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Operação Manto de Engano desmantela furto cinematográfico em condomínio de luxo em Niterói

Advogado criminalista e ex-candidato à vice-prefeito são investigados por furto de alto padrão com uso de máscara de silicone e atuação coordenada em apart-hotel na Zona Sul da cidade

Operação Manto de Engano desmantela furto cinematográfico em condomínio de luxo em Niterói
Foto: Foto: Reprodução

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, em conjunto com o Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ), deflagrou na manhã desta terça-feira (13) a Operação Manto de Engano, com o objetivo de desarticular um sofisticado esquema criminoso de furto ocorrido em um condomínio de luxo no bairro do Gragoatá, Zona Sul de Niterói.

O caso ganhou repercussão não apenas pelo alto valor dos itens furtados — estimado em cerca de R$ 80 mil, com destaque para 10 relógios de luxo — mas também pelo modus operandi ousado e altamente planejado dos envolvidos.

Segundo as investigações, o crime ocorreu no dia 7 de fevereiro de 2024, quando um homem entrou no prédio vestindo terno, luvas e uma máscara de silicone realista, representando um homem calvo. A escolha do disfarce não foi aleatória: o material dificultou a identificação pelas câmeras de segurança do apart-hotel.

O suspeito foi identificado como o advogado criminalista Luís Maurício Martins Galda, que teria atuado como executor da ação. Imagens internas do circuito de segurança registraram o momento em que Galda, mascarado e com um celular no ouvido, percorre áreas restritas do edifício e arromba a porta do apartamento com uso de força física. O comportamento reforça a hipótese de que ele recebia instruções em tempo real de um comparsa.

O mentor intelectual do plano, segundo o próprio Galda e as investigações do GAECO, seria Alexandre Ceotto, ex-candidato à vice-prefeitura de Niterói. Em depoimento à polícia, Galda apontou Ceotto como responsável por fornecer a planta do imóvel, detalhes da rotina da vítima e instruções logísticas da ação.

Além da atuação direta no furto, a investigação apura se houve conivência de outras pessoas ligadas ao condomínio ou brechas na segurança que tenham facilitado a invasão, considerando que o executor conseguiu circular sem ser imediatamente interceptado.


Na última semana, os investigadores cumpriram mandados de busca e apreensão na residência de Galda e, nesta terça-feira (13), também no imóvel de Alexandre Ceotto e na casa de sua mãe. Foram recolhidos celulares, computadores e documentos, que agora passam por análise técnica para reforçar o inquérito e identificar possíveis cúmplices ou ramificações do esquema.

A operação recebeu o nome simbólico de "Manto de Engano", uma alusão direta à máscara utilizada no crime e ao nível de engodo envolvido na ação, que exigiu inteligência estratégica, planejamento minucioso e violação de espaços considerados de alta segurança.

A Polícia Civil destacou que a atuação conjunta com o GAECO tem como foco combater crimes patrimoniais com alto grau de sofisticação, cada vez mais comuns em áreas urbanas nobres e condomínios de alto padrão.


A administração do condomínio não se pronunciou oficialmente até o momento, mas moradores relataram surpresa com a facilidade de acesso do invasor e preocupação com a segurança interna. O caso reforça o alerta para a necessidade de reforço em protocolos de segurança condominial, uso de reconhecimento facial, análise comportamental de visitantes e treinamento de equipes para situações de risco.

As investigações seguem em andamento e não estão descartadas novas prisões ou o indiciamento de outros envolvidos.

Fonte: Cidade de Niterói