Padrasto é preso por tentar matar enteado arremessado do 5º andar em condomínio de Patos de Minas (MG)
Suspeito foi contido por moradores ao tentar fugir após lançar criança de 4 anos da janela do apartamento; menino sobreviveu com ferimentos leves e o caso é tratado como tentativa de homicídio.

Padrasto é preso após arremessar enteado do 5º andar e tentar fugir de condomínio em Patos de Minas (MG)
Um caso de extrema gravidade e comoção foi registrado no último sábado (10), em um condomínio residencial no Bairro Ipanema, em Patos de Minas, no Alto Paranaíba (MG). Um homem de 27 anos foi preso em flagrante por tentativa de homicídio após ser acusado de lançar o enteado de apenas 4 anos do 5º andar do prédio onde a família havia se mudado naquele mesmo dia.
Tentativa de fuga flagrada por câmeras do condomínio
Imagens captadas pelas câmeras de segurança do condomínio mostram o momento em que o suspeito, após o ocorrido, tenta fugir pela portaria do prédio. Correndo, ele é interceptado e contido por moradores, que agiram rapidamente e impediram a evasão até a chegada da polícia. A atuação da comunidade foi decisiva para que o homem fosse detido e encaminhado à delegacia.
Criança sobrevive e não sofreu fraturas
Apesar da brutalidade do ato, a criança sobreviveu à queda de aproximadamente 20 metros e foi encontrada em uma área gramada entre os blocos do residencial. Segundo o delegado de Homicídios, Luís Mauro Sampaio, exames médicos constataram que o menino teve apenas um ferimento leve na região do queixo, sem fraturas ou lesões internas graves.
“A criança caiu em uma área gramada, o que provavelmente amortizou o impacto. Ela foi socorrida ainda consciente e levada ao Hospital Regional, onde permaneceu em observação até receber alta na segunda-feira (12)”, afirmou o delegado.
Testemunha viu o exato momento da queda
De acordo com a Polícia Civil, uma das testemunhas relatou ter presenciado o momento exato em que o padrasto segurava a criança para fora da janela, com os braços estendidos, e a soltou. Ela afirma ter visto o homem com uma mão no braço da criança e outra na perna, antes de deixá-la cair deliberadamente.
Além disso, vizinhos disseram ter ouvido uma discussão entre o homem e o enteado poucos segundos antes do ocorrido, o que levanta ainda mais suspeitas de intenção dolosa.
Versão do suspeito é contestada por evidências
O suspeito negou a acusação e afirmou, em depoimento à polícia, que tudo não passou de um acidente. Segundo ele, estaria com o menino no colo, próximo à janela, quando a criança teria feito um movimento brusco e caído. Contudo, as imagens, os depoimentos das testemunhas e o comportamento do investigado após a queda colocam em xeque sua versão.
“Ele tentou fugir logo depois, o que revela consciência de culpa. Moradores relataram que ele subiu, trocou de roupa, pegou o celular e o tablet e tentou sair discretamente pela portaria, mas foi contido graças à ação dos vizinhos”, destacou o delegado Sampaio.
Mãe relata comportamento agressivo e uso de drogas
A mãe da criança contou que mantém um relacionamento de mais de dois anos com o suspeito, mas que ele já apresentava comportamentos preocupantes em relação ao enteado, com brincadeiras consideradas abusivas, como jogá-lo para o alto ou simular quedas. No dia do crime, o homem teria consumido bebida alcoólica e maconha durante o processo de mudança, iniciado ainda pela manhã.
Pouco antes da queda, a mãe afirmou que ouvia o filho gritar:
“Não, Mano! Não, Mano!”, apelido usado para se referir ao padrasto.
Ao sair do banheiro, foi surpreendida com a notícia de que o filho havia caído da janela.
Desesperada, a mulher desceu e segurou o filho no colo até a chegada do Samu, que confirmou que a criança estava em estado de choque, mas consciente.
Tentativa de homicídio e prisão preventiva
O homem foi autuado em flagrante por tentativa de homicídio e conduzido ao Presídio Sebastião Satiro, onde segue à disposição da Justiça. O nome do acusado não foi divulgado pelas autoridades, e o caso continua sob investigação da Polícia Civil.
Repercussão no condomínio e papel da gestão
O caso gerou comoção e revolta entre os moradores do condomínio, que elogiaram a atuação da comunidade ao impedir a fuga do suspeito. A administração do prédio colaborou com as autoridades fornecendo as imagens das câmeras de segurança e facilitando o acesso dos investigadores ao apartamento.
Especialistas em segurança condominial reforçam a importância de:
- manter câmeras em pleno funcionamento;
- treinar funcionários para situações de emergência;
- promover a cultura da denúncia e do cuidado coletivo.
“A agilidade dos moradores foi fundamental. Em casos de violência, sobretudo contra crianças, o apoio imediato da comunidade e da gestão condominial pode salvar vidas”, afirma um especialista em segurança predial.
Alerta para a violência doméstica em condomínios
O caso reacende o debate sobre violência doméstica dentro de residências multifamiliares e a importância de síndicos, vizinhos e administradores estarem atentos a sinais de abuso, gritos, discussões frequentes e comportamentos suspeitos.
Fonte: G1