Novas famílias transformam mercado imobiliário
Mudanças no perfil dos lares impulsionam procura por imóveis compactos, funcionais e com mais serviços e estruturas compartilhadas nos condomínios

Novos modelos de família redesenham o mercado imobiliário no Brasil
Pela primeira vez, casais com filhos deixam de ser maioria no país, impulsionando a busca por imóveis compactos, funcionais e com ampla oferta de serviços urbanos.
Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam um marco demográfico histórico: pela primeira vez, os casais com filhos deixaram de representar a maioria dos lares no Brasil. Essa transformação no perfil das famílias já gera impactos diretos em diversos setores econômicos, com destaque para o mercado imobiliário, que passa por um processo de readequação de seus empreendimentos.
Mudar de planos: a escolha por não ter filhos
A decisão de adiar ou abrir mão da maternidade e da paternidade tem se tornado cada vez mais frequente. É o caso do casal Rodrigo Ferro, analista de TI, e Stefany Silva, atendente, que optaram consensualmente por não ter filhos no momento.
"Quando a gente se conheceu, eu já tinha a premissa de não querer ter filhos. Fui descobrir que ela tinha a mesma conversa. No momento atual da nossa vida e do mundo, vimos que não é o ideal para a gente."
— Rodrigo Ferro, analista de TI.
Essa redefinição de prioridades influenciou diretamente o tipo de imóvel escolhido pelo casal, que priorizou a praticidade de um espaço compacto e bem localizado:
Foco na rotina: Menos tempo gasto com manutenção do imóvel e mais facilidade no deslocamento diário.
Espaço sob medida: Sem a necessidade de quartos extras ou áreas privativas adaptadas para crianças.
Fatores econômicos e culturais impulsionam a mudança
Segundo a psicóloga Tycianne Tenório, a redução no tamanho das famílias é motivada por uma combinação de fatores financeiros e comportamentais:
Planejamento financeiro: O elevado custo de vida faz com que a criação de um filho exija um preparo financeiro rigoroso.
Busca por realizações pessoais: Há uma maior valorização da liberdade para investir em estudos, desenvolvimento de carreira, viagens e metas individuais.
Transformação cultural: A sociedade passa a reconhecer que os conceitos de felicidade e futuro ideal variam para cada indivíduo, desconstruindo imposições sociais tradicionais.
O novo perfil de moradia e a alta dos imóveis de serviço
A transformação do perfil das famílias ocorre em meio a um ciclo de forte valorização imobiliária. Conforme explica o especialista imobiliário Lauro Braga, o mercado precisa atender tanto casais sem filhos quanto ao público que mora sozinho — segmento que já representa quase 20% dos domicílios no país, somando cerca de 15 milhões de pessoas.
Em cidades como Maceió (AL), a busca por qualidade de vida também atrai aposentados e novos moradores de outros estados, alterando a demanda por projetos residenciais:
Menos área privativa, mais áreas comuns: Apartamentos menores combinados a infraestruturas completas no condomínio, como coworking, pet place, áreas de lazer e lavanderias compartilhadas.
Conceito de vida integrado: Unir a mobilidade e a localização premium à oferta de conveniências no próprio edifício.
"O mercado precisa alinhar o tamanho do apartamento com a entrega de serviços. Se a pessoa não tem espaço para um escritório ou para o pet no apartamento, o condomínio entrega o coworking e o pet place."
— Lauro Braga, especialista imobiliário.
Tendência urbana: cidades e bairros planejados
À medida que os novos modelos familiares se consolidam, as construtoras apostam no conceito de bairros planejados e empreendimentos "bairristas", onde os moradores encontram toda a estrutura de comércio, serviços e lazer a poucos passos de casa, reduzindo a necessidade de longos deslocamentos e promovendo melhor qualidade de vida urbana.
Fonte: TNH1