Operação mira esquema fiscal em SP
Ação mira servidores da secretaria da fazenda suspeitos de favorecer empresas em esquema ilegal de manipulação fiscal

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), por meio do Grupo Especial de Repressão a Delitos Econômicos (GEDEC), deflagrou na manhã desta quinta-feira (27) a Operação Fisco Paralelo, com o objetivo de desarticular um esquema estruturado de corrupção envolvendo servidores públicos da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz-SP).
A ação cumpre 22 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Campinas, Vinhedo e São José dos Campos. Entre os alvos estão endereços em um condomínio de alto padrão localizado em Tamboré e imóveis no bairro de Moema, na capital paulista.
De acordo com as investigações, o esquema envolvia a manipulação indevida de créditos acumulados de ICMS, com indícios de pagamento de vantagens ilícitas a agentes públicos, além da prática de lavagem de dinheiro. Ao todo, 16 dos investigados possuem ligação direta com a Sefaz-SP, incluindo servidores lotados em diferentes setores estratégicos da pasta.
As diligências ocorrem em unidades como a Delegacia Regional Tributária da Capital II (Lapa), Delegacia Regional Tributária da Capital III (Butantã), Delegacia Regional Tributária 12 (ABCD), Delegacia Regional Tributária 14 (Osasco) e a Diretoria de Fiscalização (DIFIS), todas vinculadas à gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A operação conta com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do CyberGaeco, do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira) e da Polícia Militar.
Segundo o Ministério Público, a Operação Fisco Paralelo é um desdobramento da Operação Ícaro, realizada anteriormente, que investigou fraudes envolvendo grandes empresas como Ultrafarma e Fast Shop, em agosto de 2025.
O avanço das investigações foi possível a partir da apreensão do celular da contadora Maria Hermínia de Jesus Santa Clara, apontada como peça-chave no esquema. Ela já se encontra presa preventivamente em decorrência de investigações anteriores e, segundo os promotores, atuava como elo entre o núcleo técnico da organização criminosa e uma ampla rede de fiscais corruptos.
Ainda conforme o MP, o grupo teria como liderança o fiscal Artur Gomes da Silva Neto, responsável por coordenar as atividades ilícitas. A partir das provas obtidas, foi possível identificar a atuação de servidores em cargos estratégicos, como agentes fiscais de renda, inspetores fiscais, coordenadores e delegados regionais tributários.
Os crimes investigados incluem organização criminosa, corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro. Embora ainda não haja um cálculo fechado sobre o prejuízo causado aos cofres públicos, os promotores afirmam que o montante pode superar os valores apurados na Operação Ícaro, que já indicavam desvios na casa de R$ 1 bilhão.
O objetivo da atual fase é aprofundar a coleta de provas, incluindo documentos e dispositivos eletrônicos, que possam contribuir para a completa elucidação dos fatos e responsabilização dos envolvidos.
Até a última atualização desta reportagem, a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo não havia se manifestado sobre a operação.
Fonte: G1