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Perícia aponta gás como causa de explosão em apartamento

Laudo da Polícia Científica identificou concentração de gás GLP e ar na cozinha, mas ainda não esclareceu a origem do vazamento

Perícia aponta acúmulo de gás como causa de explosão que matou morador em Foz do Iguaçu
Foto: Reprodução

A Polícia Científica concluiu o laudo sobre a explosão ocorrida em um apartamento de um condomínio em Foz do Iguaçu, no Paraná, que provocou a morte do personal trainer Eduardo Werneck, de 31 anos. A perícia confirmou que o epicentro do acidente ocorreu na cozinha, onde houve acúmulo de gás liquefeito de petróleo (GLP) e ar. A origem do vazamento, porém, ainda não foi determinada.

A explosão aconteceu na madrugada de 26 de fevereiro. Eduardo sofreu queimaduras em aproximadamente 90% do corpo e foi transferido para Curitiba, mas morreu uma semana depois em decorrência dos ferimentos.

Perícia identifica área de origem da explosão

Para reconstruir o cenário do acidente, o local foi analisado com o auxílio de um scanner 3D. A avaliação dos danos permitiu aos peritos identificar que a onda de pressão teve origem na cozinha e se propagou para os demais cômodos do apartamento.

O laudo também delimitou a região onde ocorreu o vazamento, localizada entre a válvula de bloqueio e o fogão. Apesar disso, a perícia não conseguiu determinar exatamente o que provocou a liberação do gás.

No quarto, uma das paredes foi completamente rompida e projetada para fora do apartamento, evidenciando a intensidade da explosão.

Mulher que estava no apartamento não se feriu

No momento do acidente, uma mulher estava no apartamento com Eduardo. Ela não sofreu ferimentos e relatou aos bombeiros que os dois estavam cozinhando quando ocorreu a explosão.

Segundo o relato apresentado à equipe de emergência, ela havia ido ao banheiro quando ouviu o forte deslocamento de ar provocado pela explosão, que também causou danos às portas e ao ambiente. O bombeiro Daniel Muniz explicou a dinâmica registrada no atendimento.

“Ela contou que houve uma explosão e um deslocamento de ar muito forte, que quebrou portas e causou grande dano no ambiente”, afirmou Daniel Muniz.

O Corpo de Bombeiros conseguiu controlar o incêndio, mas o bloco precisou ser interditado por questões de segurança. Os moradores afetados foram temporariamente encaminhados para hotéis ou imóveis de temporada.

Condomínio tinha sistema de gás encanado

O edifício onde ocorreu a explosão havia sido entregue em abril de 2024 e contava com sistema de gás encanado. Conforme informado pelo condomínio, os laudos de instalação estavam em dia e os projetos haviam sido aprovados pelo Corpo de Bombeiros.

Após o acidente, a Defesa Civil foi acionada para avaliar as condições estruturais do prédio e verificar os impactos provocados pela explosão.

O fato de a edificação possuir documentação e sistemas de gás regularizados não elimina a necessidade de manutenção e acompanhamento permanente das instalações. Vazamentos podem representar risco significativo quando o gás se concentra em ambientes fechados.

Ministério Público pede complementação das investigações

Mesmo com a conclusão da perícia, ainda permanecem perguntas sobre o que provocou o vazamento. Por esse motivo, o Ministério Público solicitou a complementação do laudo e a realização de novas diligências para esclarecer as circunstâncias do acidente.

A investigação deverá buscar elementos capazes de identificar a origem exata do vazamento e esclarecer se houve algum fator específico relacionado à instalação, aos equipamentos ou ao uso do sistema de gás.

Caso reforça atenção com instalações de gás em condomínios

A ocorrência também chama atenção para a importância da manutenção preventiva e da fiscalização das instalações de gás em condomínios residenciais. Sistemas de gás encanado exigem acompanhamento técnico, inspeções periódicas e cumprimento das normas de segurança aplicáveis.

Para síndicos e administradoras, o controle da documentação, dos laudos e dos serviços de manutenção é parte fundamental da gestão predial. Já os moradores devem comunicar imediatamente qualquer suspeita de vazamento e evitar ações que possam provocar faíscas ou chamas em ambientes onde haja concentração de gás.

Em situações de emergência, a orientação é priorizar a saída segura do local e acionar os serviços especializados, sem tentar solucionar o problema por conta própria.

A explosão em Foz do Iguaçu demonstra ainda que a segurança condominial depende de uma combinação entre instalações adequadas, manutenção, fiscalização e comportamento preventivo. Enquanto a perícia já identificou o acúmulo de gás como fator responsável pela explosão, a investigação continua para esclarecer como ocorreu o vazamento que antecedeu o acidente.

Fonte: G1