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Perícia descarta suicídio de PM em apartamento

Novo laudo do Instituto de Criminalística identificou vestígios incompatíveis com a hipótese de suicídio na morte da soldado Gisele Alves Santana

Perícia descarta suicídio de PM morta em apartamento e aponta possibilidade de segunda pessoa
Foto: A investigação sobre a morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, encontrou uma divergência temporal que pode ser determinante para o desfecho do inquérito. • Montagem CNN

Um novo laudo do Instituto de Criminalística de São Paulo afastou a hipótese de suicídio na morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos. A policial foi encontrada baleada na cabeça dentro do apartamento onde morava, em fevereiro deste ano, e o caso inicialmente foi tratado como possível suicídio.

O documento complementar, elaborado pelo Núcleo de Perícias em Crimes Contra Pessoa, analisou os vestígios materiais encontrados na cena e concluiu que a hipótese de suicídio é incompatível com os elementos identificados durante os exames. A perícia também afirmou que os vestígios não permitem descartar a possibilidade de participação de uma segunda pessoa na ocorrência.

Vestígios ajudaram a reconstruir a dinâmica

Segundo as informações divulgadas sobre o laudo, a análise considerou o conjunto de elementos encontrados no apartamento, incluindo os padrões de manchas de sangue e outros vestígios documentados durante os trabalhos periciais.

A conclusão representa uma mudança importante em relação à interpretação inicial da ocorrência. Em vez de sustentar a hipótese de que Gisele teria provocado a própria morte, os elementos técnicos passaram a indicar uma dinâmica que precisa ser esclarecida pela investigação.

A perícia destacou que os vestígios materiais devem ser considerados em conjunto para a reconstrução dos acontecimentos, e não avaliados de forma isolada.

Marido é investigado por feminicídio

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, marido da vítima, é acusado de feminicídio e permanece preso preventivamente. Ele nega ter cometido o crime e sustentou inicialmente a versão de que a morte teria sido provocada pela própria policial.

Com o avanço das investigações, a Polícia Civil passou a apontá-lo como principal suspeito. A prisão preventiva foi mantida pelo Superior Tribunal de Justiça, que considerou necessária a medida para preservar a produção das provas e evitar possíveis interferências na investigação.

Até o momento, não existe condenação definitiva contra o acusado. A responsabilidade criminal deverá ser estabelecida ao longo do processo judicial.

Investigação depende da preservação da cena

Casos ocorridos dentro de apartamentos também evidenciam a importância da preservação adequada do local até a chegada das autoridades responsáveis pela perícia.

Em uma ocorrência com morte ou ferimentos graves, moradores, funcionários e equipes de segurança devem evitar movimentar objetos, alterar a disposição do ambiente ou permitir a circulação desnecessária de pessoas na área relacionada ao fato.

A preservação dos vestígios pode ser fundamental para que os peritos consigam reconstruir a dinâmica da ocorrência e identificar eventuais inconsistências entre versões apresentadas e os elementos encontrados no local.

Condomínios precisam ter protocolos para emergências

Embora a investigação de crimes seja atribuição das autoridades policiais, os condomínios podem estabelecer procedimentos internos para situações de emergência.

Equipes de portaria e segurança devem estar orientadas sobre como acionar os serviços competentes, controlar o acesso ao local da ocorrência e preservar imagens de câmeras de segurança quando elas puderem contribuir para a investigação.

O treinamento também deve considerar situações envolvendo disparos, agressões, mortes ou outras ocorrências graves dentro das unidades ou das áreas comuns.

Imagens de segurança podem contribuir com a apuração

Sistemas de videomonitoramento podem fornecer informações importantes sobre movimentações nas áreas comuns, entradas e saídas do edifício e circulação de pessoas próximas ao local de uma ocorrência.

A administração deve adotar procedimentos para preservar as gravações quando houver solicitação das autoridades, evitando apagamentos decorrentes da substituição automática dos arquivos.

O acesso às imagens, entretanto, precisa observar as regras aplicáveis à privacidade e à proteção de dados dos moradores e demais pessoas registradas pelo sistema.

Caso reforça importância da perícia

A atualização do caso demonstra como uma investigação criminal pode mudar de direção à medida que novos elementos técnicos são analisados.

A hipótese inicialmente considerada pelas autoridades pode ser revista quando exames periciais, depoimentos e demais provas apresentam informações incompatíveis com a interpretação inicial.

No caso de Gisele, o novo laudo do Instituto de Criminalística afastou a hipótese de suicídio e apontou que a participação de uma segunda pessoa não pode ser descartada a partir dos vestígios analisados.

Segurança condominial também envolve resposta a ocorrências graves

Para a gestão condominial, situações como essa reforçam que segurança não se limita ao controle de entrada e saída. Protocolos de emergência, capacitação de funcionários, preservação de imagens e comunicação rápida com os órgãos competentes também fazem parte da preparação de um empreendimento.

O condomínio, por sua vez, não deve assumir funções de investigação ou tentar determinar responsabilidades criminais. Cabe à administração colaborar com as autoridades e preservar as condições necessárias para a apuração.

O caso da soldado Gisele Alves Santana segue em investigação e tramitação judicial. A nova conclusão pericial representa um elemento relevante para a reconstrução dos acontecimentos, mas os desdobramentos e a responsabilidade criminal dos envolvidos ainda serão definidos pela Justiça.

Fonte: G1