo e atacar dois cães que pertenciam a uma família. O ataque durou cerca de cinco minutos e terminou com a morte de uma cadela filhote de sete meses.
O imóvel pertencia aos pais da funcionária pública Sibely Lima Costa. No momento da ocorrência, a família estava preocupada em manter os filhos pequenos, de 2 e 6 anos, em segurança. A porta do cômodo havia sido trancada, mas o cão conseguiu acessar o apartamento ao pular pela janela.
Depois de entrar no imóvel, o pitbull avançou contra os animais de estimação da família. A situação exigiu uma reação imediata dos moradores para impedir que o ataque alcançasse as crianças e para tentar salvar os pets.
O aposentado Francisco de Assis Rodrigues Costa, avô das crianças, foi uma das pessoas que tentou conter o animal. Durante a ação, utilizou um banquinho de plástico que estava no quarto para afastar o pitbull e conseguiu prensar a cabeça do cão contra um móvel.
A esposa de Francisco também participou da tentativa de contenção, segurando o animal pela coleira. Após o resgate, entretanto, ela passou mal em razão do estresse provocado pela situação e precisou ser levada ao hospital.
Os animais da família também sofreram consequências graves. A cadela Nina ficou ferida e precisou passar por cirurgia. Segundo as informações apresentadas no relato, o animal conseguiu sobreviver e se recupera em casa.
Já a filhote Caju, de apenas sete meses, não resistiu aos ferimentos provocados pelo ataque e morreu.
A perda afetou especialmente as crianças da família. O pequeno Ravi Costa Cavalcanti, de 6 anos, lamentou a morte da cadela, que fazia parte da rotina familiar.
"Ela gostava muito de correr e lamber a gente. Ela virou da nossa família", afirmou o menino.
O episódio também voltou a chamar atenção para a necessidade de medidas de prevenção envolvendo cães de grande porte em áreas residenciais. Em condomínios, situações desse tipo podem atingir não apenas os tutores dos animais, mas também crianças, idosos, funcionários, visitantes e outros pets.
A ocorrência ganhou ainda mais repercussão diante de outro ataque registrado em Campo Grande no mesmo mês. No dia 9, um homem ficou gravemente ferido após ser atacado por outro pitbull no bairro Jardim das Hortênsias.
A legislação municipal de Campo Grande estabelece regras relacionadas à condução e à guarda de animais. Para cães de médio e grande porte, a condução em vias públicas deve ser feita por pessoas maiores de 18 anos e com força física suficiente para controlar o animal.
As normas também estabelecem responsabilidade dos tutores pelos danos provocados pelos animais, inclusive quando as ocorrências acontecem em propriedades privadas, conforme as regras municipais mencionadas no relato.
O descumprimento das obrigações relacionadas à guarda responsável pode resultar em penalidades administrativas. A legislação citada prevê multas que podem chegar a R$ 3.355,50, dependendo da infração.
Além das obrigações legais, episódios envolvendo animais de grande porte dentro de condomínios levantam questões práticas de segurança. Portões, janelas, áreas de circulação, corredores, elevadores e espaços de convivência precisam ser considerados na prevenção de ocorrências que possam colocar moradores e animais em risco.
Outro ponto envolve a responsabilidade individual dos tutores. A convivência entre diferentes moradores exige que os animais sejam mantidos sob condições adequadas de segurança e controle, especialmente quando existe possibilidade de acesso a áreas comuns ou a imóveis de terceiros.
O adestrador Tailton Sena Caetano também apresenta orientações sobre como agir diante de um cão que demonstre comportamento ameaçador. Segundo ele, a reação de uma pessoa pode influenciar a evolução da situação, principalmente antes de um ataque.
Quando o cão apenas se aproxima de maneira ameaçadora, a recomendação apresentada é evitar correr ou gritar. A orientação é permanecer imóvel, manter os braços próximos ao corpo e evitar encarar diretamente o animal.
Outra medida indicada é tentar criar uma barreira entre a pessoa e o cão, utilizando objetos ou estruturas disponíveis no ambiente, como portões, veículos ou outros obstáculos, sempre evitando movimentos bruscos.
Em uma situação em que o ataque já esteja acontecendo, entretanto, o cenário se torna mais complexo e perigoso. O especialista citado no relato apresenta técnicas de contenção física para interromper o ataque, mas esse tipo de intervenção envolve riscos significativos de mordidas e ferimentos.
Por esse motivo, a prioridade deve ser buscar ajuda e acionar os serviços de emergência quando houver risco à integridade física de pessoas. Em situações envolvendo crianças, a retirada delas da área de perigo deve ser considerada uma prioridade.
O caso de Campo Grande demonstra como uma ocorrência envolvendo animais pode evoluir rapidamente dentro de um ambiente residencial. Uma janela aparentemente acessível foi suficiente para permitir a entrada do cão no apartamento e desencadear um ataque com consequências graves.
Para condomínios, o episódio reforça a importância de medidas preventivas relacionadas à circulação e à contenção de animais, além da observância das regras municipais aplicáveis. A responsabilidade pela guarda permanece com o tutor, mas a administração condominial também pode atuar na orientação dos moradores e na organização das normas internas.
A ocorrência também evidencia que a segurança de animais domésticos está diretamente relacionada à segurança dos próprios moradores. Crianças, idosos e pessoas que tentam separar brigas entre cães podem ficar expostos a riscos durante situações de agressividade animal.
A morte de Caju e os ferimentos sofridos por Nina mostram o impacto que um episódio desse tipo pode provocar em uma família. Além dos danos físicos, a ocorrência pode gerar consequências emocionais para moradores que presenciam ou participam de uma situação de ataque.
A adoção de medidas de guarda responsável, o cumprimento da legislação e a atenção às condições de segurança dos animais são, portanto, elementos importantes para reduzir o risco de novos episódios em ambientes residenciais.
Em condomínios, onde diferentes famílias compartilham espaços e rotinas, a prevenção depende também do respeito às regras de convivência e da adoção de medidas que impeçam que animais tenham acesso não autorizado a outros apartamentos ou áreas comuns.
O episódio registrado em Campo Grande reforça esse alerta: a presença de animais de grande porte exige responsabilidade, controle e atenção permanente para evitar que uma situação inesperada resulte em ferimentos, perdas de animais ou risco à vida de moradores.
Fonte: G1