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Omissão de condôminos causa prejuízos milionários

A falta de participação e fiscalização dos moradores abre espaço para fraudes, superfaturamentos e má gestão em condomínios de todo o país

O preço do silêncio: omissão de condôminos causa prejuízos milionários
Foto: Imagem ilustrativa

O medo de exigir transparência na gestão condominial tem custado caro aos proprietários. Em muitos edifícios, o comportamento passivo de condôminos que preferem “não se envolver” e deixar tudo nas mãos do síndico resulta em fraudes, contratos suspeitos e prejuízos que, somados, alcançam cifras milionárias.

De acordo com especialistas, a solução é simples, mas exige engajamento: a participação ativa dos moradores. Quando os condôminos assumem o papel de fiscalizadores e exigem acesso a contratos, atas, pareceres e notas fiscais, o condomínio deixa de ser terreno fértil para irregularidades e volta a ser um ambiente de segurança e valorização patrimonial.

A omissão que abre portas para o prejuízo

Grande parte das irregularidades em condomínios nasce do silêncio coletivo e da falta de tempo ou disposição para acompanhar a administração. Enquanto poucos tentam agir, a maioria permanece inerte, permitindo que decisões sem controle coletivo prosperem.

Com isso, multiplicam-se compras superfaturadas, obras desnecessárias, manipulação de atas e favorecimentos em contratos.

“Com o passar do tempo, essas práticas se transformam em um verdadeiro rombo financeiro, e raramente o condomínio consegue recuperar os valores perdidos”, alerta o advogado e especialista em direito imobiliário, Kênio Pereira, autor do artigo “Quando o silêncio custa caro”, publicado no portal Hoje em Dia.

Síndicos e administradoras sob pouca vigilância

A relação próxima entre síndico e administradora é outro ponto crítico. Quando há vínculos diretos ou interesses compartilhados, a fiscalização mútua é comprometida. O ideal, segundo especialistas, é que ambas as partes atuem de forma independente e transparente, com colaboração e prestação de contas constante.

Conselhos fiscais inoperantes agravam o problema

A falta de atuação efetiva do Conselho Fiscal contribui para ampliar os danos. Em alguns casos, os próprios conselheiros participam de acordos que resultam em gastos injustificados e desequilíbrio financeiro. Essa inércia, movida pelo receio de questionar, gera um ciclo vicioso: o síndico percebe a falta de vigilância e age com mais liberdade.

O resultado é a perda de recursos e a consequente desvalorização dos imóveis, pois um condomínio desorganizado aumenta custos e afasta potenciais compradores.

Fiscalizar é proteger o próprio patrimônio

O Código Civil, em seu artigo 1.348, estabelece que o síndico deve prestar contas e zelar pelos interesses comuns. Solicitar documentos e acompanhar os balancetes, portanto, não é desconfiança — é dever do condômino consciente.

“Se o morador encontra dificuldade para obter transparência, isso já é um forte indício de irregularidade”, explica Pereira.

A orientação é buscar assessoria jurídica especializada para garantir acesso às informações e adotar medidas preventivas antes que os danos se tornem irreversíveis.

A mudança começa na conscientização

Quando os condôminos entendem que fiscalizar não é criar conflito, mas proteger seu investimento, a gestão se torna mais transparente e eficiente. A participação coletiva é o principal instrumento contra desvios e má administração.

A lição é clara: silêncio custa caro. A voz ativa, a fiscalização constante e a união dos moradores são os únicos caminhos para evitar prejuízos milionários e garantir a valorização do patrimônio condominial.

Fonte: Hoje em Dia