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O golpe do condomínio: como grandes incorporadoras se aproveitam de síndicos profissionais

Mudanças no Código Civil abriram espaço para abusos na gestão condominial, com moradores pagando taxas superfaturadas e sem transparência.

O golpe do condomínio: como grandes incorporadoras se aproveitam de síndicos profissionais
Foto: Imagem ilustrativa

O artigo 1.347 do Código Civil de 2002 introduziu a figura do síndico profissional, com a intenção de profissionalizar a administração condominial. No entanto, essa mudança acabou gerando uma brecha que vem sendo explorada por grandes incorporadoras em todo o país.

Muitas dessas empresas lançam empreendimentos com dezenas de unidades, mantendo a posse da maioria dos imóveis. Isso lhes permite controlar assembleias e nomear síndicos de confiança, garantindo domínio total sobre as decisões administrativas. Para os compradores, o que parecia ser o sonho da casa própria muitas vezes se transforma em pesadelo: taxas de condomínio superfaturadas, orçamentos opacos e pouca possibilidade de fiscalização.

Antes da alteração do Código Civil, o síndico precisava ser, no mínimo, proprietário de uma unidade e, em alguns casos, residir no prédio. A mudança em 2002 permitiu que síndicos externos fossem contratados, abrindo espaço para abusos. Em diversos casos, os imóveis são entregues com pendências de obra e já possuem um síndico indicado pela incorporadora, muitas vezes com salários acima do mercado e sem controle efetivo dos moradores.

Especialistas em direito imobiliário alertam que o problema reflete a falta de transparência na gestão condominial e a pouca fiscalização por parte dos condôminos. Em alguns empreendimentos, o síndico se apresenta como alguém próximo a autoridades locais, reforçando a sensação de que é intocável.

A orientação é clara: os moradores devem acompanhar de perto a administração do condomínio, exigir prestação de contas detalhada e participar ativamente das assembleias. Sem essas medidas, é possível que estejam sendo vítimas de um golpe disfarçado de gestão profissional.

Fonte: Ururu