Obra ao lado de creche preocupa pais em São Paulo
Construção da mesma construtora de prédio que desabou na Penha fica parede com parede com escola infantil e passa por vistoria da Prefeitura

Uma obra da mesma construtora responsável pelo prédio que desabou na Penha, na Zona Leste de São Paulo, deixando seis mortos, fica ao lado de uma creche na região. A construção está embargada desde o ano passado e passou a gerar preocupação entre pais, moradores e responsáveis pela unidade infantil após o desabamento ocorrido em 12 de setembro.
O terreno fica a pouco mais de 1 quilômetro do local onde ocorreu a tragédia na Rua Tequici e a construção está “parede com parede” com a escola. Diante da proximidade, a unidade de ensino realizou uma reunião com os pais para discutir a possibilidade de paralisação das aulas.
A decisão dependeria do resultado de uma vistoria realizada pela Prefeitura de São Paulo em 16 de setembro.
Condições da obra chamam atenção
De acordo com as informações divulgadas pelo G1, o terreno onde a construção está sendo realizada não possui placas de identificação da obra. As paredes do último andar aparentam estar sem amarração e existe uma grande quantidade de entulho acumulada na fachada.
Essas condições aumentaram a apreensão entre os pais, principalmente após o desabamento do outro empreendimento da mesma construtora.
Moradores também relataram à TV Globo que a sede da empresa, localizada na mesma região, não teria aberto as portas após o desabamento ocorrido na Penha.
Desabamento deixou seis mortos
O prédio que desabou na madrugada de 12 de setembro caiu sobre uma casa na Rua Tequici. Seis pessoas morreram, entre elas uma mulher grávida.
Outras duas vítimas foram resgatadas com ferimentos: uma criança de 7 anos e um homem de aproximadamente 30 anos.
A ocorrência passou a ser investigada pela Polícia Civil, enquanto órgãos municipais também analisam os procedimentos relacionados à fiscalização e à regularidade da construção.
Obra já havia sido alvo de fiscalização
Segundo a Prefeitura de São Paulo, a construção que desabou já havia sido alvo de fiscalizações e de uma ação judicial.
O responsável pelo imóvel havia solicitado um alvará em 2019, mas o pedido foi indeferido. Após fiscalizações, multas e a interdição da obra, a Prefeitura entrou na Justiça em 2021 para solicitar a demolição de uma construção irregular existente no terreno.
Uma das multas aplicadas chegou a R$ 119 mil.
A Justiça concedeu uma liminar determinando a paralisação das obras. Em 2022, um novo projeto foi apresentado e, em agosto de 2023, a Prefeitura emitiu um alvará para a execução da nova construção, condicionado à demolição da estrutura anterior.
Vistoria passou a ser questionada
Em fevereiro de 2024, uma vistoria registrou que a demolição exigida havia sido realizada. Com isso, o processo judicial acabou sendo extinto.
Depois do desabamento, porém, a Prefeitura abriu uma investigação na Controladoria Geral do Município para verificar os procedimentos adotados na fiscalização.
Segundo as apurações preliminares divulgadas pela administração municipal, a demolição exigida para permitir a construção do novo prédio não teria sido realizada.
A servidora responsável pelo laudo que atestou a demolição foi afastada inicialmente por 30 dias. A Polícia Civil também passou a investigar o caso.
Segurança de obras ganha atenção após tragédia
A situação da obra localizada ao lado da creche coloca em evidência a importância da fiscalização de construções, especialmente quando os empreendimentos estão próximos a locais de grande circulação de pessoas, como escolas e unidades de educação infantil.
A regularidade documental, o cumprimento dos projetos aprovados, a existência de responsável técnico e o atendimento às determinações dos órgãos públicos são elementos fundamentais para o acompanhamento de uma obra.
Em situações envolvendo construções embargadas ou com irregularidades identificadas, a comunicação entre poder público, responsáveis pelo empreendimento e pessoas potencialmente afetadas também se torna relevante para a adoção de medidas preventivas.
Pais aguardam avaliação das condições do local
A proximidade entre a construção e a creche fez com que os responsáveis pelas crianças buscassem informações sobre as condições de segurança da unidade. A escola avaliou a possibilidade de interromper temporariamente as atividades, condicionando a decisão aos resultados da vistoria municipal.
O caso permanece em apuração e envolve tanto a situação específica da obra localizada ao lado da creche quanto os procedimentos adotados anteriormente na fiscalização do prédio que desabou.
Enquanto as investigações avançam, a situação reforça a necessidade de acompanhamento técnico e fiscalização contínua de empreendimentos, principalmente quando construções apresentam histórico de embargo, intervenções administrativas ou proximidade com equipamentos destinados ao atendimento de crianças.
Fonte: G1